Toda vez é a mesma coisa. Seja um serial killer, um vampiro-que-não-brilha, um lobisomem ou um fantasma, o erro das vítimas é sempre o mesmo. Visando aumentar a expectativa de vida dos personagens de filme de terror, traremos aqui algumas dicas para te ajudar, caso você se encontre numa situação dessa – afinal, pode acontecer com qualquer pessoa.


#01- Não vá para o meio do nada

(O Segredo da Cabana, Arraste-me para o Inferno)

Sério. Coisas estranhas tem acontecido, folhas te perseguindo, redemoinhos, vidros sendo quebrados e você vai fazer o que? Vai pro meio do nada. Aí para num posto de gasolina (ou qualquer outro lugar) e encontra um velho com cara de defunto e palavras de profeta e faz o que? Continua indo.

É impressionante como um pouco de caos e sangue pode estimular a libido das pessoas.

Amigo, você merece se ferrar, na boa. Dica 01: sempre ouça os velhotes bêbados de voz grossa. No fundo das suas vozes ecoa um pouco de verdade.

#02- Nunca deixe janelas abertas

(Arraste-me para o Inferno, Premonição I a V)

Assim – tá, questões de segurança. Você já mora numa casa sem muro, no máximo com uma cerquinha que até cachorros pulariam com uma facilidade impressionante, quem dirá ladrões, bandidos, sequestradores, e não me venha com o American Dream, pessoas morrem por aí por muito menos (e com muito mais segurança).

Com a janela aberta, você pode finalmente deixar de dormir sozinho.

Mas agora na boa. Depois de tudo aquilo lá, você insiste em deixar janelinha aberta – vai falar que tá com calor, mané? Só falta ter ido pro meio da floresta, numa cabana de madeira e deixado as janelas abertas – uma clara violação às duas primeiras regras de como se manter vivo numa história de terror. Dica 02: morra afogado no seu próprio suor, mas não deixe a porra da janela aberta.


#03- Não filme, eles são exibicionistas

(Bruxa de Blair, Atividade Paranormal)

Cara, raramente aparecem fantasmas por aí. Quando aparecem, não é todo mundo que consegue vê-los. Deve dar uma puta crise de identidade nesses caras, por isso quando eles percebem que existe uma pequena chance de todo o mundo contemplar a sua glória –meu amigo… A coisa fica feia.

Câmera no quarto e vai falar que era por causa de fantasminha, aham.

Então, cara, não filme – por mais que você queira por no Youtube e ganhar milhões no Adsense, Dica 03: Não filme, nem conte para a ninguém – se não houver público, eles logo vão desanimar. Acho.

#04- Não procure invasores sem antes acender as luzes

(Atividade Paranormal, Sexta Feira 13 –dica da Indiana)

Cara, você não enxerga no escuro. Tá, o invasor (se for humano), também não – mas e se ele não for? Não adianta você estar com um taco de beisebol se você nunca acertou nada além de bolas brancas (e nem todas por sinal), e se você não consegue ver o que deveria atacar. Você vai acabar quebrando sua própria mobília (sempre acontece isso) e se machucando.

Se você ligasse a luz, ao invés de aparecer direto com um taco de baseball, ele ia até te oferecer um gole.

Então, Dica 04: só procure o invasor no escuro se você quiser se machucar sozinho, e tornar as coisas mais fáceis pra ele. Vai saber o objetivo de cada um, né.


Cara, já é natal. Natal taí, e eu não sei muito bem como são vocês, mas todo mundo, principalmente as crianças, se enchem de expectativa em relação às férias, às festas e, não vamos ser hipócritas, aos presentes.

Todo mundo curte presentes. Não precisa ter namorada ou ser criança pra gostar. E não precisa ser natal pra dar. Você pode dizer que o natal é uma festa capitalista, que Jesus não nasceu naquele dia e que ninguém sabe o verdadeiro sentido do Natal. Sinceramente, você pode boicotá-lo, e não estar nem aí pras tradições, pras árvores e pode (assim como quase todos nós fazemos) ter enjoos ao ouvir a coleção especial de natal da Simone mais uma vez a cada loja que você entra.


Mas todo mundo se sente especial quando recebe –um cartão. Não precisa ser um presente, não precisa ser uma carta, nem mesmo um chaveiro de lembrancinha. Nós dizemos que somos durões, que não nos importamos com isso ou aquilo, mas a simples noção de que alguém gastou (pouco) tempo e (pouquíssimo) dinheiro tentando nos agradar, sem razão específica alguma, isso quebra a gente no meio.

