/off. Dusk’s outset vem do inglês, início do pôr-do-sol, e é o segundo capítulo da saga Lorea & Piotr. O começo, é aqui/

(Piotr)

Sono. Muito sono. Não se lembrava exatamente quando acabou a conversa com a Lorea, ou o que fizera depois. Lembrava de tê-la abraçado e de acordar na sua cama, com a roupa de ontem. Éca. Precisava de um banho. Até mesmo por causa daquela dor de cabeça. Nem a Natasha ou a Cátcha, a marvada da catchaça tinha te provocado uma ressaca que fosse comparável àquilo. Era o fim do mundo. É pau, é pedra, é o fim do caminho. –q

Depois de uns quase quinze minutos, conseguiu convencer-se de que deveria levantar. Mais cinco para transformar essa decisão num gemido audível. Quatro e meio e ele conseguira se virar de barriga pra cima.

Sorriso no rosto não disfarça concentração
Na dor que fica escondida debaixo da paixão
Agonia de precisar esconder o que gosta

Medo do tempo levar, esquecer o prazer
Ser levada pelo dia-a-dia, acabar sem viver
Na burocracia, tédio que consome o seu ser

Quer poder voar, e lá do alto respirar
Fazer o que sempre quis, e se entregar
É pedir demais o seu sonho realizar?
Querer a alegria de poder fotografar?
Ter alguém em quem possa se apoiar?

Eu queria poder ter a liberdade de dizer
A abraçar, a confortar, e lhe convencer
Fechar os olhos, os problemas esquecer
Com uma palavra, seu coração aquiescer

/off. Dusk’s outset vem do inglês, início do pôr-do-sol, e é o segundo capítulo da saga Lorea & Piotr. O começo, é aqui/

(Lorea)

Acordou, sorriu, levantou. Três verbos, três ações. Fazia tempo que não era acompanhada por essa tríade. Era uma sensação aliviante, poder levantar levemente – com o peso só do corpo.
Tinha as aulas de sempre, os deveres de sempre e um amigo provavelmente emburrado por ter dormido oito horas a menos do que costumava – o que dava por volta de quinze minutos de sono, se ele tivesse pulado a parte de tomar banho (o que ela duvidava).
É, ela dormira quinze longos minutos. O que fora suficiente, na verdade até desnecessário, poderia ter entrado no Salão da Sage, pegado seus materiais, e voltado pra trás, assistir aula direto. Piotr que estava quebrado. Aquele garoto conseguia ser fraco, quando queria. Não conseguia nem virar uma noite sem ficar babando, enquanto via o sol nascer.
Depois de desabafar tanto, contar tudo pra alguém, ficar abraçado com alguém, ficar tão próximo de alguém era tão… rejuvenescedor. Não podia reclamar do garoto, ele estava lá e prestou atenção em cada segundo enquanto ela falara. Não interrompera, nem bocejara uma única vez, durante toda a história.
É, pensou ela, enquanto via um Piotr de cara amassada –porém impecavelmente limpo – indo em sua direção, ele seria um ótimo namorado. Pensou sem intenções, tudo que acontecera na noite anterior ainda estava perto demais pra ela pensar com muita clareza nas frases que referiam ao ucraniano. Ele estava num estado deplorável. Por mais que sua roupa estivesse arrumada, ele piscava longamente, balançava a cabeça ao andar, como se estivesse quase caindo em qualquer canto, e mal conseguia mexer a boca.
Ele chegou ao seu lado, fez uma pose vidaloka666fromhell~ e disse Yo!. Não foi bem um disse, no sentido literal da palavra. Estava mais para um tentou dizer. Planejou, talvez. Mas no final, acabou apenas murmurando.
Rindo, ela chegou à conclusão, a qual ela veria que seria mais uma profecia: aquele dia ia ser bisonho.

