Então, a verdade é que eu te amo. Eu tenho passado os últimos dias martelando isso, tentando descobrir se era só paixãozinha, ou se eu realmente gostava de você, e depois de tudo isso que passamos, a verdade é que eu te amo. Independente do seu jeito, o que eu gosto mesmo é do jeito que você fica brava comigo, do seu GRR de ódio quando eu falo aquilo que você não queria ouvir e do jeito que você simplesmente despedaça as minhas verdades numa fração de segundo, como se não fossem nada importantes. Eu desisto de tentar fugir de você, ou de arrumar motivos pra não te beijar. Desisto de ficar me dando desculpas, fingindo que você não gosta de mim, ou que eu sou idiota demais pra você. Eu te amo, e te amo demais pra ficar com você. Eu quero namorar contigo, quero estar com você, e te abraçar quando eu mais te detestar. Porque sei que você sabe trazer o melhor de mim.

[Timeline da Fulana]

Atualização do Facebook

É verdade tudo isso?

…é só um texto que eu escrevi, deixa pra lá.

Já viu que todo mundo odeia seu trabalho? A coisa anda tão feia que a frase do Seu Madruga virou mantra “o ruim é ter que trabalhar”. Há tanta explicação para isso como ódio em relação ao trabalho. Algumas vão desde o histórico da palavra (que tem algo a ver com dor ou escravidão, não me lembro bem) até à psicológica necessidade de se receber salário como recompensa pelo que se faz.

O problema é que nunca se odiou tanto o trabalho (ou pelo menos se reconheceu isso), e nunca houve tanto stress e lutas para se combater o stress. É academia, jogos, videogames, baladas, exercícios terapêuticos, yoga, reiki, remédios, calmantes, relaxantes, mil e um cultos dos mais variados, feriados, chácaras, fazenda, ficar offline –ah. Quantas coisas pra se fugir do estresse de… trabalhar.

No Estadão saiu, há pouco tempo uma pesquisa dizendo que a rotatividade de emprego (pessoas que se demitem ou são demitidas) aumentou desde 2001, 53% – e 5% das empresas do país concentram 60% desse fluxo de funcionários. O que isso quer dizer?

Ninguém trabalha onde gosta. Trabalhamos em empresas que odiamos, fazendo coisas que detestamos e numa rotina que nos mata. Pelo quê? 10% a mais de salário e um vale-qualquer-coisa.

Não há mais perspectiva de crescimento nas empresas – pode ver o currículo da maioria dos lojistas/atendentes de telemarketing/frentes de caixa de supermercado. Todos acumularam várias experiências, mas poucos cresceram numa mesma empresa e ficaram íntimos da estrutura dela.

O que isso traz? Para a empresa, instabilidade. Não se pode contar com um funcionário, e não vale a pena investir treinamento numa pessoa que a qualquer momento estará cumprindo aviso. Não há mais a figura do funcionário que é pau pra toda obra, ou a pessoa que começou na empresa lá embaixo e está há 20 anos, chegando às mesas de diretoria. Poucas pessoas sabem como a empresa funciona de verdade, conhecem os clientes de verdade e sabem como tratar as pessoas que tem preferência e que estão lá há mais tempo.

Para o funcionário, traz a mecanicidade. Se a empresa não investe nele, o trabalho fica tedioso, e bater o cartão passa a ser cada vez mais trabalhoso – e ao invés de trabalhar, começa uma contagem regressiva para o final de cada expediente (faltando 15 minutos para ir embora, tá com tudo guardado e empacotado e não se atende mais ninguém). Como em três meses não há mais novidade no serviço, já começa a busca por algo mais desafiador, algo novo, que acorde para a vida. Ou que dê cinco reais a mais pra balada de sábado, que já tá bom, é quase uma dose de tequila.

Enquanto isso, a vida vai passando, oito horas a menos por dia.

Para que liberdade? Liberdade de quê? Eu tenho minhas próprias prisões – umas criadas por mim, outras pela civilidade, e ainda mais algumas impostas. Anseio fugir delas, tento me livrar daquilo que me prende – me frustro, brigo com inocentes, bato com a cabeça nas paredes, grito sozinho e ainda faço mais uma pá de inutilidades, como comprar o que não preciso, viajar pra respirar ar puro, me refugiar entre um par de fones de ouvido e deixar a minha mente ir embora enquanto eu me sinto mais impotente que uma formiga que vê seu caminho barrado por mãos humanas.

