Se criticar era underground e hoje é moda; o underground hoje é criticar os críticos; não importa se a crítica procede ou não, se ela é boa ou ruim, ou quais os argumentos ou mesmo se há argumentos.

Criticar alguma coisa que eu gosto ou faço parte se tornou igual a me criticar. A faculdade que estudo, o curso que eu faço, as músicas que eu ouço, a denominação religiosa que frequento, eu estou de tal modo envolvido com tudo isso que não consigo receber as críticas.

Nosso amor é uma flor. Uma flor amarela.
Uma flor amarela, não uma vermelha. Não uma vermelha de amor, de paixão, de sentimentos e nervos à flor da pele, aquela loucura que me faz perder a cabeça.
Te reduzir a isso, seria ignorar tudo que passamos juntos; reduzir o que passamos, o que somos e o que queremos ser a desejos e a carne. Somos muito mais do que isso.
Uma flor amarela, que segundo alguma numerologia estranha ou simbolismos ocultos aleatórios resolveu dizer que significa, não uma paixão, mas a pureza de uma amizade. Na amizade, na pureza dessa amizade, não há interesses em jogo, desejos a serem satisfeitos, objetivos a serem alcançados. Estar um com o outro não é o meio de se alcançar algo – é o próprio objetivo.
Eu não quero mais nada, enquanto eu estiver contigo – por mais que um cara de chapéu ache isso um absurdo.

Você já usou um bidê?

Geralmente casa de vó tem um bidê – as vós mais ligadas em tecnologia (as que tem aparelho de DVD e um som que toca CD em casa) tem também uma ducha.

A ducha todo mundo já usou, né, galera.

E então, você já perguntou o que aquele bidê está fazendo ali? Ou se alguém usa ele, ao invés de usar a ducha, que é mais prática, mais higiênica e mais fácil de regular (cá entre nós, aquelas torneiras estão no único lugar inalcançável pra quem está sentando ali)?

Mas se a ducha é mais prática, mais higiênica e muito, MUUUITO mais barata, porquê algumas pessoas ainda insistem em ter um bidê no banheiro?

Por beleza? Tradição (já tava lá mesmo, pra que arrancar)? Dá aquele toque clássico ao toalete?

Não faz sentido ter um bidê mais no banheiro, né, cá entre nós. Se você vai construir uma casa, você não pensa num bidê – a não ser que você tenha muito dinheiro, assim, muito mesmo.

Se você não tem um bidê e acha ele inútil, porque ainda mantém algumas coisas que não fazem mais sentido na sua igreja?

As reuniões tem o mesmo formato desde que a bíblia era manuscrita e em latim – hoje, em tempos de conexão móvel e ininterrupta, porque o celular e os laptops ainda são vistos com maus olhos durante o culto?

Nas igrejas mais modernas temos datashows emocionantes, que usam programas mais diferentes possíveis que ainda são um PowerPoint enrustido, no máximo no máximo mostram um vídeo ou outro que sempre termina com um versículo bíblico com fundo preto.

Sempre a mesma coisa, desde antes que existissem bidês. Ou banheiros dentro de casa.