Hoje é bonito ser Chárli Bráu. Todo errado, tímido, sem-graça e sem o menor tato pra lidar com pessoas ou consigo mesmo, o caricato personagem se tornou símbolo de uma galera que tem surgido e arrebanhado cada vez mais pessoas.

A vibe é ser todo errado, e colocar a culpa da má-sorte no destino. Não ser popular, não ter amigos, ter uma mentalidade entre depressiva e pessimista, sonhar com uma garota inalcançável e permanecer no status quo, dia após dia.

Charlie Brown é o maior retrato de hoje porque ele é péssimo em tudo, principalmente no baseball. Ele é péssimo no jogo, e vive querendo desistir. Quer largar mão de tudo, e se isolar quando encontra a primeira dificuldade, e por isso nunca é capaz de superá-la.

Ao invés de treinar duro e tentar melhorar, Charlie Brown abaixa a cabeça e aceita a sua mediocridade, como se ela fizesse parte de um plano universal superior às suas escolhas e vontades. Não há nada que ele possa fazer, a não ser aceitar o destino de ser um perdedor e seguir a vida com seu cachorro.

Charlie Brown é um personagem, por isso é tão estereotipado – o problema é quando não são personagens de tirinhas que agem igual ele. Eu gosto de Charlie Brown, gosto tanto que um dos melhores livros que já ganhei é uma coletânea de pensamentos e frases da série.

Por favor, parem de seguir estereótipos. Parem de ser tão dramáticos quando alguma coisa não dá certo. Pelo amor de Deus, olhe à sua volta e veja que você tem sim amigos – o problema é que eles são tão ruins quanto você. Não comece a culpar-se por não conseguir, culpe-se pelo menos por não tentar mais, já que é pra se culpar por algo. Que as pancadas que você levou da vida sejam força pra você continuar lutando. Aprenda algo com os golpes que você já levou e comece a desviar deles.

Políticos sérios, renomados. Pessoas da sociedade que decidem se candidatar pela primeira vez. São gente como a gente, mas que usam slogans como este e escorregam na hora de tentar te convencer a votar neles. São cartas com 15 linhas de enrolação, cartões com chamadas no mínimo duvidosas e propostas que nem Peter Pan, no auge da sua inocência seria capaz de pensar que seriam realizáveis. Cada um levando a sério seu projeto individual que não vai beneficiar ninguém – nem eles mesmos, ou sonhando em trazer seus valores religiosos para uma sociedade que simplesmente… não vai ser impactada. Senhoras e senhores, estes são os Políticos de 5ª.



“Caro(a) Amigo(a),

[É claro que o primeiro santinho já vai começar com aquela intimidade detestável que todo político adestrado resolve ter em época de eleição. Pega na mão, chama de amigo, de querido, só falta pagar o jantar antes de levar pro motel. PS: não pagam].

Mais uma vez eu Jerônima Carlesso venho [um pouco de vírgula seria bom, porque pelamor né, assessoria?] venho até você pedir o seu voto. [Claro]

Para mim você é uma pessoa muito importante [!] e formadora de opinião [!!], e sei [!!!] que posso contar com você e seu empenho junto de seus familiares e amigos para que eu possa continuar trabalhando por você e por nossa cidade.

[Esse panfleto foi deixado na caixa de correio, se meu irmão de 5 anos pegasse, ele também seria uma pessoa formadora de opinião? Só se for opinião dos atendentes da Ri Happy, que devem detestar os moleques que querem brincar sem comprar. E, afinal, que raio de trabalho é esse? O que ela fez que quer continuar?]

Certa de sua atenção [ainda é humilde], agradeço seu gesto de carinho [afinal, estamos divulgado o panfleto dela aqui na rede de computadores, não é mesmo?]

Conte sempre comigo,

Abraços”

Meu Deus! Qual sua proposta mulher? O que você fez? O que quer continuar? Quem é você? Que tipo de campanha é essa? SOCOROROROR

Não sei muito se eu perdi as ideias revolucionárias, ou se só descobri que elas são mais comuns e cotidianas do que pensava. Os sonhos de mudar o mundo, montar mega estruturas e fazer coisas grandiosas pra impactar um monte de gente se mostraram mais vazios e inúteis do que as velhas atitudes que vêm de anos atrás – talvez porque ninguém as pratique mais.

