Depois de quinta –feira passada, dia 13/junho, acho que todos esperávamos o pior. Depois que todas as redes de televisão e jornais não tiveram como ignorar que a violência em São Paulo começou por parte da PM e diversos vídeos e fotos mostraram ao mundo o que estava rolando na capital, o clima de tensão para ontem era geral.

Diversas campanhas pedindo o fim da violência, assim como várias formas de tentar evitar truculência policiam foram divulgadas (sério, gente, quem inventou aquele bagulho da bandeira? É genial, de tão bisonho) e, depois do liveblogging que realizei na quinta feira de última hora, veio a ideia de fazer algo a mais.


Perguntei, na sexta-feira, no grupo dos Mobilizados, quem era de fora de São Paulo e entrei em contato individualmente. A ideia era tentar ajudar as pessoas que twittassem estar perdidas ou feridas durante a manifestação e tentar fazer uma ponte entre elas e um socorrista.

A partir daí, eu não sei bem como as coisas se desenvolveram. Em menos de 5 horas, já tínhamos 12 pessoas ativas no movimento, dentre elas, o Chrys e a Jane, que desde essa sexta até ontem se tornaram as primeiras pessoas a conversar no Facebook e as últimas a me despedir.

O impacto da nossa ideia foi tão grande, que quando divulgamos no sábado a hashtag que trabalharíamos na ajuda aos perdidos/feridos, a postagem passou dos 1300 compartilhamentos. Até então, já passávamos dos 30.

Quando vi, vários amigos meus já estavam participando do grupo sem que eu soubesse – um movimento realmente dinâmico, vivo, orgânico, sem necessidade de liderança, e estavam tão por dentro, com tarefas já decididas e influenciando o grupo.

Fonte> Gnuzz.com

Uma das coisas que eu não sei dizer sobre o #MOBAjuda é  quem colaborou com o quê, ou o que foi decisão de quem.

Foi quando uma estudante de enfermagem, a Fabíola, entrou em contato com a gente, que perdi totalmente qualquer controle do que estivesse acontecendo. Foi algo tão brilhante, tão bonito, que era surreal demais pra ser colocado em prática.

Tivemos contato constante com quatro grupos de médicos, e influenciamos diretamente em pelo menos seis atendimentos durante toda a manifestação em São Paulo: quatro quedas de pressão, uma desidratação leve e um desmaio – nenhum caso de violência, apesar da pequena confusão no final do protesto.

O que me lembra: foram mais de 3 mil pessoas que conferiram o nosso liveblogging (que publicou algumas notícias com até vinte minutos de antecedência do que as linhas de tempo dos portais de notícias), aproximadamente 15% delas (em torno de 500) acessando pelos seus celulares a nossa versão mobile.

Podemos não ter salvado a vida de ninguém (graças a Deus não precisamos chegar a tanto), mas com certeza ajudamos muitas pessoas a se localizarem, e fomos um ponto de notícias seguras sobre a manifestação, enquanto alguns ainda tentavam criar o caos.

Infelizmente, eu vi dois pontos negativos ontem: Bem no finalzinho, quando alguns manifestantes mais exaltados derrubaram o Portão 2 do Palácio das Bandeiras (o que exigiu uma ação da Tropa de Choque, após alguns invadirem o prédio), após quebrarem algumas luminárias; e a postura de alguns revolucionários que insistiram em, durante todo o protesto, fazer tudo sozinhos, ignorando todo o trabalho que estava sendo feito por uma coletividade: acabaram pondo em risco vidas, criaram confusões, sugeriram que o portão estava intacto e ainda tentaram causar pânico ao dizer que a Tropa de Choque estaria encurralando os manifestantes, quando já era pra lá da meia-noite.

Mas, fica aqui a alegria por ter participado desse dia, de poder ter influenciado e trabalhado junto com pessoas que começaram a propor um novo jeito de se fazer o Brasil. Que venham novos protestos! Que surjam novos grupos de ajuda! Que haja, enfim, vida.

Agradecimentos, enfim:

Thalys, Chrys e Ariovaldo, por conseguirmos manter o site informado e atento, com o QG 100%;

Jane, Fabíola (in loco) e Nicole, por tomarem a frente de quase todos os processos e gerenciarem as equipes sem ganhar um centavo por isso;

Aos meus amigos pessoais que participaram dessa briga, Delancy, Tig e Yohanna que eu me lembro de cabeça que estiveram conosco durante o liveblogging;

Aos bróderes que tenho o prazer de dizer que convivo que foram lá, dentre eles o Vinícius Moraes (que gravou um vlog durante a manifestação) e Abner Melanias;

Aos que conheci do Mobilizados e nos ajudaram de todas as formas que puderam: Julie, Pedro e Iran;

E, por fim, à melhor e mais linda equipe sensual: Rafael Guimarães, Lucas Rueles, Ligia Oliveira, Juliana Paiva, Walquiria Poiano, Carolina Almeida, Juliano Chernob, Ge Lilian, Pablo Silva, Mariana Nogueira, Vinícius Papini, João Paulo Maciel, Deni Guimarães, Lovely Bianca, Bia Poiani, Guilherme Ubeda, Ana Sharp, Andrea Martins, Marcio Castro, Wagner Skellington, Jack Casemiro, Paloma Santos, Eduardo Prado e talvez alguém que eu tenha perdido no meio dessa contagem.

Liveblogging, MOBAjuda e como o Brasil ajudou São Paulo.

Categoria: Opinião
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