Vivo, dia após dia querendo ser cada vez mais livre, mais independente, me submeto a novas prisões pra afastar as antigas, cumpro penas ainda maiores pra me livrar de uma liberdade condicional, arrumo um emprego pra ter o meu imóvel próprio, carro próprio, muros próprios e uma vida própria que vou fugir todos os finais-de-semana. Porque se morar sozinho fosse libertador, não havia uma necessidade tão grande de juntar os amigos durante as noites mais improváveis, nem tantos bares abertos durante a semana.

E então, buscando fugir da opressão dos meus pais, da minha família eu fujo e crio um ambiente só meu, onde eu vou poder fazer o que quiser – e quando vejo, eu me oprimo muito mais do que era oprimido anteriormente. Se eu quero me juntar com os amigos, volto mais cedo do que quando me obrigavam a voltar pra casa num horário fixo; se eu quero fazer uma janta pra alguém, eu acabo sendo mais chato com a limpeza do que eram comigo – e acabo me policiando muito mais, em nome dessa liberdade, do que eu era punido antigamente.

Eu fujo cada vez mais de relacionamentos para não prestar contas a ninguém, e quando vejo, me escondo muito mais de muito mais gente – então passo a buscar relacionamentos que me deem mais liberdade, e vejo que me prendo à minha insegurança, em nome de uma liberdade que eu exigi. Porque não adianta estar só ficando se eu ainda vou dormir meio nhé porque ela está na balada – e todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite.

Eu entro num emprego que exige pouco de mim, para que eu não seja obrigado a trabalhar muitas horas por dia, e fugir da prisão que é um trabalho que me toma mais de 10 horas por dia, mas as 8 horas que passo dentro desse horário se tornam um tédio tão grandioso que eu chego em casa esgotado e a única coisa que eu consigo pensar é na minha cama (e nos lençóis que eu precisava lavar, mas ainda não consegui). No cúmulo da mediocridade, o meu serviço me cansa pela sua chatice, não pelo seu volume, e demoro três horas pra fazer algo que poderia ser feito em 15 minutos, e quando sou criticado por isso, meneio a cabeça – eu não mereço esse trabalho chato, esse salário de miséria que mal dá pra pagar as contas nem mesmo essa dor de cabeça que me acompanha desde… quando?

Saí da igreja dos meus pais, pra fugir das regras que me impuseram, de um relacionamento comandado por pessoas que não sabem nem meu sobrenome completo, de uma vida regrada que é mais fácil esconder meus erros do que tentar acertar e caí num círculo vicioso que eu não consigo mais definir o que é minha expressão de liberdade, o que é minha necessidade de mostrar que não estou preso numa religião opressora e o que é esse vazio aqui dentro de mim que eu não deveria ter, gente?

Eu descobri que não importa do que você quer se libertar, nem para que você quer ser livre, mas como você se libertará. Porque é o processo que vai te deixar livre de verdade.

Todo mundo odeia a proibição de sacolas plásticas, e ninguém sabe o que fazer sem elas. Em Belo Horizonte e em São Paulo, elas já foram proibidas, e outras cidades se encaminham nesse sentido. Qual é o problema? Bom, as sacolas não desaparecem sozinhas (na verdade desaparecem, mas levam algumas centenas de anos), e alguma coisa tem que ser feito delas.

O problema é que não há o que ser feito – e tudo que não tem destino vai pra algum lugar, nesse caso a Grande Sopa de Lixo do Pacífico – que é tão agradável quanto o nome. Quais são os efeitos da Grande Sopa de Lixo? O que ela pode causar no seu intestino? E porque você, no meio do continente sulamericano se preocuparia com um bagulho que tá lá pros cantos da Rússia?

Eu queria mesmo um evangelismo tranquilo. Mas não um que saiu de um encarte de CD – com frases de efeito, glórias e conquistas, e pessoas sorrindo eternamente. Não quero um evangelismo que prometa que tudo vai dar certo (até porque geralmente tudo vai dar errado – e saber lidar com coisas dando errado é necessário), ou que precise de camisetas/coletes especiais, que se parecem cada vez mais com gincanas escolares.

