Não sei se você lembra bem os fatores que te levaram à conversão – muito menos se as suas lembranças tem algo a ver com a verdade dos fatos (muitas vezes nossas memórias se confundem com nossas fantasias), mas raramente, nas conversões e entregas, um só fator é responsável por todo o processo.

Foi no mínimo um conjunto enorme de coisas que não só nos deixaram em dúvida de tudo que acreditávamos, mas nos deu certeza que tudo aquilo não poderia ser só mais uma coincidência da vida, ou que era alguém tirando um grande sarro da sua cara. Não foi simplesmente uma bíblia aberta no Salmo xis da conversão, ou uma oração forte durante a ceia de natal.

Claro, nas horas certas isso faz toda diferença. Um abraço, um carinho, um conselho, ver uma dinâmica familiar legal, uma pessoa que não se contenta em oferecer o mínimo, ver como as pessoas conseguem se preocupar uma com as outras de uma forma até meio constrangedora – ter uma reflexão sobre o que queremos ser, o que temos que ser e qual nosso papel por aqui; querer ser melhor do que o fracasso que somos e poder sentir o alívio de estar participando de algo que não é só o que tá à vista de todo mundo.

Conversão é fruto da revelação. É fruto de um processo de quebrantamento interior que cada um sente (e passa) de uma maneira diferente – de frustrações, de decepções, e cansaços e de desesperos único. Não foi uma pregação que converteu uma multidão. Mas foi o contexto dela, onde estávamos e o que estava acontecendo à toda nossa volta.

Se a nossa conversão não dependeu de uma só pessoa, porque quando já passamos por tudo aquilo, começamos a cobrar dos outros a conversão de seus amigos e familiares? Por que de repente aquele processo que passamos, aquela confluência de fatores se torna um número numa tabela de eficiência? Por que o processo dá lugar ao resultado? Por que a confluência de fatores dá lugar à responsabilidade moral do cristão pelo sangue dos seus conhecidos?

Nunca vou conseguir entender o que se passa na cabeça daqueles que querem enfiar o Espírito Santo pela goela das pessoas à sua volta, como se a resposta estivesse na pílula colorida de Morpheus, e não no processo que motivou a escolha pela Verdade.

O fim do mundo vai ser daqueles em que a terra vai invadir o céu. Não será um céu vermelho, de fogo, nem um céu negro que estamos acostumados a pensar num fim apocalíptico. Será um céu laranja, laranja da terra que invadirá o ar de nossas cidades, enquanto o vento corre pelos nossos pés, furioso por ter seu lugar roubado pela terra que polui os céus.


O mundo acabará num vendaval. Não vendavais cinematográficos que casas são arrancadas e vacas saem voando pela força do vento, isso é ridículo. Vai ser daqueles vendavais que atrapalham a dirigir moto, que passam uma rasteira nos mais desatentos e fazem caixas de papelão parar nos locais mais improváveis – como no parabrisa daquele caminhão acima do limite de velocidade.

No meio de toda confusão, com animais fugindo de medo, os homens, distraídos pela sua vida, com as pressões e correrias da rotina não verão nada demais – talvez aqueles mais atentos irão parar por alguns segundos para observar o mundo que se revira à sua volta; apenas o tempo suficiente para lembrar de twittar sobre isso, ou pegar a câmera para filmagem.

O mundo acabará, e somos os únicos que não nos ligaremos a esse fato. Os vídeos gravados durarão por alguns dias nos mais vistos e comentados, e quando não houver mais ninguém, ele continuará a rodar em loop nas telas de alguns telejornais.

Veremos as coisas à nossa volta serem destruídas, toda a existência se alterar por uma tela de LED FullHD que é quase como se tivéssemos aberto a porta e contemplado por fora dos portões de nossos prédios. Através das janelas com filme dos nossos carros. Além dos nossos fones de ouvido, de nossa realidade aumentada. A revolução acontecerá, e nós não ficaremos nem sabendo. Ou será que ela já aconteceu?

Eu não sei quem é você. Talvez eu saiba seu nome, e se trocamos algumas ideias ou vi você retwittando algum texto meu, ou curtindo, eu saiba como você se chama e, com sorte, consiga lembrar mais ou menos o que você dizia na sua biografia com menos de 160 caracteres.