Há muito tempo, eu tenho te visto andar
Quantos dias, aqui, nesse mesmo lugar
Fecho os olhos, sinto o teu perfume,
Toda vez que vejo que você vai passar

Passar com aquele brilho nos olhos
De quem sonha com ter ainda mais
Olhar de insatisfação, de ambição

Com jeito de quem nunca se satisfaz
Talvez por isso hoje, o Sol brilhou mais
Por isso o jornal notícias tristes nem traz

Nesse dia, tudo tem um pouco de sentido
Pára a dor de quem teve o coração ferido
Nesse dia, todos também se viram pra ela
Contemplam a beleza que só pode ser dela
Vendo nela aquilo que todos dias me quebra

Quando o vento soprar, as coisas devem melhorar
Quando seu olhar me encontrar, e a noite chegar
Tudo que eu quero, é o seu sorriso sob o luar
Andar contigo de mãos dadas, bem na beira do mar

Porque quando o sol raiar, nada vai se acabar
Quando o dia chegar, juntos ainda vamos estar
Com teu abraço, teu sorriso, nem vou respirar
Ainda com medo de fechar os olhos e acordar

Mesmo quando tudo se tornar real, é difícil acreditar
Que tudo será mais que um sonho, vai se realizar
Ainda assim, nesses dias eu terei medo de dormir
E você, por entre os meus dedos, me escapar

Porque quando o sol raiar, nada vai se acabar
Quando o dia chegar, juntos ainda vamos estar
Com teu abraço, teu sorriso, nem vou respirar
Ainda com medo de fechar os olhos e acordar

Enquanto o tempo não chega, eu sou só um sonhador
Fico horas aqui pensando, tentando me concentrar
Horas a fio, dos meus sonhos tirar mais alguma cor
Uma cor que te faça sorrir, e junto comigo sonhar

Porque quando o sol raiar, nada vai se acabar
Quando o dia chegar, juntos ainda vamos estar
Com teu abraço, teu sorriso, nem vou respirar
Ainda com medo de fechar os olhos e acordar

/OFF: Comece pelo começo, leia aqui/

(Lorea)

Mais uma vez, ela tinha se perdido naqueles pensamentos. Mais uma vez aquela onda tomou toda capacidade de pensar. E, foi por pouco dessa vez. Algumas pessoas costumam subestimar o poder da depressão, mas quando ela chega, a coisa costuma ficar feia. Não tem nada pior do que estar caindo, saber disso, ver isso, querer mudar a situação, mas não ver a saída – a única luz que havia, era aquela que estava ficando cada vez mais distante, e mais borrada.
Mas agora ela estava bem, Piotr estava ali. Não que ela entendesse o porquê dele chegar, sentar, e não se importar com um motivo. Era aquele desprendimento, aquela leveza que a surpreendia em Piotr. Ele sempre estava lá pra ajudar e confortar, sem precisar saber motivos – e era essa falta de curiosidade que a deixava cada vez mais com necessidade de desabafar. Um nó que estava na garganta dela e começou a dissipar no momento que ela o viu ali. E, no lugar desse nó, começou a nascer uma agonia, uma vontade incontrolável de contar tudo, de despejar todos aqueles dias as palavras que ela nunca quis falar, nem sozinha.
Ao lado dessa vontade agonizante, também crescente, veio aquele medo, já velho conhecido, de fazer as pessoas sofrerem com a história dela – aquela sina era só dela, ela não tinha direito de impô-la a mais ninguém. Por alguns momentos, pareceu que aquele medo a tinha vencido, de novo. Suspirou, e recostou a testa na cabeça do ucraniano, enquanto as lágrimas ainda fluíam pelo rosto, indo encontrar refúgio nas costas dele.

Será que sou só eu, que me pego toda noite a sonhar?
Não há alguém igual, por aí, em qualquer lugar?
Alguém que pare, assim como eu, sorria e contemple
Por mais incerto, e irreal, contemplar o impossível
Como algo que possa estar mais perto que o normal

Sinto como se não houvesse mais ninguém assim,
Como se os sonhos hoje fossem um pecado mortal
Não vejo mais ninguém divagando nas ruas, a sonhar
Parece que a imaginação foi engolida no mundo real

Eu quero sonhar, deitar ao seu lado e viajar
Eu quero parar, no meio da rua e te contemplar
Eu quero voar nas asas dos meus pensamentos
E cada vez mais, poder mais uma vez me deixar levar

Não fui feito pra ser racional, quem dirá normal
Não fui feito pra cumprir uma lista de tarefas banal
Meu problema nem é a rotina, é mais pontual
O que eu não agüento é, passar uma noite sem um lual

Eu quero sonhar, deitar ao seu lado e viajar
Eu quero parar, no meio da rua e te contemplar
Eu quero voar nas asas dos meus pensamentos
E cada vez mais, poder mais uma vez me deixar levar