O Evangelho das multidões encheu prédios, estádios e datas comemorativas não encheu a alma de ninguém. E cada vez mais buscam mais adrenalina e mais emoção pra satisfazer a necessidade de estar com Deus. São baladas gospel, shows gospel, trios elétricos, panfletagem, culto do amigo, futebol com a galera da igreja, culto jovem que começa a ser itinerante (um dia na sorveteria, outro dia na praça, outro dia no shopping – tudo isso pra evitar o tédio de ir pro mesmo prédio todos os dias da semana), tudo precisa de uma programação especial da igreja.

Uma balada sem pegação e sem álcool – o sonho dos pais, enquanto os jovens levam bebidas escondidas e se pegam nos cantos da igreja; um acampamento de igreja, tempo de meditação e reflexão nos princípios do Senhor, com os bolsos recheados de camisinhas e cigarrinhos abençoados acesos. Se tem alguma coisa que essa igreja ativista conseguiu, não foi santificar ou ensinar a sã doutrina; não foi revelar a Verdade ou trazer a libertação (mesmo com tantos cultos de libertação); não foi mostrar os passos da fé ou fazer uma sociedade melhor – conseguiu mesmo foi institucionalizar a hipocrisia.

Como assim não trazem a Verdade? O importante é que o evangelho seja pregado, e alcance as nações!

Com o jargão do “Sede santos como eu sou santo” ninguém mais peca – pelo menos não em público, a tentativa de parecerem pessoas perfeitas, príncipes e princesas que escolheram esperar e são fruto apenas da vontade divina. O problema é que onde há Verdade, há luz – e a Verdade revela. Se os problemas e falhas não são revelados, não há luz. Não há Verdade. Não há Igreja.


Eu não quero te mudar.

Tarde demais. Eu mudei por você quando te conheci – eu não trato todo mundo assim; eu mudei meu jeito de conversar pra poder passar mais tempo conversando contigo sem o assunto morrer e sem eu ficar com cara de tacho olhando pro facebook, esperando algo mágico acontecer.

Eu mudei meus gostos musicais, porque algumas bandas me trazem você à cabeça, e elas povoam minhas listas de reprodução mais do que as minhas músicas favoritas – que eu custo a me lembrar quais são.

Eu mudei com as outras pessoas, porque eu só falo de você. Tudo tem a ver com você, tem uma história sua, um detalhe do que a gente passou, o que eu acho que você falaria, um sorriso, uma lembrança de você.

Eu mudei meus planos, porque não fazia sentido ter você só por um tempo, se eu podia ter você pra sempre, e ter o seu sorriso me acompanhando todas as noites – e o seu mau-humor logo pela manhã.

Eu mudei meus planos, porque eu quis ver você todos os dias, e me viciei nisto. Em olhar pra você, em conversar com você, fazer você sorrir e brigar comigo. Em te machucar e pedir desculpas. Em falhar, e ser perdoado.

É, é tarde demais pra não querer me mudar. Sem você, eu não estaria aqui.

Eu ouço rock. Ouço metal, já fui metaleiro. Metaleiro de achar Iron Maiden poser, e Guns’n’Roses vendido. Daqueles que procurava nas listagens de bares obscuros da Noruega novas bandas. De baixar músicas de sites alemães de MP3. Ouvia muita coisa de muitos dos estilos do rock e metal. De Bob Dylan, Queen, Elvis a Rhapsody, Gamma Ray e Edguy, passando por Cradle of Filth, Dimmu Borgir, Antestor e boa parte da música gótica – Lacrimosa, Theatre of Tragedy, Vanitas (não há mais de oito pessoas na América Latina que conhecem essa banda) e Blessed Suicide.


Já paguei de dark, mas hoje voltei a escutar o bom e velho rock normalmente – e não reviro os olhos toda vez que ouço um LMFAO da vida. E ontem eu não comemorei o dia do rock.

Não é que eu não gosto de rock. É que eu cansei dos rockeiros. Rockeiro é o anti, da música. O que é o anti-corinthiano, que se move por odiar o Corinthians, e nem acompanha seu time direito. A pessoa gosta de futebol pra poder odiar o Corinthians – assim é o rockeiro. Gosta de música pra poder odiar o ritmo.

Rockeiro é o cara que reclama do funk alto no Chevette rebaixado mas não perde oportunidade de colocar um CD do Blind Guardian no volume máximo – porque se a música está baixa demais é porque você está velho. (não a dos outros claro)

Você é rockeiro, e odeia funk, porque funk é uma coisa que torna as mulheres simples objetos sexuais; detesta axé porque é música de gente suada num lugar só falando umas coisas que não fazem o menor sentido; sertanejo é música de corno e caipira. Você é rockeiro por eliminação, então. Não é porque gosta de rock, é porque o resto não é bom o suficiente pra você.