Mas eu sei de um monte de verdades sobre você que você mesmo pode ignorar, ou tentar esconder. Já passou por muitas lutas, tentou desistir algumas vezes. Já está cansado dos mesmos problemas, e das mesmas velhas soluções. Já está cansado das mesmas pessoas, e todo mundo te abandona quando não está bem.

Seus amigos são meio de lua, desaparecem de repente, e como se não bastasse isso, quando está com eles, às vezes você se sente meio . As frustrações vão se acumulando em pilhas que ficam cada vez mais desagradáveis de se olhar. Algumas pessoas só te entendem até o momento que convém a elas, e de repente, não só deixam de estar ali, como estão do lado de .

Se não frequenta uma igreja, já pensou em frequentar, mas sempre se frustrou com as falhas e problemas, além de todo o preconceito; se frequenta uma igreja, já perdeu as contas das vezes que pensou seriamente em sair, mas não levou os planos pra frente por inúmeros motivos que nem sabe dizer direito.

Você tem crises – está em crises. Porque eu sei de tudo isso? Porque você é um de nós, por mais que nós tentemos esconder isso. Vivemos de crise em crise, e não de glória em glória. Lutamos, damos nosso sangue pra vencer – vencer a quem, senão a nós mesmos?

Sim, eu pareço com você. Sou só um pouco pior.


E se nós pegássemos o nome das operações da Polícia Federal e levássemos para a realidade das igrejas? Operações reais, que tanto revelam a realidade como mostram o legalismo infundado da maioria das denominações?

Vejamos:

Operação Sucuri (2003): Como todos sabem, a cobra foi quem convenceu Eva de que o pecado não era bem pecado, e que a maçã tava liberada (desde que Deus não ficasse sabendo) – a Operação Sucuri revela as doutrinas que, buscando se modernizar, tem relativizado o pecado e desaparecido com o inferno;

Operação Garça (2003): A graça da garça, de andar na lama sem sujar os pés, já cantava o rapper. A Operação Garça vem limpar as igrejas pra não precisarem ficar pulando as poças de lama dentro da comunhão dos irmãos

Operação Zaqueu (2004): Precisa nem falar, né?

Operação Fraude Zero (2004): Ao maior estilo wikileaks, a Operação Fraude Zero joga para o público todas informações do uso do dinheiro doado à igreja e das finanças atuais.

Operação Matusalém (2004): Documentos e doutrinas que ficam pelas paredes da igreja acumulando pó e tampando as janelas – a Operação Matusalém vem trazer à tona todas aquelas verdades trazidas pela denominação e colocá-las à luz da Palavra;

Operação Zumbi (2004): Nem vivos, nem mortos. Nem quentes nem frios. O objetivo da operação zumbi é dar o golpe duplo. Dois tiros certeiros em quem está em cima do muro, para que acorde de vez ou sinta-se compelido a ir embora.

Operação Zumbi (2004)

Operação Feliz Ano Velho (2004): A operação Feliz Ano Velho está em prática em todas igrejas que recusam que o sacrifício de Cristo é suficiente para atingir a Salvação, e submetem-se à teologias judaizantes e sacramentarias que foram derrubadas pela sua morte.

Operação Midas (2004): A operação Midas revelaria porque tudo que alguns pastores ungidos encostam e apoiam tem sucesso absoluto, virando recorde de vendas e arrecadação, mostrando todos os processos do chamado milagre do ungido.

Operação Alcatéia (2005): Como os lobos cercam as ovelhas e as pastoreiam? Como se dá a liderança e hierarquia desses lobos? E como conflitos de poder levam ao surgimento de novas igrejas, com novos lobos no poder?

Operação Big Brother (2005): Mais antiga que carrinho de mão (pápá), a operação visa ter todos os fiéis sob os olhos uns dos outros, visando uma santidade falsa e cheia de máscaras, onde um, ao vigiar e ser vigiado pelo outro, não tem liberdade para confessar seus pecados.

Eu pensei muito no post de hoje. Tem uma certa quantidade de assuntos que estão em standby, alguns outros que preciso estudar um pouco mais pra falar – mas depois do post de ontem isso tudo vai ter que esperar um pouco.

Talvez isso não faça muito sentido pra você, mas para nós, ou pelo menos para mim, faz.