Você pode ser anti-natal, pode detestar aniversários, e ter nojinho de dia dos namorados, mas não há como recusar algo que é dado de todo coração. E pra você, que está na dúvida do que gostaria de ganhar, ou que ainda não pensou em algo que diga –amor, eu pensei em você, nós preparamos uma pequena lista de objetos que nos chegou ao conhecimento.

Porque não dar uma chance?

 #01

Como vai o seu relacionamento? Vocês já estão cansados daquela mesmice? Caíram na rotina e estão afogados pelo dia-a-dia de uma forma que acordar não é só ruim, mas pensar em acordar é desgastante? Eis um presente que pode mudar seu relacionamento – e você não precisa entrar em nenhum site de sexshop pra comprá-lo.

E você achando que os anéis de bacharéis em Direito eram ridículos
Até a escrita é meio Las Vegas, já reparou?

Aqui mesmo garanta o seu ANEL DE ABRÃO, que lhe dá direito a uma noite de incesto e um bônus de +5 carisma e +4 furtividade durante o uso. Não se esqueça, ele é válido somente por uma noite.


 #02

Não tem um relacionamento ainda? Gosta de uma pessoa, mas não sabe como começar uma linda história de amor? Não vamos lhe dar o caminho das pedras, mas com esta bela COLHER DE PEDREIRO DA IMPD você pode construir bases sólidas para um relacionamento à luz divina, e ser abençoado com uma varoa que vá se impressionar com a rigidez (hmmm) das suas fundações.

Escravos de Jó, jogav... Ah não, é outra música, deixa pra lá.

Na pior das hipóteses, pelo menos você vai poder economizar com o serviço de pedreiro – que tá pelo preço da morte.

 #03

Falando em morte, em funerais e em partidas – você já pensou no tipo de herança que vai deixar na Terra? O que será que vai te marcar e pelo que as pessoas lembrarão de você? Se ainda não sabe o que fazer da vida, eu lhe indicaria esta bela RÉPLICA DA ESPADA DE DAVI, que, se não te abençoar com a vitória, bom, pelo menos pode ser passada de geração em geração.

Pelos poderes de Greyskull...

Não ficou impressionado nem com o fato de poder utilizá-la como candelabro?

 #04

Bom, neste caso, e sobrando você como uma vela, já que não tem nenhum relacionamento e não haverá nenhum bem de família interessante no seu funeral, você poderá garantir já pelo menos uma módica fortuna com este belo ANEL DE CIFRÃO.

Quem quer diêro, oÊ!

Ele vai te garantir uma pequena fortuna, fortuna esta que você precisará guardar em algum lugar.


 #05

Banco? Não seja tolo! Peça hoje mesmo para o papai e para a mamãe um GASOFILÁCIO DE ACRÍLICO – agora não só você vai poder guardar com segurança o seu dinheiro, como poderá expô-lo para as pessoas doarem e ajudarem a sua causa.

Mas olha que cofrinho bonito, mi'a gente!

Vai ficar bonito um desses bem na sua sala, ao lado da porta de entrada, não vai?

 #06

Perfeito mesmo ficaria se na porta de entrada, perto do seu mais novo gasofilácio, você colocasse no chão, para limpar os pés das visitas este maravilhoso TAPETE POR ESTA CAUSA ME PONHO DE JOELHOS, que trará um novo ar de respeitabilidade para sua residência – é só riscar o U e fica uma belezura!

ESTA É A CAUSA

E fará todos pensarem que vocês são orientais, para pôr-se de joelhos antes de entrarem em casa.


Não, esse não foi um post patrocinado. Mas poderia ser. Tá ficando bonito…

Cada povo tem o falso profeta que merece – alguns recebem com carinho, outros nem tanto. Nós, por exemplo, temos Inri Cristo, que se isolou numa fazenda e vive com suas discípulas, evangelizando através de vídeos com paródias de músicas pop (que por acaso, todo Brasil adora). Mas nem sempre os falsos profetas são tão queridos quanto nosso Inri. Veja alguns pelo mundo:


#01 Harold Camping – EUA

Ouviu falar em fim do mundo? Provavelmente tem o dedo desse cara aqui – só em 2011 o mundo acabaria duas vezes, uma em maio e outra em outubro, segundo suas profecias, e Jesus voltou em 1994 (mas provavelmente foi assistir Romário fazer dupla de ataque com Bebeto – ninguém pode culpá-lo).