O que eu acho mais genial é que existe preconceito dentro do próprio rock – pessoas lutando pra provar que são mais tr00 que as outras, que banda X e Y são fakes e coisas de wannabes. Rockeiro tem preconceito até dentro do rock, quem dirá em outros estilos musicais.

O problema é que se você é cego suficiente pra ignorar o Passinho do Funk, e acha que o resto é coisa de quem não tem escolaridade nem ideias, cara. Acho que o problema então é você. Você é daqueles que é contra a orkutização, que reclama quando os pobres começaram a usar o computador e a internet deles, e começou a inclusão digital.

Eles já estão em todos os lugares, com suas gírias, suas roupas de mala, suas vilenagens, suas músicas altas em celulares dentro do ônibus (ou do carro rebaixado, que você ri por estar em péssimas condições), e agora invadiram a sua internet. Por favor, não acabem com o rock.

O rock é o último refúgio do preconceito. Odiar música dos outros ainda é bonito, que bom pra você, rockeiro. Que pode dizer que carnaval é uma porcaria e falar que o Rock in Rio foi uma maravilha e ninguém foi furtado ou passou mal.

Fale como as letras do Rock são as mais inteligentes, como o Rock é o melhor e como todo mundo que curte Rock é mais avançado e desenvolvido. Vá, use sua liberdade de expressão, mas use-a pra falar do que você gosta. Pare de perder seu tempo falando dos outros estilos musicais, pelo amor de Deus e vá curtir seu Rock.

Boa parte das pessoas que detestam evangélicos e o protestantismo tem um passado ligado intimamente a essas igrejas. Muitas delas perderam completamente a fé, outras resolveram praticar a sua fé sozinhas, em casa, sem interferência de terceiros.

O mais estranho é ver que os que atacam com mais voracidade a igreja não eram os membros de banco – aqueles que só assistiam os cultos dominicalmente; mas aqueles que se envolveram realmente com os projetos da igreja. São ex-líderes de grupos de oração, faziam parte de lideranças jovens, estavam envolvidos em evangelismo em acampamentos, na organização de cultos e, de repente –PUF. Morrem.

Só que não é tão de repente assim. O que aconteceu no fim desse primeiro amor, que as pessoas se frustraram tanto? Porque aquela paixão se foi e não ficou sedimentado nenhum amor?

A moda é culpar o sistema (não se engane, o sistema tem muitas falhas, como qualquer outro), a hierarquia, o conservadorismo, todos fatores que são inatos à igreja-padrão. Montam um altar em nome da igreja primitiva como se nunca tivessem lido uma carta de Paulo, e nem tivessem chegado perto dos primeiros capítulos de Apocalipse.

O problema é que quem lida com as dificuldades do sistema raramente perde a fé – uma pessoa que teve um projeto bloqueado dá um jeito, faz por fora, fica quieto, desiste e vai pro banco até ter alguma esperança disso mudar. Alguém que teve um relacionamento contestado em todas as instâncias religiosas, que sofreu preconceito por ter tatuagem, essa pessoa não larga a fé, ela se vira até provar que está certo.

Então que tipo de problema essas pessoas que conheciam tão bem a bíblia – melhor que a maioria dos protestantes que têm que protestar, marchar por sobre a cidade e amarrar todos os demonhos em nhô nome de Jesus, acabaram se afastando da igreja?

Porque era igual.

Porque na prática, era tudo igual. Os grupos eram iguais, os mais pobres eram isolados dos programas, que os riquinhos queriam comer pizza, jogar boliche; quem morava nos bairros mais distantes sempre sofria com caronas e horários de programação – e acabavam sobrando em pontos de ônibus logo antes da meia-noite. As meninas queriam os caras mais bonitos, e davam desculpas como estarem esperando os caras certos, enquanto por meios sorrisos estavam nos cantos da igreja, esperando sabe Deus o quê; os rapazes trocavam comentários sobre a roupa e corpo das irmãzinhas em reuniões de orações – se brincar sobre os resultados da pegação no show sábado.

Quando um casal terminava, os ex-prometidos vão para seus grupinhos e ficam alimentando ódio um pelo outro, cada um culpando o outro pelo final do relacionamento. As mulheres, que já deixaram de ser meninas há muito tempo, continuavam com inveja uma das outras, e planejam roubar o namorado daquelazinha lá que não merece nem um terço daquele ‘príncipe’ – e assim vai.

