Leia a introdução deste post.

Então, você se converteu. Recebeu aguinha no cocoruto ou quase se afogou, foi batizado no nome das três entidades supremas, lembrou todo script e conseguiu não escorregar.
Parabéns, você agora é um crente. Agora você pode pôr em prática tudo aquilo que, desde que começou a frequentar uma reunião/culto/comunidade, quis, pode provocar um rebuliço, e vai ser um avivamento maior que a trombeta em volta de Jericó.

E os anos se passaram. Você, de um novo convertido, agora uns quatro ou cinco anos depois, está lá, firme e forte, ao contrário dos que caíram, mas está lá. Vai para a reunião do seu grupo, ajuda na liturgia, faz uns parangolés de vez em quando, um evangelismo aqui, uma ação social ali, e vai seguindo sua vida pacata.

Nós gostamos de utopias. Gostamos de sonhar. É típico do ser humano, esse anseio por algo diferente, por uma mudança de vida, essa esperança de algo acontecer. É esse sonho, essa esperança que nos move, nos faz levantar, dia após dia, manhã após manhã, e que nos segura, em todo momento de estresse pra não jogarmos tudo pra cima e desistir.

Basicamente criamos um mundo imaginário, e nos refugiamos nele todas as vezes que algo nos ameaça. Comunistas sonham com uma sociedade igualitária, em que o povo tomará o poder e não mais haverá desigualdades; anarquistas sonham com um mundo sem opressão; o pai de família tem sonhos mais simples, uma casa para sua família, um carro e talvez, porque não, umas férias na praia; a criança sonha com uma piscina de marshmallow; o adolescente com uma assinatura de Playboy; o namorado sonha com um carro pra poder levar a namorada pra ‘passear’; a solteira sonha com um príncipe encantado que só veja suas qualidades.

Sonhos são bons. Ou pelo menos deveriam ser, enquanto são sonhos. O problema não é sonhar – o problema é fazer dos sonhos, uma utopia. E a utopia é linda, na teoria. Ela nos faz imaginar, e só. Enquanto utopia, é irrealizável.

Se continuar jovem com o passar do tempo é uma virtude, existem algumas pessoas que realmente tem esse dom. E não estou falando apenas do fato de aparentar ser criança, com um rostinho liso, e um sorriso infantil, mas de agir inocentemente, e ter uma aura de doçura em volta da pessoa.

É o típico caso de menina-mulher, que encanta homens mundo afora com seu jeitinho intrigantemente ingênuo. É praticamente unanimidade, o quanto a fofura e delicadeza delas é, no mínimo, atraente.

Só que nem tudo é tão lindo assim, no mundo das meninas-mulheres (não sei se é a forma certa do plural u.u’), até porque maturidade é algo essencial no ser humano.

Por ainda permanecerem como menininhas, elas tendem a ser imaturas, tanto nos seus comportamentos fofos, como nos não tão fofos assim. E, como um bebê que é uma gracinha rindo se torna um enviado dos infernos durante uma birra, assim elas também o são.

Não, não, essas garotas de 16 a 20 anos não se jogam no chão e ficam fazendo choro – pelo menos não normalmente, embora eu já tenha ouvido histórias sobre isso; mas manifestam essas crises em momentos muito mais… delicados.

A questão não é o que havia. É o que não havia, e ainda não há. Não havia brigas, nem motivo para tal; não havia a necessidade de agradá-la, nem de fazê-la feliz, porque ela já o era. Não havia porque de discutir se não havia dissensões.

Desentendimentos eles não tiveram, não se desentenderam porque se conheciam, se conheciam porque se amavam. Se amavam porque queriam, tinham decidido, cada um em seu íntimo, anos atrás. Eram anos que já estavam ficando para a história, história deles, um passado distante, mas tão real, que quando contavam a história parecia ter acontecido semana passada.

Things are not what they used to be
Missing one inside of me
Deathly lost, this can’t be real
Cannot stand this hell I feel
Emptiness is filling me
To the point of agony
Growing darkness taking dawn
I was me, but now he’s gone
[Sonata Arctica – Fade to Black]

 

Se o mundo era um lugar de feridos, e a Igreja era o hospital que deveria curá-los, bom, desde que Abrãao, o pai da fé, saiu de casa e foi dar uma volta pelo deserto, muita coisa mudou – pelo menos nos primeiros anos.

O saber sempre foi dividido na cultura ocidental em dois grandes ramos: o saber cultural e o saber intelectual. Diferenciar cultura de intelectualidade foi um dos pressupostos basilares do modus vivendi ocidental, separando o lazer do trabalho, e deste modo, afastando os estudiosos da ciência, mais notadamente, da ciência humana, dos estudiosos da harmonia. Harmonia não no sentido lírico da palavra, que evoca o estudo da música, mas harmonia social.

Inúmeros sociólogos quebraram no decorrer do séc. XX a barreira entre a intelectualidade e a cultura. Tivemos essa ruptura no Brasil com um pouco de atraso, porém de forma mais visível durante o movimento político-cultural dos anos 60, de base ufanista, que buscou vangloriar as riquezas brasileiras, inclusive a própria cultura.

A partir daí, a cultura e o lazer começaram a ser classificados de acordo com o seu valor intelectual, como, por exemplo, no caso do xadrez, que de passatempo começou a ser visto como um meio de concentração e formulação de estratégias.