Tem algumas coisas que eu simplesmente não entendo. Não fazem sentido para mim. E, situações nas quais a gente não entende, não vê sentido, raramente a gente consegue lidar com jeito, certo?

Pois então. Há pessoas que não vêem sentido na fé, outras não vêem sentido em jogos de futebol, eu não vejo sentido em aniversários.

É useless. Sinceramente, na boa. Porque comemorar o aniversário de alguém? E ainda mais: darmos PARABÉNS por isso? O que o cara fez de tão bom?

Quando a pessoa se forma – putz, parabéns, cara. Formar é dureza, faculdade é tensa. Quando a pessoa se casa – whoa, parabéns, fi! Conseguiu enganar ele(a) direitinho fingindo que era gente, né? Quando a pessoa tem um filho – melhor não fazer o comentário aqui, mas sei que vocês pensaram muito bem nele.

Uma coisa que eu reparei há pouco tempo nos apóstolos, principalmente em Paulo, é que todos eles, assim como crianças, sempre se surpreendiam com a força e o poder da mensagem que levavam. Não estou falando assim, dos primeiros anos, mas desde o começo do seu discipulado até nas cartas que Paulo escrevia. Na carta aos Gálatas, por exemplo, Paulo começa falando de tudo o que ele tem feito, dos lugares que viajara, e de repente, ele encerra a primeira parte da carta com “E glorificavam a Deus a respeito de mim” (Gl 1:24).

Cara, isso é um traço de humanidade assim, impressionante. Porque essa surpresa de Paulo não deveria existir no maior pregador de todos os tempos. Eles pregavam e convertiam 5, 6 mil homens, sem contar mulheres e crianças, e mesmo assim, a cada viagem, a cada cidade, Paulo se surpreendia.

O verdadeiro poder divino deixa os homens, maduros, já com certa idade e experiência assustados e impressionados como crianças. Taí um dom de uma criança: a facilidade de serem surpreendidas; por isso se impressionam tanto com palhaços, mágicos, e tudo aquilo que não conseguem compreender.

Este post tinha ficado perdido em uma das pastas de Documentos, e eis que revirando as coisas, o encontrei, um pouco tarde, mas nunca desatualizado.

Alguns fatos, verdades e falas (que não poderiam ser resumidos em tweets, porque seriam mais aleatórios e ficariam sem muito sentido) da viagem pro Rio Grande do Sul.

TIM Liberty e internet 3G salvam vidas do tédio absoluto.

Todas as pessoas que são bizarras pela internet também o são ao vivo. Mesmo em público.

Quando alguém diz que tem TOC por limpeza, acredite.

O Beira-Rio é lindo. Com a popular lotada, é mais ainda.

Tem muita gaúcha bisonha por aí que se acha a gata só por nascer no Rio Grande.

Segurança é uma palavra engraçada. Eu diria mais, é uma palavra traiçoeira, por incrível que pareça. Porque o que nos dá segurança, nem sempre é aquilo que nos deixa seguros – se é que você me entende.

Porque o que nós precisamos para nos sentir seguros, nem sempre é tudo aquilo que precisamos para estar de fato seguros.  Por isso a aparência, a sensação de segurança – e é ela que é traiçoeira.

E o mais interessante, é que daí que vêm os símbolos. Porque os símbolos surgiram para nos lembrar da existência de um certo fato, ou linha de pensamento.

Os símbolos são aquilo que nos lembram aquilo que somos. Assim como o crucifixo lembra do sacrifício de Jesus para os cristãos romanos, e a bandeira brasileira nos traz uma infinidade de lembranças sobre nosso país (por bem ou por mal), nós criamos, todos os dias, nossos símbolos.

Eu sou uma fraude. Bom, pelo menos era, agora não sou mais. Eu fui uma fraude. Mas sou apenas ruim mesmo. Sou o melhor que já vi, um rei praticamente, entre os fracassados. Tão poucas vezes vi alguém fracassar tão maestralmente como eu já fiz, é quase um dom.

Não me lembro de existir um líder de jovens tão ruim nesta denominação aqui como eu. Por pior que eu já tenha visto, com reuniões talvez tediosas, talvez grandes, ou com pouca gente, nunca antes eu vi uma reunião que  nem mesmo parte da liderança estivesse ausente! É aquele tipo de coisa que nem os próprios caras que organizam o negócio põem fé naquilo.

Deu pra ver o nível do fracasso?

Em nome do amor, já vi guerra acontecer
Tudo pra evitar a dor, buscando esquecer
que está assim, é por causa de eu e você

Ontem viu um mendigo na calçada
passou reto sem lhe dar nada
fechou totalmente seu coração
nem tentou vestir a compaixão

Ontem viu um mendigo na calçada
lhe jogou uma moeda e mais nada
fechou totalmente seu coração
foi viver num mundo de ilusão

Hoje perdeu seu carro vindo pra cá
te assaltaram, já era você foi roubado
Mas no olhar de quem te jogou ao chão
quem nunca soube o que é compaixão

É isso que você tem buscado?
Ser igual a ele, sempre machucado
É isso que você tem vivido?
Fugir do mundo, deprimido

Seja diferente, seja gente
não só mais um crente
Saiba pra que você veio
esqueça os seus anseios

O voltar é mais importante que o ir.

Até porque, chegar sempre é bom, por melhor que o tempo fora tenha sido, e por mais variadas que sejam as cobranças e o peso da realidade recaia sobre quem chega de uma forma assim, inexplicável.

Chegar geralmente significa ver aquela lista de tarefas amontoadas, das mais variadas classificações possíveis e imagináveis, coisas que você nem sabia que fazia. Mas chegar dá um certo conforto.

Porque, toda vez que chega-se de volta, o tempo perdido converteu-se em maturidade. Querendo ou não, qualquer ida acrescenta algo. Uma reflexão, uma história, alguns fatos. Talvez várias. Uma noção de mundo e do eu distinta da que carregávamos, fechados aqui no nosso canto.