Dramáticos. O mundo está cheio deles – aquelas pessoas que você dá um peteleco e elas se jogam na parede; aqueles que, quando você fala que viu um acidente, espalham que além de ter acompanhado o cara no hospital, você foi ao funeral.  Aqueles que levaram um baculeja da polícia e contam que foram levados até a delegacia e passaram a noite lá, sob tortura moral; aqueles que, apesar de saberem da sua ignorância, ainda torcem para o Grêmio.

Na verdade, todos nós temos a tendência a dramatizar o que passamos.

O fato é que toda lembrança, por mais que seja forte, é sentida de forma mais fraca do que quando ela ocorreu – a lembrança de um acidente produz efeitos bem menores no cérebro do que sofrer o acidente em si; a lembrança de ter se ferrado por uma garota é beem mais tranquila do que estar se ferrando agora por uma garota.

Mas se as memórias tem a tendência a serem mais fracas, principalmente com o passar do tempo (por isso temos tendência a sofrer recaídas em relacionamentos passados), porquê nós temos tendência a contar as experiências como se elas tivessem sido muito piores (ou melhores) do que realmente foram?

Seja por vontade de aparecer, por carência ou até mesmo por costume, o fato é que na verdade, o cérebro tem a tendência a aumentar o que aconteceu (aumento mas não invento!) para reforçar o acontecido e evitar que uma situação que foi negativa ou até traumática se repita.

E é exatamente por isso que quando a gente sai de um namoro a gente quer tudo – menos namorar.  O importante é reconhecer quando esse drama, ao invés de evitar novos traumas, começa a atrapalhar a nossa vida, com receios que a gente não consegue explicar.

Seria injustiça publicar este post sem dar créditos devidos ao
grande amigo Cleber, que foi o meu tira-teima bíblico. Valeu Clebão!

Estamos acostumados com a dualidade nas nossas vidas: comunista ou capitalista; santo ou profano; moral ou imoral; certo ou errado; justo ou injusto; corinthiano ou ser humano; espiritual ou carnal. E o problema de classificarmos as coisas de acordo com essa dualidade é que consideramos que, invariavelmente, quando não for um será o outro.

Podíamos aprender mais com a linha oriental de pensamento (aonde surgiu o Evangelho): ao invés de pensarmos necessariamente em justiça ou injustiça, preocupar-nos com o equilíbrio. Por mais que nos esforcemos, o perfeitamente justo, ou perfeitamente certo sempre estará longe demais de nossos conceitos. Assim como o santo, o moral, e com certeza, a humanidade para um corinthiano.

Crianças são as pessoas mais simples do mundo – nós sabemos disso. E que quem traz complicações na verdade somos nós, que estamos à volta delas, despejando ideias, medos, preconceitos, experiências sob a nossa ótica, que na verdade, só atrapalham.

Então, quando damos aquela multidão de conselhos (geralmente idiotas, como não ande com fulano, tal música não faz bem a ninguém, isso é coisa daquele tipo de gente), e a criança entra na puberdade, bom, aquela mistureba toda entra na cabeça junto com os hormônios e aí… ninguém entende porque elas fazem o que elas fazem. Semana passada aconteceu uma coisa muito engraçada, num lugar que comecei um projeto de inglês.

Sim, eu sei hoje é sexta – li isso algumas vezes no twitter. Sexta, um fenômeno tão impressionante e tão raro que é invocado desde sua véspera. E sexta, não, não é dia de dorgas. Mas já que estamos numa sexta, porque não falar de (AIMEUDEUSDOCÉUQUELIMDSESSEBLOG) de namoro. Ah, não, essa não é uma discussão sobre se pode beijar ou não no namoro. Nem como ser ungido, ou com quantas orações se quebranta o coração de Deus. Na verdade, esse post vai um pouco mais além.

Se o problema da igreja é que ela se afastou da realidade, e os blogs gospel nada mais se tornaram que uma frustração para quem queria uma igreja mais… (Sincera? Real? Honesta? Aberta?).

O fácil nos consome – quer acabar com a produtividade de uma pessoa? Ofereça uma facilidade. Você não precisa necessariamente facilitar, mas só oferecer e sair de perto, pra ver o que acontece. A possibilidade de existir um jeito de fazer algo mais fácil do que nós sabemos nos mata de agonia, por mais hipotética que seja essa facilidade – e por mais que seja difícil alcançá-la.

A nossa desculpa pra procurar as coisas de um jeito mais fácil é sempre a mesma – tempo, dinheiro, e, bom, fazer as coisas dá muito trabalho.

Protestar está em moda. Seja protestar contra o cancelamento do show de uma banda, seja pela liberação da maconha e outras coisas, seja por um novo governo, ou contra a corrupção nos esportes. Protestar sentado, também está em moda. Assim como reclamar de quem só protesta sentado.

