Não é de hoje que se entra numa discussão acerca dos direitos autorais em obras cristãs – alguns meses atrás, a postagem de textos de um blog cristão em outro sem a menção de autoria trouxe à tona discussões acerca de quais os limites do evangelismo e da autoria.

Se for cruzar os limites, pegue um ônibus intermunicipal, como este.

Há que se considerar que estamos falando de três esferas distintas (porém não opostas): a propriedade; a internet e o evangelismo. Primeiro, vou trabalhar a ótica do direito.

Um dia eu fui na igreja. Tempos depois, fui no boteco.

No boteco, me cumprimentaram, alguns mais efusivos até me abraçaram, me deixando meio sem-graça. Na igreja, um cara na porta me gritou um PAZDOSENHOR com um olhar pra minha roupa que me fez dar uns dois passos pra trás, com medo daquilo ser um tipo de repreensão.

Na igreja, logo começaram a falar sobre o meu jeito de vestir, as correntes que eu usava e o comprimento do meu cabelo; anos depois, no boteco, aceitaram-me como sou – minha barba desleixada, minha calça meio-suja e minha camiseta com cara de velha.

No boteco, não criaram nenhum caso por eu não beber álcool, me deixando à vontade pra consumir o que eu quisesse, embora sempre me oferecessem alguma coisa; na igreja fizeram cara feia pra quantidade de refrigerante que eu bebia.

Na igreja, não aceitavam a minha namorada que acreditava em Deus sem ir muito em cultos ou missas; no boteco, aceitaram e curtiram minha namorada formada em teologia.

No boteco, se interessaram e perguntaram sobre minhas crenças, meu relacionamento com Deus, e no que isso refletia na minha vida; na igreja, me passaram uma meia dúzia de papéis que eu deveria fazer, com uma máscara específica para cada um: como agir lá dentro, como agir com os incrédulos, como agir durante o evangelismo, e assim por diante.

Pedir um conselho fica mais difícil a cada dia. Parece que ninguém quer dar, todo mundo foge de uma certa responsabilidade na vida de outra pessoa – ou sai batendo os dentes tagarelando pra todo mundo aquele segredo que bem, se fosse pra publicar, você teria twittado, e não conversado.

O problema é que, num meio cristão, o suportai-vos uns aos outros, significa também, aconselhar, estar junto, como pressupõe a própria comunhão. Como sair dessa?

O fato é que todo mundo que pede um conselho já sabe o que quer – mas não sabe que sabe ou não quer fazê-lo. Quando uma pessoa pede conselho ou ela está confusa ou ela quer uma desculpa para fazer algo que ela sabe que não é certo, mas não quer reconhecer. O problema de apoiar esse tipo de decisão é que opiniões mudam – e você pode acabar como o malvado da história

Eis então um manual super-prático dos principais pedidos de conselho mal-intencionados e como fugir deles (para sua própria segurança!).

Acostume-se, eu não vou sair despejando tudo que fiz ou que faço pra vocês, em aberto. Quando me perguntam, respondo, ou digo quando acho necessário (posso errar, com certeza). Não que eu ache que não deva nada a ninguém, mas porque me conheço, e sei que minha fraqueza está em querer me vangloriar naquilo que faço ou deixo de fazer.

Gosto de ouvir histórias de amigos, de saber de quem se mexe, mas muitas vezes, só como ouvinte, me tomam como inerte – um bagunceiro de internet que só escreve textos e fala mal das coisas, sem propor nada novo.

Já foi dito isso sobre mim por trás, pela frente e, se brincar, pelos lados. Não guardo mágoas, não guardo ressentimentos – maldito o homem que confia no homem, e com certeza, coitado daquele que espera algo de bom dos outros.

Há alguns dias, eu vi uma placa (mais para um aviso) em um banheiro masculino da UFU que me deixou meio… intrigado. O aviso dizia, não nessas palavras, que a tampa do vaso deveria ser abaixada apenas para quem fosse utilizar o vaso sentado, e que ela deveria ficar em pé o tempo todo – nada mais compreensível para um banheiro masculino.

E eu comecei a pensar nisso, quão idiota e fácil é fazer essa ligação (banheiro masculino = tampa levantada), e que nós não fazemos normalmente. E não fazemos porque somos condicionados sempre a abaixar a tampa do vaso depois de usar. É algo mecânico, como respirar (bom, pelo menos deveria ser).

E assim nós fazemos em todos os momentos, pequenas atitudes inúteis e mecânicas, que só nos fazem perder tempo, e deixar de ver a realidade: não nos importamos com o que estamos fazendo em pelo menos metade do tempo.

O que me leva a pensar quantas vezes, como empreendedor eu não cometi esses pequenos deslizes, que somados, colaboraram pro fracasso de meus projetos? Quantas vezes como amigo, não cometi tantos enganos com pessoas que as afastei de mim? Ou ainda quantas vezes eu mesmo me frustrei por ter falhado e não sabia onde tinha errado?

Será que o que me impede – e te impede de melhorar não é o seu ‘piloto automático’?