Quando a gente e envolve e começa a montar um projeto como é a help!, apesar de toda a empolgação, toda emoção e a certeza de que estamos fazendo algo certo – sempre rola uma dúvida: como que o público vai receber isso? Afinal, a ideia é impactar pessoas e ajudar a CENA – e se ninguém curtisse o que estamos fazendo? E se as pessoas estiverem simplesmente cansadas demais?

Mas as coisas foram indo de uma forma tão estranha e Deus abrindo algumas portas tão inusitadas que simplesmente… é impressionante. De repente, estamos com um evento já marcado em Londrina, enquanto negociamos em Curitiba, Ponta Grossa e Belo Horizonte. Temos uma lojinha virtual, com parceria pra vender CDs e ganhamos algumas camisetas consignadas.

Aí ontem, depois de soltar o release, eu recebi um email de uma guria que, conhecendo a help!, começou a pensar na realidade dela, e na sua igreja, e como eles tem agido e como podem melhorar.

Isso me tirou as palavras – não foi só um email. Foi a prova de que existem pessoas trabalhando pelo Reino, e que não estão fechadas no seu próprio umbigo ou no seu próprio bairro.

Existem pessoas que sabem que o Corpo é uno – e que querem mantê-lo cada vez mais sólido. E isso dá esperança pra nós. Afinal, se sem realizar nada daquilo que nos propomos ainda, se já na fase de planejamento, de organização, estamos fazendo a diferença, isso quer dizer que estamos no caminho certo.

Só queria desabafar.

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Todos os dias surgem histórias e projetos assim, que nos fazem sentir um pouco incomodados com o fato de não fazermos o suficiente. Preciso confessar a vocês, ver um projeto assim rodando numa comunidade, tão longe de mim, é ao mesmo tempo esperançoso e frustrante. Esperançoso porque vejo a Igreja de Cristo acertando seus caminhos, em meio a tantas falhas; frustrante porque eu vejo que tudo o que faço não é nem de perto suficiente para gritar o Amor que me move.

Mas ao mesmo tempo que esse sentimento aparece, ele logo some, com os estresses e correrias da vida – não tenho tempo nem para fazer o que gostaria na minha congregação, quem dirá tempo para me sentir mal por não ajudar em outras coisas. Passei muito tempo assim, desejando fazer um trabalho diferente, mas sem saber como me encaixar nos projetos da minha própria igreja, até que… bom. Vou contar a história toda pra vocês.

A CENA (Comunidade Eclesiástica Nova Aliança) é uma Igreja localizada na Vila das Torres, periferia de Curitiba, que é mantida em uma parceria com a Igreja Batista do Prado e a Igreja Menonita Nova Aliança, funcionando em um prédio alugado numa das principais ruas da região.  Ela surgiu de um trabalho evangelístico-social do pastor Cleber Sá, que realiza aulas de jiu-jitsu na comunidade há 10 anos, e a implantação da igreja se deu há pouco mais de dois anos, com a realização de cultos dominicais regulares.

No início deste ano chegaram à CENA a notícia de que o prédio poderá ser desapropriado pela Prefeitura, que intenciona ampliar as vias de acesso que passam pelo Bairro – e como locatários, a igreja não teria direito algum à indenização.

Putz, na hora que o Cléber me soltou essa meu coração quase parou – e agora? Como eu poderia deixar um trabalho desses ir por água abaixo assim tão rápido, sem me movimentar? Por tantos anos eu fiquei observando de longe tanta gente ser abençoada e ter uma chance nova, uma vida nova em vários desses projetos, era realmente uma pena que tudo estava por um fio.

Conversei com alguns amigos, outros conhecidos, gente de vários cantos do Brasil, que vivem conosco, twittando, debatendo no Facebook – todos ansiosos por fazer algo, mas sem saber o quê. Foi desse grupo que surgiu a help! – com o nome de Help the Church (Ajude a Igreja, um nome não tão original assim), um coletivo com dois propósitos: arrecadar dinheiro para ajudar a CENA e fazer isto de uma maneira que transforme as pessoas que estejam conosco.

Como? Não queremos seu dinheiro – queremos sua participação. Estamos realizando eventos, debates, seminários, cursos e shows; estamos vendendo camisetas e CDs – compre, participe, nos ajude a montar toda essa estrutura. Toda a verba arrecadada será doada à CENA, assim que tivermos um montante – no nosso site há uma aba transparência, onde constarão toda a movimentação financeira, detalhada.

