Algo que incomoda todo mundo é a afirmação de que Deus está no controle de tudo. No nosso desespero humano de tentar explicar tudo, acabamos por complicar tudo aquilo que há de mais simples.

Na nossa ânsia por provar cientificamente, racionalmente, de maneira argumentativa a nossa crença, criamos confusões mentais que causariam pânico nos mais sábios exegetas – ou estudiosos.

Deus está no controle de tudo. Quer dizer então que somos predestinados? Deus sabe toda a verdade, toda a realidade, tudo que vai acontecer, e tudo que já aconteceu? Pelo sim, pelo não, todas essas perguntas não tem nada a ver com a frase anterior.

Uma vez eu disse algo que assustou a minha primeira namorada. Na imaturidade dos meus 16 anos, eu percebi uma coisa: eu estava pronto para morrer. Imaturidade não pelo pensamento falho. Claro, minha vida não era perfeita e eu não tinha realizado nem um centésimo de todas as coisas que eu sonhara – eu também não era um cara perfeito, ou minimamente digno de Salvação. Mas não era isso que me fez perceber, anos depois, que eu era imaturo. Na verdade, eu realmente já estava pronto para morrer, mas só não sabia porquê eu já estava.

Passamos tanto tempo, dia após dia, tentando conquistar coisas. Seja no sentido material ou no sentido gospel (porque não existem conquistas espirituais, apenas aquelas que aparentam sê-las). O fato é que, aos 16 anos eu compreendi o que realmente era tudo aquilo que eu ouvia falar, acerca da Verdade.

E a Verdade é que você nunca vai estar pronto para ser salvo. E, quanto mais cedo descobrir isso, mais cedo vai cair a sua ficha sobre os critérios divinos para a salvação, e quanto mais você pensar neles, mais vai ter a certeza de que eles não existem.

E, se não existe critério para ser salvo, não existe nenhuma garantia fora a Palavra que Ele uma vez empenhou “Todo aquele que crer em mim será salvo”, não há porque se preocupar com salvação. E aí, você deixa pra se preocupar com o que vai acontecer depois que você morrer, bem… depois que você morrer.

Isto sim é um alívio. Esta é a Verdade. Qualquer outra pretensa verdade que prenda, que culpe, que julgue, que seja algo preocupante, não é a Verdade. Porque a Verdade liberta.

Hoje eu vi o sol nascer de dentro de um ônibus coletivo. Tem se tornado um hábito, ver o sol nascer, pegando ônibus em algumas cidades do Brasil, desde que resolvi prestar esses processos seletivos para Mestrado.

Não sei porque, mas toda vez, dentro de mim há um quê de excitação, de alegria, toda vez que vejo o sol nascer, escalando os prédios, lançando raios tímidos sobre uma cidade que reluta em acordar – mesmo já estando atrasada em pleno horário de verão. Ver as pessoas indo e vindo, imersas em seus fones de ouvido, em seu último cochilo antes do trabalho, aqueles, mais desconfiados, que lançam olhadas furtivas à sua volta, procurando coisas suspeitas, os solteiros desesperados que creem na possibilidade de encontrar o amor da sua vida num ônibus, mesmo que a garota esteja mais interessada em procurar quarenta novas maneiras de se arrumar no banco para se sentir mais confortável.

E Pedro andou sobre as águas. Isto é, andou até olhar pra baixo. Daí, provavelmente saiu a expressão de que pra baixo, todo santo ajuda – até Pedro. Todo mundo já ouviu essa palavra, seja exaltando Pedro por ter a coragem de andar sobre as águas, seja criticando Pedro pela sua falta de fé, que lhe fez afundar.

Mas, mais importante que a coragem de Pedro em por o pé pra fora do barco, mais importante que ele ter duvidado da sua fé (sim, existe uma coisa mais importante que os erros na história), é que Pedro PEDIU a Cristo antes mesmo de acreditar se Ele era Jesus mesmo.

Se você é Jesus, manda-me ir ter contigo sobre as águas.

Ou seja – Pedro, para acreditar que era Jesus mesmo não só tinha que andar sobre as águas, mas tinha que ser ordenado para fazê-lo; algo que a gente não faz. A gente sai metendo os pés na água profeticamente, como se fosse a última moda em Israel, e esquece de se preocupar se é pra gente andar sobre as águas ou só pegar a próxima barca mesmo – ou se é mesmo pra gente sair de onde está.

Ao invés de profeticamente fazer besteira, profeticamente comece a refletir, pensar e orar. Talvez funcione melhor. Profeticamente, claro.