A lista é interminável, você já passou por uma situação que te deixaram na mão de um jeito que… bom, ninguém do ‘mundão’ tinha deixado.

Só que algumas vezes a pessoa não tem essa opção de ficar sozinho e conseguir lidar com tudo isso por si. São situações traumáticas que elas olharam à sua volta, e não viam ninguém confiável para lidar. São pessoas que quando estavam destruídas emocionalmente, abriram o coração pra alguém que confiavam, sejam amigos, sejam pastores e foram criticadas por essas pessoas – quando não tiveram suas histórias e vida expostas.

Essas histórias não surgiram hoje, são mais antigas que a própria Igreja Católica – e elas não vão parar com uma mudança de sistema. Não é só o sistema que precisa evoluir. Nossa vida também. Eu, você e o seu irmão. Você precisa criticar menos as pessoas e tentar entendê-las, eu preciso parar de ter preguiça das pessoas, e ele precisa perdoar mais; assim por diante.

Enquanto culpamos o sistema e alguns líderes por todos os problemas da noiva de Cristo, pessoas vão morrer. Porque estamos atacando as coisas erradas.

Não era uma rosa, nem uma violeta. Era daquelas flores que nem tinha nome, nem um pouco dignas de uma princesa que ela deseja ser. Ela não era rosa, nem vermelha, não tendo nenhuma cor de realeza – ela era pura, pura e branca, crescendo sozinha, no meio de uma calçada – um deserto seco e ingrato. Não tinha, à sua volta, nenhum cisco de grama, nenhuma outra rachadura; ela nasceu no único lugar que seria possível algo nascer – um buraquinho que, de tão pequeno, mal a deixava crescer.

Com certeza nenhuma flor, por mais bonita que fosse, ou mais rara, não sabia o que aquela florzinha, tão pequena, tão sozinha, com cara de tão frágil tinha passado para crescer e se desenvolver, chegar até ali.

Sim, como ela era uma flor, era desejada. Mas era desejada pelo simples fato de ser uma flor, por ser bonita, como toda flor é. Tão despreocupadas com suas paixões e admirações, as pessoas a desejavam, mas logo que passavam por ela, continuavam a suas vidas, sem perceberem o que ela realmente era, e qual a sua real beleza.

Tão simples, tão vitoriosa em seu cotidiano. Tão… você.



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Corra, as primeiras entrevistas para a Praça É Nossa já começaram – te cuida, Cazalberto!

“Nós somos Deus para o mundo, refletimos Jesus para as pessoas. Nós somos o que Deus quer que este mundo seja.”

Afirma isso, com um punhado de panfletos na mão, enquanto atrás, pula uma criança com um saco de confetes que são jogados pra cima como um carnaval. Um pouco mais adiante, garrafinhas de água e latas de suco se acumulam pelo chão, proclamando o orgulho de uma vida de abstinência. Brados de vitória são dados, enquanto começam a chamar a banda atração da noite. Gritos histéricos quando o vocalista principal aparece, e como um transe, milhares de câmeras e celulares começam a disparar flashes e gravar vídeos – alguns com transmissão ao vivo pela internet.

CDs são vendidos em algumas bancas, junto com camisetas com o rosto do vocalista e o nome da banda, enquanto os panfletos que o rapaz segurava logo antes de falar comigo se juntam às latinhas no chão.

Olhando à volta, pode-se ver grupos, como tribos bem separadas – cada uma com seu uniforme, algumas até com faixas dizendo qual congregação pertencem (decerto para não se perder em meio à tanta gente). Não demora muito pros primeiros conflitos aparecerem, alguém empurrou alguém que não gostou muito.  Xingamentos, alguns olhares mais fortes, mas o grupo do deixa-disso aparece, e afasta os dois que tem ânimos exaltados.

Logo ali na frente, uma pessoa passa mal e desmaia – as pessoas que estão próximas se afastam, e ignoram os apelos de ajuda de um amigo que não consegue carregá-la sozinha, e ele tenta passar entre a multidão arrastando-a, pra procurar atendimento. Já se dá o aviso à segurança do evento que pelo menos meia dúzia de carteiras e três celulares sumiram dos bolsos que estiveram, enquanto uma menina mais nova chora sozinha por ter se perdido do irmão mais velho.

“É”, pensa o repórter que foi convidado a cobrir o evento, um pouco aliviado, embora sinta um peso no coração, que não sabe de onde vem: “as pessoas me diziam a verdade quando diziam que não precisava ter medo dos evangélicos. Eles são iguais a nós”