Não quero marcar uma data e um horário, passar uma maquiagem colorida e entrar num personagem fictício para contagiar as pessoas com a alegria que é viver o evangelho duas vezes por mês. Posso estar ranzinza, pode ser a reclamação de mais um cara que fica sentado na cadeira falando mal de quem está fazendo algo – mas a verdade é que o dia que eu encher o peito e dizer o que eu fiz um dia, esse dia é o dia que minha carreira não terá valido nada – Deus me livre de eu achar que fiz algo útil ou bom.

"Jesus morreu por você, pense nisso"

Afinal, hora nenhuma eu disse que isso tudo não tem frutos. Vestir de palhaço dá certo, fazer gincana no grupo de jovens pra ver quem traz mais gente pra igreja no culto do amigo, marcar um horário no sábado à tarde pra quem tiver cansado de não fazer nada se encontrar na praça, conversar três horas sobre a vida e entregar panfletos correndo durante cinco minutos para os carros que passam (pedestre não, vai que eles param pra conversar) não tenham convertido ninguém.

Eu só não quero fazer isso. Quero fazer algo que me dê tesão, que me deixe animado de pensar que putz – eu preciso fazer isso de novo. Assim como o descrentes, nosso pequeno grupo se tornou, como sair com os amigos e construir relacionamentos, ouvir histórias, se tornou.

E sei que eu não estou sonhando alto. Na verdade, meus pés estão mais no chão do que de muito líder evangelístico por aí.

Todo mundo tem um dia que acorda meio nhé. Sem criatividade, com cabeça meio ruim, não sabe escrever textos, fazer contas ou mesmo segurar um copo de café[bb] sem derrubar metade dele na camisa[bb] branca.

Mas algumas pessoas parecem não ter isso – o que elas fazem pra sobreviver no meio desse pane cerebral? Onde vivem? De que se alimentam? Tudo isso eu não sei, mas seguem algumas dicas pra melhorar (ou menospiorar) seu dia de bloqueio:

1º) Fique calado

Se você ficar calado, não vai atrair atenção. Se você atrair atenção, vai fazer alguma besteira. Gaguejar, falar do produto errado com a pessoa errada, oferecer água e servir café (aquele que vai cair na sua camisa branca), ou acabar se declarando pra menina do atendimento três semanas antes do programado (e sem aquelas flores russas que brilham no escuro compradas no Deal Extreme). Se você sabe que está uma merda, não corra riscos. Fique eternamente calado, e demonstre estar trabalhando.

2º) Recuse favores

Não é questão de grosseria (não hoje) mas se você não consegue nem somar 15 com 23 sem pedir ajuda aos estagiários da baia ao lado, você não está nas condições de ajudar ninguém – afinal, tente ajudar, faça merda e leve a culpa por tudo depois, essa é a regra de hoje.

Na verdade, é mais prático você recusar ajuda que alguém está te oferecendo. A possibilidade da pessoa descobrir que você está um lixo (e pensar que aquilo é você todos os dias) e querer te ferrar até para a tia do cafézinho, contando sobre ‘como eu ofereci ajuda praquele espantalho e tive que fazer tudo sozinho’,  e bom – a partir daí já era. Contente-se com receber o cafezinho frio e ralo (mas só quando você for buscar na cozinha).

3º) Diga ‘estou com dor de cabeça’

Apesar de não necessariamente você estar com dor de cabeça, essa frase é mágica. Dizer que está com um bloqueio é frescura, ter dor de cabeça é algo assustador. As pessoas se afastarão de você mais rápido do que se você revelasse ter sido mordido por um zumbi enquanto voltava do banheiro. É como repelente.

E não se preocupe. A dor de cabeça vai aparecer, é questão de tempo.

4º) Se a dor de cabeça não funcionar, diga virose.

Com o bônus de poder ser dispensado mais cedo – e no outro dia, ter o escritório mais vazio, pois três ou quatro pessoas pegarão essa virose, por menos realista que ela seja (seus efeitos sejam sonolência, mãos amareladas e queda de pelos pubianos).

5º) Não termine tudo que fizer

Afinal, se você não está com criatividade, sempre vai faltar o

Tem algum tempo que eu precisava escrever esse texto aqui – e acho que demorei demais. Até que, por uma lembrança da minha ex-cunhada, palmeirense, resolvi resolver essa questão de uma vez por todas.

