Já viu o tanto de contradição que a gente dá de cara hoje em dia? Em tudo quanto é canto da vida. Seja com políticos mais sujos que fralda de três dias de recém-nascido presidindo Comissões de Ética; seja com professores que exercem a função sem um mínimo de didática e reclamam que ninguém aprende; seja com igrejas que não exercem o amor. Elas estão aí à nossa volta.

Essa mesma sociedade é aquela que diz incentivar autores, é aquela que organiza um dia da Poesia. A mesma sociedade que incentiva um dia da poesia, diz que arte é uma perda de tempo. As mesmas pessoas que apreciam museus, falam que não há futuro pra novos artistas; aqueles que se dizem românticos, dizem ser perda de tempo escrever novos poemas.

Aquela mesma pessoa que lê e se emociona com algo que eu escrevi é aquela que diz que perco meu tempo, enquanto escrevo; a mesma pessoa que diz querer saber se expressar é aquela que zomba de quem sente – e mostra que sente. Pessoas que se queixam da rotina, mas insistem em não ver os detalhes que diferenciam um dia de outro, uma vida de outra.

O sentimentalismo virou sinônimo de fraqueza – ou de hipocrisia, em alguns casos. Quanto à mim? Que hipócrita eu seja.

Se pra viver, preciso ser rotulado como hipócrita ou fraco, pouco me importa – pelo menos vivi.

 

Eu olho pra trás e não consigo ver o que passou
A lembrança não passa do que o vento soprou
Todos aqueles dias escritos na minha memória
Esperando pela poeira que ainda não assentou

Fico perdido, desisti de entender
Qual delas poderia ser eu e você?
Levando os olhos tentando ver
Aonde foi que eu fui perder você?

O tempo passa, sem minha história mudar
Eu já perdi a fé no poder dele vir me curar
E olho pro vazio que você costumava ocupar

Não imaginava que você iria embora
Eu pensei que estaria contigo lá fora
Não sei o que espera que eu ainda faça
Com os planos que sobraram pra agora

Se um dia fosse escrever o que passou
Como se uma caneta pudesse expressar
Se um dia fosse quando tudo se acabou
Como se nossa memória não fosse falhar

Eu não esconderia as nossas brigas
-porque foram elas que nos moldaram
Eu não fugiria de todas as intrigas
-nelas as nossas almas se encontraram

Não mentiria que foi miraculoso
Foi na simplicidade que você me fisgou
O amor não tem nada misterioso
Na rotina que seu sorriso me conquistou

Mas de todas as coisas, o que eu queria dizer
Do fundo da minha alma, sem me arrepender
É que um dia te fiz sorrir, que sem você saber
Eu me declarei, e você quem quis se envolver

Organizar um evento como o Khronos dá vazão a um monte de coisas bizarras acontecerem com você. Desde vir apoio lá da bota do Judas, onde você nem imaginava ter gente, a enfrentar algumas perguntas e questionamentos no mínimo intrigantes.

Organizar o Khronos tem sido uma puta alegria, e eu falo isso em nome de todos nós, meu, do Ariovaldo Jr. (que fez o design do site e o hospedou), de toda a galera que tem postado por aqui, e colaborado conosco, tem sido assim, uma coisa incrível.

Pensa comigo – qual foi o melhor momento da sua vida? Aquele que você esteve mais feliz, mais completo?

Raramente esses momentos são complexos, ou cheios de detalhes. Na maior parte deles, não se passa de um punhado de amigos, rindo, conversando, talvez bebendo, tocando violão ou ouvindo música.

Bem provavelmente uma pessoa que te fazia se sentir bem, naquele momento. Um pouco de ar livre, sem opressão das paredes, tanto faz se estava sol ou nublado. A verdadeira alegria estava ali.

Mas porque não somos felizes assim o tempo todo, se sempre estamos acompanhados, com uma certa liberdade de fazermos o que quisermos – mas existe uma coisa que todo mundo tem. Nós nos sentimos deslocados – desde o mais tímido nerd estudioso até o playboy mais popular. Ponha esse cara sozinho, numa multidão completamente desconhecida; automaticamente a atenção dele se voltará para si mesmo, e quanto mais coisas ele tiver, mais seguro ele se sentirá. Celular, MP3, até mesmo um notebook, o tirará daquela realidade opressora, de que ninguém realmente dá a mínima pra ele.

E, quanto mais ele faz isso, mais ele se isola, e mais ele se sente infeliz pela sua situação – ao invés de arriscar, dar o primeiro passo e interagir.

Esse é o segredo das pessoas que fazem amizade rapidamente – dar o primeiro passo, arriscar, ultrapassar limites. Esse é o segredo de ser feliz. Saber que todos à sua volta também são humanos, e só querem uma coisa – ser aceitos.

Porque foi isso que Ele fez.