Se tinha alguma coisa que atraía turistas, com certeza ela aquela água. Milhares de pessoas, todos os meses, durante o ano inteiro, apareciam para ver o milagre daquelas águas caindo. Pode parecer bobo, mas as cataratas daquele lugar eram impressionantes – a água corria bem debaixo da passarela a centenas de quilômetros por hora, o que fazia qualquer cidadão ficar parado admirando por várias horas aquele trabalho monumental da gravidade, sem se importar com o tanto que ele se molhava no processo.

Mais que 20 segundos ali já era suficiente para sair com as vestes encharcadas. Mas com toda ironia que é característica dessa raça formada por turistas, a água que sobe não é a mesma água que desce. Se divertir com a água torrencial da cachoeira, que bate na superfície e volta ricocheteando parece uma boa ideia, mas de repente, a água caindo do céu não é mais tão divertida assim.

Na correria que brotou, a cachoeira continuou na sua, porque ainda havia alguém por quem ela poderia correr. Parado, suado, cansado, ele ainda estava ali, com água (não se sabe se da chuva ou da cachoeira) escorrendo pela barba, ele continuava ali, admirado, regozijando-se com a água que caía, que ele mal podia ver, com o embaçamento dos seus óculos.

Por alguns momentos ficou ali, em transe, no meio daquele turbilhão de água, daquele barulho enorme até que – olhou em volta e viu que estava sozinho.

Pisou no chão ainda meio seco, com seus tênis velhos encharcados, diante da cara de reprovação de todos, que fingiam estarem secos (em comparação, realmente estavam) e foi abrindo caminho até as escadas

-Permisso – pedia, antes de passar pelas pessoas, e foi abrindo caminho – sabes donde son las escaleras? – perguntou para uma garota na fila dos elevadores

-Lá… Pero… pueden subir por allá?

-Porqué no?

Naquele segundo, o mundo parou. O olhar dela, ao mesmo tempo querendo que ele a convidasse, ao mesmo tempo em dúvida se deveria estar pensando nessas coisas, afinal, nunca tinha-o visto, ela estava num país desconhecido, não poderia largar suas amigas, e putz… que chuva. Mas todas essas dúvidas caíam junto com a chuva quando via o brilho no olhar dele, com aquele sorriso de quem está prestes a fazer uma besteira. Era um encantamento, que desaparecia assim que ela parava de olhar para ele, e por isso se sentia cada vez mais atraída a olhá-lo, a desvendá-lo, a compreender o que passava naquela cabeça.

Mas, quando foi avisar suas amigas que iria de escada, ele subiu, e se foi. Sozinho.

Se você não fizer o seu melhor, Deus não vai te dar os milagres. Se você não fizer seu melhor, você não vai crescer, os frutos de Deus sobre sua vida nunca vão chegar. Se você não agir, Deus não te recompensará. Fazer algo pra Deus, não é fazer de qualquer jeito.

Esse chavão eclesiástico é mais um decorrentes da série “Já que Deus fez x por você, você deve fazer y por Ele”. Pastores dependentes de dízimos que me perdoem, mas essa retorcida bíblica faz a gente até aceitar a desculpa de ‘foi-sem-querer’, quando o autor do trízimo tiver cara-a-cara com Deus.

A Salvação é grátis. O que é isto? Você não precisa dar 10%, nem mesmo 2% do que ganha. Você não precisa ir na igreja aos sábados, domingos e reuniões de oração – pombas, você não precisa nem mesmo orar, quem dirá jejuar.