Avisem Gringotes que um de seus funcionários fugiu

Com 90 anos, ele se aposentou ano passado, após falhar duas vezes seguidas no Apocalipse e sofrer um derrame cerebral. Seus seguidores afirmaram que embora “todos estejam decepcionados com Cristo, que não veio, bons cristãos devem viver bem cada dia”.

Chatiado, viu, Jesus?


#02 Masuteru Hirota – Japão/Brasil

O profeta, com 70 anos de idade tem um dom de cura, e desde que se mudou para o Brasil, recebeu uma revelação – o mundo irá acabar com uma onda de 1,5 mil metros de altura – e só Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará ficarão intactos no Brasil (?!). A Energia de Luz (entidade com a qual ele conversa) irá destruir tudo pela terceira vez.

Cansado de ensinar Karate, Miyagi virou profeta.

Terceira?

Pois é. Diz ele que há 1 milhão de anos atrás Atlântida afundou; e há 500 mil anos atrás a Terra foi inundada novamente (provavelmente aquela vez que Noé construiu uma arca). E quem não sacou isso ainda não está evoluído suficientemente – afinal existem 108 dimensões, e os humanos estão só na terceira.

Precisa falar mais alguma coisa? Precisa: perguntando se teme a morte, Hirota respondeu “O que o humano leva da vida de material? Nada. Uma coisa só dá para levar: sua beleza e a limpeza do seu espírito.”.

#03 Jim Jones – EUA/Guiana

O mais famoso de todos profetas modernos do Apocalipse, Jones conseguiu o que nenhum outro conseguiu até hoje – muita gente. Com os recursos que a sua igreja juntou, compraram um grande terreno na Guiana, e se mudaram para lá, fundando a Jonestown (Cidade do Jones) – que com menos de um ano já contava com mais de 900 habitantes.

Com um olho um pouquinho mais puxado, eu jurava que era o Kim Jong-Il

Depois de sofrer várias acusações, Jones celebrou com os fiéis uma noite branca, sem informá-los de que o que estavam bebendo na verdade era veneno. Quase 1.100 pessoas faleceram naquela noite – bizarramente, as ordens que Jones deixara acerca de sua herança era levá-la para a URSS.


#04 David Koresh – EUA

Os Estados Unidos realmente são um berço de bizarrices. David Koresh, que se auto-proclamou o último profeta, o Cristo encarnado (sim, de novo), com direito de (veja só) possuir 140 mulheres: 60 como rainhas, 80 como concubinas. Para tornar a história ainda mais dramática e mexicana, um outro líder da mesma seita se levantou e propôs um tipo de gincana espiritual – ganhava (e era coroado o verdadeiro profeta/Cristo/seja-lá-o-que-fosse) quem conseguisse levantar (espero que ressuscitar, não zumbificar) corpos.

O nerd que ao invés de fundar a Apple preferiu fundar uma seita.

Claro que Koresh amarelou e tentou mandar prendê-lo sob acusação de vilipêndio ao cadáver. Interrogado pelo FBI, afirmou ser ele próprio o quarto cavaleiro do apocalipse:

Koresh: “O que Cristo revelou como sendo, de acordo com o quarto selo?”

FBI: “Um cavaleiro sobre um cavalo.”

Koresh: “E qual é o seu nome?”

FBI: “Morte.”

Koresh: “Agora, você sabe o que significa o nome Koresh?”

FBI: “Prossiga…”

Koresh: “Significa morte.”

Depois que ontem eu postei os piores trocadalhos do fim do mundo, como tudo na internet é AME ou ODEIE, você não pode criticar sem ouvir um /faz melhor/ (como se vocês não reclamassem do Spider ou do Anderson Silva no meio do ringue de MMA), eu já me precavi e fiz uma lista dos MELHORES trocadalhos do fim do mundo. Viu que eu não sou tão chato e ranzinza assim?

Vamos à lista:


#05 – Fim do mundo narrado pelo Galvão Bueno – tá, esse eu não gostei muito não, mas tenho que dizer que a narração ao estilo Barcelona VS Fluminense(quem nunca viu, clique aqui) tem o seu charme.

#04 – o fake do Eike Batista mandando ficar ‘sussa’. Não é nem pela piadinha intencional de comprar o mundo, mas por imaginar o Eike falando ‘sussa’, ao maior estilo do Roberto Justus no 1 contra 100.