Me leve daqui, faça minha mente girar,
Me leve contigo, me tire desse lugar,
Arranque um sorriso, me dê um motivo
Um que me faça agir, sem parar pra pensar

Porque no fundo, tudo que eu quero, mais uma vez
Eu quero sonhar, deitar ao seu lado e viajar
Eu quero parar, no meio da rua e te contemplar
Eu quero voar nas asas dos meus pensamentos
E cada vez mais, poder mais uma vez me deixar levar

/OFF: Comece pelo começo, leia aqui/

(Piotr)

Beating; a vida era isso – get a rhythm. Era meio Britney Spears, coisa que ele detestava, mas, anyways, fazia sentido. Poderiam trocar as palavras, tornando-as chiques, dar palestras motivacionais, ou fingir que era um segredo, mas a essência era a mesma. Pra conseguir aproveitar a vida, só encontrando o seu ritmo, a sua batida. A vida é mesmo comparável à música. A uma coletânea, de fato. Muita gente se frustrava tentando viver um reggae num momento de blues – a pessoa fica perdida, se torna agitadora e não leva nada a sério.
Cada momento da sua vida tem uma trilha sonora – tentar mudá-la era fracasso – nada pior do que sacar um Matanza quando estão você e sua namorada sozinhos, voltando pra casa à pé, numa sexta à tarde. Bebe, arrota e peida não descreve muito bem atitudes que devam ser tomadas ali – pé na porta e soco na cara também não. Mas isso não quer dizer tomar uma atitude passiva diante dos fatos – toda ação poderia mudar a situação. Nova situação, nova música – com um momento de transição, como um DJ. Um bom DJ é aquele que consegue levar a festa para onde ele quer; sem ninguém perceber.
Querer mudar de vida sem agir, é o mesmo que querer mudar de música sem dar FlashForward. Até porque inação é muito pior que omissão.

Queria te conhecer, a cada dia, um pouco mais
Estar contigo, ouvindo o som da sua respiração
Poder ser o seu apoio, talvez o seu melhor amigo
Como se eu pudesse estar acima dessa confusão

Não sei onde vamos parar,
Deveria isso ser motivo de preocupação?
Não quero parar e pensar,
Porque o raciocínio é inimigo da imaginação

Tanto já ouvi falar de gente assim,
Passando também por essa situação
O final nem sempre foi o melhor
Mas eles não foram como somos nós

Porque mesmo assim, com tudo contra nós
Não é algo que eu sinto que me aproxima de ti
Mesmo assim, na sua ausência, sem sua voz
O meu coração esquenta só ao ouvir o seu nome

Não sei onde vamos parar,
Deveria isso ser motivo de preocupação?
Não quero parar e pensar,
Porque o raciocínio é inimigo da imaginação

O amanhã, mesmo que ele chegue daqui cinco minutos,
É indiferente pra quem sabe que não adianta planejar
Porque com os meus sonhos, eu não quero mais brincar
E se eu confio, e quero estar com você, vale a pena tentar
Por mais que a gente saiba, que não há, não há como…

Não sei onde vamos parar,
Deveria isso ser motivo de preocupação?
Não quero parar e pensar,
Porque o raciocínio é inimigo da imaginação

Tanto já ouvi falar de gente assim,
Passando também por essa situação
O final nem sempre foi o melhor
Mas eles não foram como somos nós

Bom, galerë.

Eu não sei o que fumei, mas me deu vontade de publicar aqui, o conto, hm, a história de Lorea e Piotr. Foi uma história que começou num RP, e acabou ficando tão grande, e bacana, que eu passei o começo (com algumas alterações) pra alguns amigos, que receberam a história muito bem.

Resolvi então, abrir a nova categoria, Lorea & Piotr, uma historinha de amor pré-adolescente, que ocorre num colégio internato (onde os alunos dormem na escola, hãm?) no interior da França. Já adiantando, Piotr é um ucraniano, filho de ex-espiões que trabalharam contra a URSS; e Lorea também é do leste europeu, da Bulgária (se não me engano xD).

De qualquer modo, só mais uma explicaçãozinha: Cada post é um personagem (Piotr ou Lorea, hãm?), e o narrador, em terceira pessoa, refere-se exclusivamente ao personagem em questão (o nome do personagem consta no início da postagem XD); o primeiro cap., Toda história tem um começo, começa… AGORA! Haven fun, comentem, e se divirtam.