Estava dormindo, quando acordei assustado
Não queria acreditar no que tinha sonhado
É que não sei se foi como uma premonição
foi como ver meus medos numa revelação

Eu vi igrejas fechadas, celebrando a glória
vi pessoas andando perdidas, mundo afora
Gritos de ódio saindo dos slogans de amor
hipocrisia se revelando com todo esplendor

Estive num grupo de oração
sem uma palavra de perdão
Passei até por manifestação
toda de caras de reprovação

Em todas aquelas casas com o sinal da cruz
Jesus encarou pecado onde devia haver luz
Aqueles quarenta dias sem ter nenhum pão
eram desperdiçadas em mesas de perdição

Participei de louvor ungido
passei a mão no óleo vivo
Fui em cultos de consagração
neles não ouvi dizerem não

Prédios construídos todos cheios do poder
poder daquele que dizem que ninguém vê
Os cegos guiados por quem diz o conhecer
ignorantes de tudo aquilo que é o real saber

Estive na mesa de uma nova inquisição
o diabo e as testemunhas de acusação
trocando suas farpas com aquele varão
O mesmo que não quis abrir a sua mão

Ternos, trajes, todos na última moda
o reflexo de uma vida que se enrola
As marcas do peixe gospel brilhante
grudada na lataria do carro possante

Pobres sobrevivendo sem amor
abandonados junto com sua dor
A prostituta correu com temor
Da revolta dos justos do Senhor

Tudo isso foi nos meus sonhos que eu vi
Mas não sei acordar, não sei como lutar
Me parece que, na verdade, eu não dormi
Mas, no fundo, a verdade foi que eu nasci

 

Acostumei a me deitar nessa cama vazia
Você distante além do que a gente queria
Os dias passam e a coberta continua fria
Perco o sono, como há muito não perdia

Tudo se passou, de nós ficou só o adeus
Tudo já mudou, e as promessas ficaram
Você saiu de casa, deixou a janela aberta
E sem você aqui, eu não consigo fechar

Toda noite o vento entra, me arrepia
Sem você, minha cama continua fria
Penso em levantar, ir me esquentar
Mas eu sei que a janela não se fechará

Tudo se passou, de nós ficou só o adeus
Tudo já mudou, e as promessas ficaram
Você saiu de casa, deixou a janela aberta
E sem você aqui, eu não consigo fechar

Conto as horas enquanto o sono não vem
Lembrando como era bom ter você aqui
Não me importava se a janela ia se abrir
Nos acostumamos a fingir que tá tudo bem

Tudo se passou, de nós ficou só o adeus
Tudo já mudou, e as promessas ficaram
Você saiu de casa, deixou a janela aberta
E sem você aqui, eu não consigo fechar

Toda noite o vento entra, me arrepia
Sem você, minha cama continua fria
Penso em levantar, ir me esquentar
Mas eu sei que a janela não se fechará

Parei de andar,
não reconheci meu lugar
Parei de relutar,
juro eu tentei recomeçar
Parei pra chorar,
Não havia pronde sonhar

Tudo parece tão distante,
não sei onde nos perdemos
Tudo parece tão obscuro,
o que foi que nós fizemos?
Tudo parece tão errado,
Será que nos esquecemos?

Olhar pra trás é buscar se machucar
abrir feridas que não vão cicatrizar
Sentir falta ainda sem saber te olhar
Como se não bastasse mais te amar

Tudo parece tão distante,
não sei onde nos perdemos
Tudo parece tão obscuro,
o que foi que nós fizemos?
Tudo parece tão errado,
Será que nos esquecemos?

Pode ser fácil dizer que tudo mudou
que aquilo que a gente tinha passou
Mas seus olhos me dizem não saber
qual o dia que eu me perdi de você

Me vi numa vida meio inconstante
sem saber como era mesmo antes
Aqueles dias viraram mais um mês
Nós ainda caminhávamos errantes

Deixar pra trás não é complicado
quando não há nada a perder
O problema que eu, todo errado
grudei a minha alma à você
E guardo silêncio, eu fico calado
vendo tudo isso se desfazer

Me vi numa vida meio inconstante
sem saber como era mesmo antes
Aqueles dias viraram mais um mês
Nós ainda caminhávamos errantes

Sem calor, sem sabor, perdeu a cor
O passado ficou só na memória
Fica o medo, o segredo desde cedo
Receio de errar a partir de agora

Deixar pra trás não é complicado
quando não há nada a perder
O problema que eu, todo errado
grudei a minha alma à você
E guardo silêncio, eu fico calado
vendo tudo isso se desfazer