#03 – Dinossauros com pistolas – pra que abusar do Tim Maia se existem seres mortos há muito mais tempo com muito mais a oferecer? Fora que ainda tem a moda de zumbis, o medo nuclear e a teoria de que todos nós não passamos de imaginação de um ser que ainda dorme (quanto sono, hein? Bem que dizem que quando dormimos o tempo passa mais rápido)


#02 – A notícia (REAL) de que o pouso de aeronave alienígena estava proibido em BH, após a prefeitura negar o alvará de concessão de uso de uma praça pública para estacionar uma nave de seus amigos extraterrestres.

Se pará, eu vô mandá guinchá, pode ir circulando!

#01 – Até mais, e obrigado pelos peixes – nenhum trocadilho que tenha algo do Mochileiro das Galáxias pode ser ruim, pelo menos até o Latino resolver fazer uma versão da música de introdução do filme.


#05 – Calendários Maia, com uma foto do Tim Maia. Cara, não era uma ideia lá tão ruim assim –era só sem graça. Até começar uma enchurrada de Maias diferentes (os Tim, não o povo) feitas por pessoas diferentes só pra não dar crédito pro autor original (e nenhum deles dezembro acabava no dia 21, lembrando)


#04 – Eu já sobrevivi a tantos fim-de-mundo, pode vir 2012. É, champs – podia ter morrido no primeiro mesmo, pra gente ficar sem essa.

 

#03 – Tão ruins quanto os crentes, na mesma posição estão aqueles metidos a engraçadinhos – acabou o dinheiro pra gráfica, eles não tiveram tempo de continuar a outra pedra; Deus está no controle. A única exceção foi Jesus Manero, que conseguiu superar a mesma horda de piadinhas mais batidas do que Rihanna.


#03 – Claro que tem alguém com um pr na frente. Acho que foi a pior tentativa de misturar bíblia e profecia maia da face da Terra, juro.

 

#02 – Próximos dias no Facebook, com quase tantas imagens como os calendários Maias, pelo mesmo problema de não querer dar crédito e provando que mais chatos do que os chatos com uma coisa, só os chatos que reclamam dos chatos.

 

 


#01 – O fim do mundo (e essa é velha também) foi cancelado no Brasil por falta de estrutura – tipo, sério, cara? Esse é seu melhor? Até o Jô Soares contava piadas melhores quando ele tinha o programa no SBT, gente.

Acho que quando chegamos ao ponto de precisar de uma página no facebook ficar mostrando continuadamente o que é a realidade e que existem pessoas lá fora precisando muito de ajuda, é porque já perdemos o jogo há muito tempo.

Se estamos tão acostumados a nos fechar no nosso mundo físico que não vemos a realidade com nossos próprios olhos; se estamos fechados nos nossos carros com vidros escurecidos a ponto de não ver o pedinte – e esquecer que ele existe, já perdemos o jogo.


Quando o nosso sonho é criar nossos filhos num condomínio fechado, levá-lo para escola particular de carro, para que ele possa crescer da melhor maneira possível e entrar numa boa faculdade para ter uma… boa vida?, é porque nós já perdemos o jogo e estamos querendo que nossos filhos sejam ainda outros perdedores.

Estamos tão idiotas que estamos querendo ficar cada vez mais – estamos tão alienados que quando participamos da realidade física da pessoa, fazemos disso uma excursão cultural. Quando vamos participar de um projeto social, é um dia no ano (se puder ser só uma refeição melhor ainda!), tiramos fotos, ficamos ansiosos, damos o melhor de nós mesmos para às 22 horas ôpa, preciso voltar pra casa.

Ai meu deuzo, alguém controla esses pivete antes que eu dê um tapa na boca de um

Nossas intenções sociais, nossa vontade de participar, de melhorar é a mesma vontade que temos de ir à Disney, só que, ao invés de ser movida pelos sonhos, é movida por um sentimento de remorso que nós mesmos criamos.

Fazer o dia das crianças na favela não é para o bem das crianças – é para o nosso próprio bem; é a nossa terapia dos problemas de quem tem acesso à internet, carro, estudo e faculdade. Como bem disse o Cleber de Sá, num evento da help!, todo mundo adora ajudar criança pobre: no dia das crianças. Quando começa a frequentar, a ir lá todo dia, ver que a cultura deles é diferente – de palavrões, de socos, de fedor e falta de higiene, desistir se torna o melhor caminho.

E o pior – queremos ensinar nossos futuros filhos a serem tão ruins como nós.



Segredo pra não errar: não faça nada.