Para quem não sabe, eu tenho um passado negro – alvinegro. Nascido em São Paulo, plenos anos 90, pós-conquista do Brasileirão, meu coração foi dividido entre Bragança Paulista e o time do povo. E cresci assim, alvinegro, até que um dia eu cansei do futebol – não, não foi um dia qualquer, foi logo no final da década de 90 – mais especificamente na pancadaria que rolou na final do Paulistão, em 1999. Não foi um descontentamento com Edilson, nem com os palmeirenses, pra mim está todo mundo errado, e continua até hoje.

E foi isso que me afastou definitivamente dos grandes clubes, aos 9 anos de idade. Estava cansado de não poder ir aos estádios ver jogo, estava cansado do medo generalizado, das crises de torcida que viravam brigas até dentro de sala de aula – e me resignei. Logo depois disso, ainda aconteceu a cagada do Clube dos 13 em cima do São Caetano, com a Copa João Havelange.

Continuei acompanhando futebol até 2004, quando mais uma vez, veio outra crise no Corinthians, a MSI. Foi logo depois disso que me declarei bragantinense de coração, e até comprei uma camisa oficial (coisa que nunca tinha tido).

Porquê? As conversas no Orkut, a amizade entre as torcidas da série B e C do Campeonato Brasileiro, o companheirismo (várias vezes vi gente de Barueri – Grêmio Barueri, rival do Braga – hospedando bragantinenses em casa durante os jogos, churrascos em comum) e pombas. Muito mais legal do que a matança que (ainda está) rolando na primeira divisão.

Foi quando eu fui apresentado ao futebol gaúcho. Por insistência de amigos, comecei a acompanhar o Internacional, a acompanhar os jogos, a ir no estádio, a participar de provocações, de discussões – e meu Deus, que coisa saudável.

Converse com um colorado sobre um gremista, ou vice-versa. Aliás, junte os dois numa conversa. É muito diferente do que você, minha ex-cunhada está acostumado no sudeste. Eu não preciso afirmar minha fé no meu time falando mal do Grêmio, não preciso ficar feliz porque um jogador do Grêmio quebrou a perna ou algo do tipo.

Inclusive, história recente: jogadores e torcedores do Internacional foram visitar Sorondo (ex-Internacional, que estava jogando pelo Grêmio no começo deste ano) no hospital, quando ele teve problemas no tornozelo. Em São Paulo, no mínimo, iam falar bem-feito e zoá-lo nas redes sociais.

Eu não preciso estourar fogos de artifício na porta do hotel do Grêmio, como virou moda no Rio, já que eu sei que meu time é capaz de vencê-los; e se perdermos, eu sei reconhecer que eles jogaram melhor (como foi na semifinal da Taça Piratini deste ano), e não porque o juiz fez isso ou o jogador tal fez aquilo.

Na verdade, nós, colorados, nos preocupamos até um tanto com o Grêmio – porque sabemos da importância do Grêmio para o futebol gaúcho – o Grêmio afundar numa crise (como a que rolou ano passado, e parece estar sendo superada esse ano) só traria prejuízos a nós. Precisamos de um adversário forte, que nos faça melhorar, que nos faça lutar para provar que essa terra, sim, essa terra tem dono.

Eu não odeio o Grêmio. Eu não debato sobre os trinta e seis campeonatos gaúchos ou as libertadores deles. Eu falo sobre os quarenta campeonatos gaúchos do Internacional e as nossas libertadores. Eu não quero que o Kleber Gladiador (por mais que ele seja um idiota) se ferre ou pare de jogar. Eu quero que o D’Alessandro se recupere, e que o Oscar saia desse imbróglio.

Para mim, palmeirenses, santistas, corinthianos, são-paulinos, flamenguistas são todos farinha do mesmo saco e igualmente desprezíveis pelos seus jogos de valores idiotas e brigas inúteis. Porque, por mais que você não brigue fisicamente no estádio, é igualmente intolerante nas redes sociais e nas amizades que têm.

É uma coisa muito mais positiva, apaixonante e divertida do que o futebol Rio-SãoPaulo. Que me perdoem os envolvidos.

Você aí, rapaz que sempre se achou uma pessoa superior por ter carro na hora de sair com as meninas e dar umas pedradas – eis que te dou, a partir de agora 5 motivos: porque é melhor sair com uma mulher de moto[bb] do que de carro[bb].