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No fim da Idade Média, uma revolução. No começo do séc. XX outra. Ali na década de 80, mais uma. E claro que antes de 2000 as coisas voltaram a ter as pernas para o ar.  Não, não estamos falando do capitalismo, ou dos meios de produção, e vocês sabem que ‘tô falando da igreja.

Ou pelo menos do modo que se fez – e que se faz – igreja. Muita coisa (e nada, ao mesmo tempo) mudou, as liturgias foram modificadas, alteradas, cortadas, justificadas e transformadas; alguns princípios foram abandonados em uns cantos, outros foram criados e dogmatizados, e há uma infinidade de sistemas e de modos de se fazer igreja, atualmente.

Mas mesmo assim, não há ninguém feliz com ela. Independente de se estar numa Presbiteriana, numa Renascer, qualquer uma das Batistas por aí afora – a verdade é que parece que todo sistema tem suas falhas, parece que ninguém está certo e todos estão cegos suficientemente para não enxergar isso.

Com isso, cada vez mais aumenta o preocupante número dos desigrejados – pessoas frustradas de tal modo com as instituições que decidem excluir-se dessas comunidades e viver o Evangelho sozinhas. Preocupante – porque existe uma razão para caminharmos juntos. Nem o próprio Deus é sozinho, são três entes, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que interagem entre si, e a partir de si mesmos.

O problema não são os sistemas. Não são as regras. Não são as liturgias ou os sacramentos. Eu te desafio – pegue um sistema de igreja, qualquer igreja. Tire o fator homem e todos os vícios decorrentes disso – e agora me diga, onde está a falha do sistema.

Simplesmente não há. Não adianta você fugir de sistemas e culpá-los, a falha está em você; o problema da igreja é o ser humano – igreja perfeita é aquela que não tem homens (logo, a que não existe).

Se isolar de todos tipos de sistema é criar o seu mundinho onde o Evangelho vai ser vivido com suas falhas, e não haverá ninguém para consertar o caminho, ou pôr as coisas de volta aos trilhos, porque bem – esta é a sua maneira de viver o evangelho, e todos os outros são conservadores ou liberais demais.

Afinal, só você tem as respostas, certo?



Namorei por um dia com uma sentinela
quando descobriu – meu Deus, que bela
Correndo atrás de mim, louca a gritar
pena que aquele dia queria me matar

Certeza eu tenho que se ela parasse
e se em nós dois juntos ela pensasse
Quiçá nesse dia ela iria compreender
que as loucuras poderiam a satisfazer

Descoberto, com meu amor secreto revelado
não havia mais nada para mim naquele lado
Assim que a despistei fui escondido embarcar
ainda sem ter uma só pessoa por mim a chorar

Foi na próxima parada que eu encontrei
era ela que teria tudo aquilo que busquei
Sem cerimônias me pus, rápido, a descer
para que pudesse a minha musa conhecer

Sorte minha ela bem gostava muito de viajar
dessa vez a minha imaginação há de calhar!
Subi logo para perto dela, quase desesperado
não era uma sentinela, mas fiquei frustrado

Como poderia eu uma bilheteira encantar?
teria visto com certeza todos tipos embarcar
Meio cabisbaixo, voltei ao trem do qual saí
voltei-me só para vê-lo de longe, já a partir

Abandonado, solitário, sem as duas que sonhei
o que faria naonde eu mesmo me abandonei?
Foi quando eu olhei à volta por mais uma vez
uma moça me olhando com um sorriso cortês

Será que eu ainda cairia pela terceira vez neste dia?
descobri o seu ofício, diziam trabalhar na tecelaria
Quanto ela ia trabalhar, sonhando em me encontrar?
com mãos ágeis a cortar, ah! seus lábios a me beijar

Juntei toda minha coragem e caminhando, sorri
quando o seu marido se apresentou, correspondi
Desde aquele dia nunca mais procurei um amor
dormi todos os dias da minha vida sem sua dor.


Na profundeza dos mares, onde o sol nunca há de chegar
dentro dos mais obscuros oceanos, histórias de arrepiar
Lendas de um passado que inutilmente ainda evita pensar
memórias de tesouros que se naufragaram no além-mar

Com seu coração avarento, que quer tudo conquistar
suspirou impropérios ao vento, a quem queira escutar
Esquecendo as dores, voltando ao hábito de colecionar
perdido em sabores, cadê o amargor que lhe fez chorar?