Quanto mais você omitir de ser você mesmo, mais as pessoas gostarão de ti, mais amigos você vai ter e mais gente sorrirá. Você será uma companhia agradável, se omitir de dar a sua opinião em qualquer assunto. Você será uma pessoa extremamente amável se guardar só para si quem você é ou o que você pensa sobre tudo, e sobre qualquer coisa. Você estará no meio de uma multidão que te ama, mas que não te conhece.

Todos saberão o seu nome, e farão questão da sua presença, mas ninguém fará a menor ideia de quem você é e o que se passa na sua cabeça. Aquela história de que a sociedade nos separou, e nos tornamos estranhos por causa das grandes cidades se repete, mas dessa vez virtualmente.

Cada vez mais as pessoas clamam pelo silêncio. Só querem ser ouvidas, só querem o silêncio. Querem fazer companhia, querem estar de companhia, mas não querem discutir assunto nenhum. Não que as opiniões não sejam importantes, pelo contrário. São importantíssimas. Mas assim – guarda pra você, queridão. Eu não quero saber da sua ideia, se ela é melhor ou pior, na verdade eu sei que a sua ideia é pior e não tente me convencer do contrário. Prefiro que você esteja errado e, bom, viva no seu erro.


Não estarei orando por você, porque burrice é complicado, né amigo, mas te desejo boa sorte. Boa sorte com suas crenças aí (porque cara, acreditando nisso aí, você vai precisar de sorte mesmo). É. Lembraremos daqui alguns anos daquela época que a internet era um espaço livre pra discussão – lembraremos dos dias que fizemos amigos debatendo assuntos e discordando de pessoas pela internet, algo praticamente impossível pessoalmente. Afinal, discordar é brigar, e discutir é polemizar. Se discordo de você, não posso nem conversar contigo, porque é pessoal e quero te atacar.

Se o que estragou o contato pessoal foi o politicamente correto, o que está estragando a internet é o ego.

Ainda existem góticos? Não sei, acho que a gente vai descobrir agora dependendo da rage causada por esse post – eu queria entender essa necessidade dos fãs – e nesse ponto fãs se parecem com militantes – de questionarem o inquestionável e irem contra fatos, principalmente quando o assunto são as músicas mais dark. (ui)


Podem chiar, mas a verdade ´que fora você e mais a dúzia de amiguinhos góticos que você conheceu na internet ali pros idos de 2004, ninguém conhece outra música de Nightwish a não ser Nemo. Estourando (coincidentemente, será?) junto com o filme Nemo e aquele refrão grudento com a cara de Kristen Stewart que a Tarja conseguia fazer ‘Nemo sailing home, Nemo letting go’ conseguiu coroar a música gótica (ou death metal gótico, ou gothic metal, ou melodic metal, esse povo nunca consegue definir um nome) com o pior dos refrões já escritos.


olha esse biquinho véi HAHAHAHAHAH
Hipster Tarja se fazendo de Kristen Stewart before it was cool.

Não é pra menos que pouco tempo depois a Tarja se lançou numa carreira solo e ninguém mais ouviu falar de ninguém. Esse é Nightwish, no bandas de uma música só!


Que institucionalizaram a chatice, todo mundo já percebeu. Mas meu coração dói cada vez que vejo que a chatice chegou ao futebol de vez. Não se pode torcer pela Seleção, porque ela é da CBF, não é do Brasil. Não se pode comemorar um título, porque ele é roubado, e meu time ganhou mais que o seu na década de 60. Não se pode comemorar uma vitória por W.O., porque em 1942 o seu time também perdeu por W.O. (sério, gente? Esse é o melhor argumento de vocês?).

De W.O. não vale, bobão =(

O futebol se tornou um esporte rabugento, e não é aquele rabugento estiloso igual a pôquer ou xadrez. O futebol é aquele cara que não esperou 40 anos pra ficar velho e já resmunga toda vez que vê alguém com um pouco mais de felicidade que ele gostaria.

Desculpem-me vocês, que, fundamentados nos argumentos de Seleção-do-Ricardo-Teixeira-e-do-Marín-torturador (argumentos que são até válidos), não torcem pro Brasil nos jogos da Copa do Mundo. Desculpem-me vocês que não torcem pro Brasil no futebol porque essa é a única vez que todo mundo é patriota, de quatro em quatro anos. Eu estou me lixando pra isso – eu assisto futebol pra me divertir.