(post escrito por influência de conversas com o @abnermelanias)

Abrem-se as cortinas. Na ausência de cortinas, ligam-se as luzes do palco. Lá, há um adolescente, menino ou menina, de aparência média. Nesse momento, o adolescente está sozinho, geralmente se divertindo sozinho, se for menino com uma bola, se for menina, com boneca ou ursinho de pelúcia. Há uma bíblia ali perto.


Entra em cena um grupo de adolescentes, da mesma idade ou um pouco mais velhos que o nosso personagem principal. Todos de preto, correntes, variando num estilo metaleiro a hip-hop, fazendo confusão, empurrando uns aos outros, até que reparam no nosso personagem principal, ingênuo.

Polarização é moda, é mania. Quem já foi na Argentina sabe (ou descobriu) que o ódio de argentinos por brasileiro, é coisa de televisão. Se você não sabia, como eu, que não fui na argentina, mesmo no futebol, os argentinos se consideram arqui-rivais dos uruguaios, não dos brasileiros.

Triste, né? Meio forever alone, talvez. Mas estamos falando sobre exatamente isso – porque tudo é polarizado? Porque se temos um lado A, necessariamente existirá um lado B? E mais, porque esse lado B será sempre o contrário do lado A? E eu ainda vou mais longe: porque um sempre é excludente do outro?

Brasileiros odeiam argentinos. Estadosunidenses odeiam o resto do mundo. A direita política é insensível. A esquerda política é irracional. Cristianismo vs Ateísmo; Cristianismo vs Islamismo; Ocidente vs Oriente.

Nossa forma de pensamento precisa necessariamente de uma dualidade. Nós precisamos de encontrar um mocinho e um bandido. Olha na economia, por exemplo. Antes eram os EUA vs URSS, depois do colapso soviético, surgiu a União Europeia, como contrapeso; agora, com a recessão, se fala em EUA vs China.

O fato de uma economia depender da outra não é levado em conta – nós precisamos de um inimigo. Desde que nascemos, nossos pais nos ensinam que existem pessoas que nos amam (eles) e pessoas que só querem nos usar (o resto); se você é menino, usa azul; se é mocinha, usa rosa – preto, amarelo, verde, todas as outras paletas de cores não existem. Depois, para sua namorada, existe quem quer fazer você feliz (ela) e as que só vão te fazer mal (todas as outras).

Todos os seus concorrentes no vestibular são seus inimigos. Todos os que falam outras línguas só vieram ao seu país pra te usar. Nossos ditados refletem a dualidade: Não confie nas pessoas; dependa só de si mesmo. Ninguém quer o seu bem. Se você não se respeitar, quem vai te respeitar?

Até que se prove o contrário, todos são inimigos, e mesmo assim, cuidado com seus amigos – aprendemos a detestar o outro porque o outro nos detesta – é um pressuposto furado.

Eu não consigo viver num mundo assim, não consigo enfrentar todos. Ao mesmo tempo. Agora.

Estou naquela fase que não consigo produzir nada. Os textos saem meio mancos, as fotografias saem sem-sal, os versos não fazem sentido. O que faz completo sentido, já que, se guardados na minha cabeça os pensamentos já estão completamente perdidos, porque fora dela, a bagunça faria algum sentido? Só me perco mais e mais, procurando meu sentido.

São idas que não se completam, vindas que cansam, caminhos que não existem e muitas paredes que eu continuo a bater com a cara – talvez seja a luz, talvez seja falta de equilíbrio. Falta iluminação, falta respirar fundo, falta descobrir para onde eu quero ir; falta equilíbrio no que eu tenho feito, no que eu busco – basicamente eu não tenho tido nenhuma medida. Não tenho sido fiel, mas no sentido primeiro da palavra.

Não é que eu traí alguém, ou quero ser corinthiano, mas sem equilíbrio, como eu posso ser um padrão? Fiel é aquele que estabelece um padrão, e como eu posso estabelecer um padrão se eu mesmo não tenho seguido um?

Olho pros meus últimos dias e vejo um emaranhado de caminhos quase-abertos, de verdades quase-reveladas e de momentos quase-vividos. Na busca por um sentido, eu não procurei por nada.  Naturalmente, só achei o que não precisava.

Eu só sei que se eu continuar procurando dentro de mim, a resposta não será satisfatória.

O ensino superior deve ser um dos assuntos mais controvertidos. Na verdade, não o ensino em si, mas o que deve ser ensinado, como deve ser ensinado, para quem e a partir de quem deve ser dado.

Quantas vezes já não xinguei muito no twitter atitudes vazias e ideológicas dos D.A.s de cursos, assim como dos DCE, afogados numa discussão política que nada tem a ver com o ensino ou com métodos de desenvolver o país. As discussões sobre o ensino acontecem sempre à margem das instituições criadas com o propósito quase único de melhorá-la!