O problema de quem tanto protesta, é que quem protesta não entende quem se omite (na verdade, quem não protesta – porque, para quem faz, quem não faz, se omite, independente do que a outra pessoa pensa, é, ou diz) e o mundo se polariza: há os engajados (nós!) e os alienados (a escória!).

Já ouviu falar do tanto que antigamente, a TV era melhor, né? Antes do surgimento da Globo, geralmente, ou durante a existência da Manchete. Talvez, quem diga isso afirme que TV boa era antes da Tupi, quando ela não existia.

Mas é legal alguns comentários que sempre aparecem por aí – principalmente quando o assunto é a programação infantil (se sair em blog cristão então, rapaz, é uma diversão só). São tantas análises psicológicas dos personagens do desenho, que, quem leva isso a sério começa a acreditar em muita teoria conspiratória, inclusive em Hercóbulus.

Reclamam de todos os aspectos. Que os desenhos atuais são violentos, só falam de vitória, guerra, batalha, ganhar, vencer, poder; que os desenhos de hoje tem personagens malvados, dissimulados, e os heróis que se voltam para o lado negro da força mais vezes que deveriam.

Pesquisa realizada e divulgada nacionalmente, diz que alguns brasileiros perdem duas horas em transporte público. Eu já disse aqui, anteriormente, que essa questão de perder tempo era algo bem relativo – e sobre a tecnologia que só vem pra atrapalhar.

Interessante que a pesquisa fala sobre o tempo que os brasileiros perdem (até duas horas por dia) no transporte público e é divulgada justamente com coisas que poderiam ser feitas ao invés de ficar parado no ônibus, se todos tivéssemos carros. A divulgação da pesquisa não menciona, por acaso, algumas melhorias que podem ser feitas no transporte público (ou algumas medidas que cidades, no Brasil e exterior, tomaram que surtiram um efeito positivo) ou até mesmo qual seria a consequência de, de repente, todo mundo arrumar um carro e resolver ir trabalhar num dia.

Ao invés de começar a espremer seu orçamento, e entrar num financiamento pra comprar um carro (e ter todo um universo de contas e manutenções novo inteirinho pra você) – torne o tempo que você morre de tédio no ônibus em algo útil (embora dormir sempre seja a melhor opção; uma das mais úteis por sinal).

A gente se surpreende quando quer alguma coisa – todo mundo já se pegou de surpresa com algo que fez, quando se tem um objetivo. Chamamos de força de vontade, aquela energia (quase sobrenatural) de fazer algo quando queremos ou precisamos muito. E que força de vontade nós temos quando a crise é financeira. Eu mesmo já fiz muita coisa que não imaginei que faria, quando precisei de verba pra me financiar.

E é cada loucura que a gente faz por dinheiro, pra conseguir dinheiro e ser feliz fazendo tudo o que queríamos fazer – por mais que feliz seja uma palavra traiçoeira.

O desespero pra conseguir dinheiro é tão afobador que existem sites que te dão alguns trocados quando você clica num banner e fica por 30s encarando aquela propaganda – mas quando eu digo alguns trocados, são alguns MESMO. Do último que eu vi, você ganha um DÉCIMO de centavo pra cada TRÊS banners clicados (ficando 30s em cada). É um centavo pra trinta banners, ou seja um centavo por CINCO minutos (de tédio absoluto).

“Happy is a yuppie word”, dizia uma música do Switchfoot.

Para quem não sabe, Yuppies são, ou eram, na década de 80 e 90 os novos profissionais de mercado, na faixa dos 20, 30 anos, cujas características principais eram a vaidade e o materialismo, gastando dinheiro com bens frívolos e desnecessários – e são os atuais pais da geração atual, que está se formando e invadindo o mercado de trabalho. Qual foi a influência dos Yuppies na formação dessa nova galera?

Reclama-se a muito da apatia, do conformismo, individualismo, consumismo, e vários outros valores que muitas vezes nós nos posicionamos contra (seríamos nós minoria, maioria? Quem sabe?), como emergentes, ou contracultura.

A cultura yuppie prega a felicidade instantânea – é a cultura do aqui, agora, enquanto dure. Apoiados num verso solto de Vinícius de Morais “Que seja eterno enquanto dure”, e num lema latim “Carpe diem”, totalmente descontextualizados, não há preocupações com o futuro, com consequências ou com o que quer que seja.

Alguma semelhança com os problemas da juventude de hoje?

Mas quer algo mais curioso ainda? Uma outra tradução da palavra yuppie, por increça que parível, é traiçoeiro. Segundo a letra da música, feliz é uma palavra traiçoeira. Assim como o conceito yuppie de felicidade é traiçoeiro.