Porque é muito bom juntar os amigos, fazer um churrasco e assistir um jogo da Copa – com o Brasil ganhando ou perdendo. Xingando o Dunga ou pedindo a volta dele. Isso é futebol, todo mundo ser técnico ao mesmo tempo.

O que deve ter tornado o futebol um esporte tão rabugento no Brasil deve ser a tal da obrigação que o país tinha que vencer todos os jogos. Cada derrota do Brasil – eu lembro quando o país perdeu pra Honduras, em 2001, quando o Felipão era o técnico e bom… Amigo, a crise apertou.

A partir daí, foi só ladeira abaixo. Escândalos da MSI, da Parmalat e alguns outros menores já tinham minado a confiança e o respeito pelo futebol – e como mulher repetidamente traída pelo marido, os torcedores se fecharam cada vez mais e se tornaram muito mais céticos.

Não existe título que não seja comprado, erro de juiz que não seja intencional ou lesão que não seja encomendada. Ídolos viraram mercenários, rivais viraram antis e, se o meu time não ganhar, que ninguém vença (o que é uma lógica meio idiota, afinal alguém precisa vencer).


Uma vitória não é mais uma vitória – a torcida não quer mais futebol-arte, futebol-moleque, futebol uma bicicleta e me voy. A torcida quer resultados, quer gols, estatísticas e perfeição. A torcida não quer ganhar, quer que os outros percam – e quando não perdem, se enfurecem tal como aquele avô em festa de natal que não conseguem aguentar a alegria dos netos quando ganham os presentes que tanto sonharam a temporada inteira – e pedem silêncio pra ver a novela.

Não se pode comemorar um título. Ou ele foi roubado, ou não é importante, ou – por favor, parem de falar disso e serem chatos. Enquanto escrevo isso, o Corinthians começou a jogar a final que ele se sagraria Campeão Mundial há pouco mais de quatro horas – e já tem gente falando que a comemoração tá irritante de tão longa.


Quatro horas, pra comemorar um título que era esperado há 12 anos. Quatro horas de buzinas, quatro horas de foguetes. Isso é tão pouco – e vocês já estão reclamando. Deixem o futebol renascer, pelo amor de Deus. Deixem as crianças comemorar os brinquedos novos, os campeonatos novos e larguem essa cara fechada pra lá. Não se tornem um avô rabugento antes dos 30 anos. O futebol pede pela magia de volta.


Meu pai tem Facebook há mais tempo que eu.  Mais tempo que quase todo mundo aqui – sério, enquanto a gente se divertia participando de novas comunidades com nomes da zuera (“O maior problema em ser irônico…” […] “Isso não é uma Comunidade”), meu pai já tinha facebook. E hoje ele também tem twitter – e twitta. Minha mãe também tem os dois, e minha vó recentemente entrou no Facebook também. Metade da minha igreja está no Twitter, e uma boa parte usa ativamente. E tenho todos adicionados (mas não sigo a todos).

Um dos maiores medos dos heavy-users de redes sociais, e eu não tenho nenhum problema com isso. Posto meu conteúdo, com minhas palavras e volta e meia algum palavrão e nunca tive o menor constrangimento com isso.

Na verdade, acredito que o fato do meu pai ler o meu blog (e isso sim foi realmente assustador) melhorou bastante a nossa relação. E isso me levou a perceber que o segredo pra não ter medo de misturar o que se é na internet com o que se é no mundo real é ser a mesma pessoa.

Não adianta você escrever textos revoltadinhos e revolucionários se você não sai da sua zona de conforto – as máscaras caem e as pessoas à sua volta vão descobrir que você paga de doidão. Não adianta tentar ser uma coisa que você não é, ou comprar brigas que você não se importa. O segredo é ou ser tão passivo quanto você é quando precisa pegar num microfone ou tão ativo quanto você é quando está no seu Facebook ou Twitter – e saber lidar com as consequências dos dois.


Porque é claro que quando você fala o que pensa de maneira tão aberta quanto o faz na internet, você vai sofrer consequências mais tangíveis – como magoar um amigo seu com seu discurso radical ou irritar alguém que você não gostaria de ter irritado.

E aí você vai aprendendo a lidar com uma coisa muito interessante que a gente acaba esquecendo quando vive a vida nos extremos (passivo ou ativo, hm!) que é achar o meio termo. Não para agradar a todos, ou traindo seus ideais, mas descobrindo que o seu discurso radical não é a resposta pra ninguém – nem pra si mesmo. Afinal a única coisa que se consegue, sendo radical, é a trair-se a si mesmo.