Só mesmo um poeta, com quem não se gasta um olhar
quiçá o exegeta, com textos bíblicos o pode aconselhar!
Sábios senhores, muitos se perderam ao lhe ignorar
porque esses, nosso bobo poeta iria conseguir superar?

Pegou seu caminho, nem chegou a ouvir todos a clamar
juntou suas tralhas num barquinho e pôs-se a navegar
Um homem solitário, com apenas seus sonhos a desejar
Fez do mar seu calvário, e por anos a fio ficou a derivar

Encalhou um dia, com seu barquinho quase a se quebrar
uma índia lhe sorria, que ironia – os seus sonhos a realizar
A nativa sem saber, era tudo que ele sonhava encontrar
não viu seu querer, pois a sua alma se ocupava em apenas – voar.

Nós temos muito a aprender com paraguaios. Sério. Não estou falando em questão de vender, de trabalhar ou de querer fazer dinheiro vendendo até a avó nas esquinas das cidades fronteiriças.


Não é pela coragem de andar em motos Leopard (que são coincidentemente muito parecidas com as Titans) sem capacete pelo país, ou por moverem sua economia com câmbio tão baixo que o simples processo de pegar um coletivo custa uma enorme contagem várias moedas de 100 guaranis.

Paraguaios são impressionantemente nacionalistas. Não ufanistas como o estereótipo esquizofrênico de Policarpo Quaresma propõe. Eles sabem que são um país atrasado. Sabem que não são a melhor economia do mundo – e não serão em muitos anos. Sabem que o Paraguai não vai sediar uma Copa do Mundo, um UFC ou muitos eventos de renome mundial. Sabem da fama, entre os vizinhos, de pirataria, de falsificação e de produtos de baixa qualidade que têm.

Mas isso não os impede de serem orgulhosos – e de considerarem o Paraguai o melhor lugar do mundo. Onde vão, levam tereré, levam a térmica e um sotaque com o espanhol mais intrigante que conheci, que se mistura com o guarani com a leveza que misturam a água com a yerba.

Enquanto no Brasil a festa de 500 anos foi esquecida em uma semana, e foi marcada por protestos de como nós somos dependentes dos EUA e Europa, e como nos vendemos ao grande capital e como somos idiotas, o bicentenário do Paraguai marca até hoje as ruas e prédios de Asunción. Ou alguém vai me dizer que o país deles não depende de ninguém e é só o Brasil que está atolado em dívidas e sendo violentado por empresas do exterior?

Parque Nacional Ten. Agripino Enciso, El Chaco, Paraguay


Enquanto o brasileiro não só foge de mostrar que é brasileiro como reforça o estigma de que todos são malandros, só se joga futebol e se ouve funk – e o que move o país é o carnaval (sim, fazemos isso, com imagens no facebook de Yes, I’m brasilian and I hate carnival, como se não gostar do carnaval fosse algo de se surpreender por aqui – e como se o carnaval se resumisse a Rio-São Paulo-Salvador), os paraguaios não escondem seus amuletos.

Paraguaios amam sua história. Mesmo com a derrota na guerra. Fazem questão de ressaltar fatos históricos e levar em museus, pontos importantes e contar com detalhes tudo que aconteceu. Não foi com uma ou outra pessoa – foram várias que mostraram pontos de rebelião de estudantes, de protestos e muitos – MUITOS museus. Enquanto isso, por aqui, ninguém sabe direito dizer de onde vieram os cara-pintadas, onde foram as manifestações, e ainda se acha aqueles que dizem que os cara-pintadas foram uns playboyzinhos que a mídia manipulou.

Estamos acostumados a achar que o Brasil não é nada. Que tudo poderia ser melhor, que tudo está errado e que não há muita coisa que presta. Os exemplos que temos de superação, de vitória e de coisas que saem boas que saem daqui são tratados como raríssima exceção e algumas vezes (principalmente se forem empresas) detestados.

Ser nacionalista é quase ridículo. Talvez Lima Barreto tenha estragado o movimento nacionalista brasileiro. Talvez ele nunca tivesse existido. Talvez sejamos todos ruins mesmo. Mas eu duvido disso tudo.

O que falta? Provavelmente eu agir. Por que? Olhar a parte cheia do copo, ao invés de ficar contemplando os 20% vazio e pensando em como a vida é triste e ninguém faz nada por isso. Quem sabe a gente não consegue encher esse resto?