1º)  Você não vai pegar trânsito.

Cinco minutos de moto. Ou quarenta, de carro.

A não ser que você queira se atrasar. Numa moto você só vai chegar tarde se não quiser muito se molhar (o que vai ser definido em outro tópico). Por mais que 18 horas seja a hora do ruch e tenha 40km de congestionamento, 15 carros num engavetamento e 3 ruas fechadas pelo DMAE, você de moto, passa por entre os carros, passa em qualquer meio metro de pista e sobe na calçada com a facilidade de uma mosca fugindo de palmas da criança.

2º) Se você não estiver tão animado assim, qualquer chuvinha é desculpa.

"Cara, eu tô sentindo que vai chover..."

Como eu disse no tópico anterior, não é qualquer chuvinha que desmonta um motoqueiro – a não ser que ele não queira muito sair. Não sabe que desculpa dar pra guria? Fala que o tempo tá fechando, e você não quer sair pra deixar ela  molhando, na chuva e tal. Fica pra próxima, bebê. Foi mal aí.

E poxa, não foi um corte, não foi um fora – você só tá cansado naquele dia, e afinal, tá chovendo. Ou quase.

3º) Você evita silêncios constrangedores na ida. Ou, mais importante, na volta.

"Quê? Sua vó pede rúcula?"

Quer coisa mais chata quando você sai com alguém e não tem muito assunto ainda – afinal pombas, vocês nem se conhecem direito, e você fica naquele silêncio sem-graça quando tá levando ela pra algum lugar. Num carro não tem muita opção: ou você conversa ou arrisca por uma música (e corre o risco maior de ela gostar de sertanejo universitáriotchereretchêtchê).

No terceiro motivo você já está pensando seriamente em arrumar uma BIZ, na moral. Mas não para por aí.

4º) Moto é o melhor quebra-gelo de qualquer situação.

"Relaxa, que dá"

Perguntou se o pai dela estava em casa e ele estava (num vaso em cima do hack da TV)? Perguntou o que o irmão dela tinha fumado e era maconha? Descobriu que ela é tailandesa? Pisou no gato dela? Rapaz, na moto você pode mudar tudo isso, e sair dessa situação que você se enfiou.

Quinze minutos de emoção, alguns finos passados por outras motos, carros, fiorinos, ônibus ou caminhões (dependendo da intensidade do gelo que você tenha que quebrar – e da sua determinação), e rapaz – qualquer coisa cai por terra quando vocês (claro, desde que não seja culpado pela situação, né, infeliz) passam por uma situação de quase morte, aí você emenda qualquer assunto que a conversa flui numa beleza que só ela.

5º) Se você for muito carente, a moto pode te ajudar nisso.

Tátudubeiagora.

Afinal, a moto só dá três opções: ou a guria segura na moto, ou em você – ou ela fica pra trás (fica mesmo). Se você quer um abraço, está carente, ou alguma coisa do tipo, qualquer movimento que pareça um pouco brusco (por mais que não seja) é tudo que a menina precisa pra se agarrar desesperadamente a você, como se a vida dela dependesse disso (na verdade, a intenção dela é não cair sozinha, mas isso não vem ao caso).

Eu te falei o que meus olhos não podem negar
já abracei o abismo sem saber se você ia pular
Enquanto caio, eu fecho os olhos, suando frio
esperando que você me acompanhe nesse voo

Suave, o vento bate no meu rosto, tirando o medo
se eu perdi tempo, essa conta não faz mais sentido
pra quê, se faz um tempo que fugi do meu abrigo
voando com você não existe dia que seja perdido

A vida suspira pra mim uma canção de ninar
que já ouvi algumas vezes antes de sonhar
Se é estranho se sentir confortável caindo
não sei se a culpa é sua de me fazer acreditar
que você é mais real que esse voo no ar.

 

Porque te beijar com certeza é mais do que pular num abismo em queda-livre, não se compara nem com um voo de parapente, conhecer sua boca, sentir sua respiração colada em mim, enquanto nossos corpos tentam encontrar o mesmo ritmo, a mesma batida, o mesmo destino.

Mas eu ainda estou caindo, sem saber se você vai se juntar a mim, ou se vai se afastar da janela.