São muitas informações, cara, não dá pra lidar com tudo –e acabamos confiando nas nossas pessoas mais próximas a verdade. Se elas disseram, nós acreditamos. Eu faço isso todos os dias, e vou continuar fazendo. O problema é que confiar no bom-senso de nossos amigos é bem diferente de parar de pensar, se brincar, podemos acabar caindo em algumas falácias que não se sustentam sob nenhum argumento sério.

Eu não sou PTista, nem PSBista, nem nenhum outro ista. Eu sou um dos fundadores do Piratas!, viajei mais de dois mil quilômetros pra isso – então pense bem antes de falar que sou governista ou oposição burra.


Primeiro surgiu essa imagem:

Se alguém souber a fonte de verdade, me avise pra colocar aqui.

Depois, em resposta veio essa:

Fonte: Meme consciente

E a argumentação é muito simples. Vou dividir em alguns pontos:

1º Argumentar que todo pobre tem carro é a coisa mais idiota a se fazer. Não, sério, teve gente que fez isso pra mim, na maior cara dura, e disse que só miserável que não tem carro. Ok, 75% do país está na miséria. Vamos defendê-los então. Sob qualquer hipótese, 75% dos brasileiros estão sendo beneficiados por essa redução.


Ah, mas aumentou gasolina e diesel, logo o transporte público também vai aumentar

2º Vamos fazer algumas contas, utilizando o paradigma ainda do carro (nem transporte público, que a despesa do combustível é rateada, nem da moto, que é pelo menos 4x mais econômica. Como existe 1 carro pra cada 5 pessoas no Brasil, vamos considerar aqui que todos tem um só carro e pegar como funcionaria para os 25% mais ricos do país):

O kilowatt de eneriga está a +/- 68 centavos em MG (a energia mais cara do Brasil). Considerando que eu use APENAS 1 kw/h, eu gastaria 16,24R$ por dia (isso é quase equivalente a desistir de computadores, carregadores e mal tomar banho, morando sozinho). 18% disso dá 2,92R$ de economia, por kilowatt/dia.

A gasolina no posto que eu abasteço tá 2,83R$. O preço subiu pra mim 11 centavos por litro. Se eu tiver um carro que faz 10km/l, eu terei que andar VINTE E SEIS km pra cada killowatt que eu gastar de energia diariamente pra então IGUALAR as tarifas. Lembramos que: uma família de 4 pessoas, usando o chuveiro por 15 minutos cada um (durante o dia todo), SÓ O CHUVEIRO, gasta 6 killowatts/dia – para pagar mais caro, a familia teria que andar 156km/dia A MAIS do que andava anteriormente.

[01.fev] O André Costa apresentou alguns cálculos em grande escala, levando em conta o país inteiro, confira:

No ano de 2011 o consumo nacional de gasolina foi de 35,3 bilhões de litros.
Supondo um preço de R$2,75 o litro, um aumento de 6% nesses 35,4 bilhões de litros representaria em uma diferença de R$0,165 por litro totalizando R$5.824.500.000,00 ( R$5,8 bi)

Já o consumo anual de energia elétrica em 2011 foi de 430,1 mil GWh. O preço médio nacional de energia que antes era de R$0,333/Kwh passa a ser 25% mais barato (para efeito de simplicidade de cálculo vamos supor uma redução única entre industria e residências). O novo preço passa a ser R$0,26/Kwh gerando uma diferença no valor de R$31.390.000.000,00 (R$31,4 bi).

Ai nós temos uma diferença de aproximadamente R$25 bilhões em relação a redução no consumo de combustível e o consumo de energia.

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,consumo-de-gasolina-cresceu-183-em-2011,96459,0.htm

http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/01/consumo-de-energia-no-pais-cresce-36-em-2011-diz-epe.html

http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201209102328_TRR_81569011

[/01.fev]

Ah, mas você tá considerando os carros, só os ricos, mas e o resto do país, o frete, serviços, passagens, etc.

(Os que não tinham carro não eram miseráveis?) Bom, vamos devagar: metrôs são movidos à quê? Energia elétrica. Postos de combustível são movidos a que? As empresas que fazem fretes, serviços são movidos a que? Energia elétrica. A redução de 18% na tarifa é residencial. Para as indústrias (quem produz, caso você não saiba), é de 28%. VINTE E OITO por cento – e a tarifa industrial é menor do que a residencial. Você sabe que uma indústria gasta muito mais energia produzindo do que gasta transportando, cá entre nós. E os cálculos da pergunta anterior são tão válidas quanto.

Já ouviu falar das parcerias que empresas fazem para conseguir gasolina mais barata? Pois é, eles compram atacado, não pagam o preço que você paga na bomba.

Tá. Tá bom, vai diminuir. Mas e as consequências com o aumento do preço do transporte público? E o aumento do percentual do álcool na gasolina?

Agora sim você está fazendo perguntas inteligentes! Essa é uma oposição inteligente, que pensa. E deixa eu te contar: eu acho uma péssima ideia aumentar a quantidade de álcool na gasolina comum – vai dar merda. Se o motor do carro não é flex, é perigoso para ele; se é flex, perde o rendimento da própria gasolina.

E o aumento no transporte público? E o quanto a refinaria e os postos de combustível vão repassar pro consumidor?

Isso o governo tem as medidas pra lidar. Não é livre-mercado, meu irmão, pra desespero dos anarco-capitalistas e pra salvação de toda a humanidade. Infelizmente, e eu acho aí outra postura complicada, ao meu ver, o governo busca parear o preço do combustível interno com o internacional. Discordo da política econômica mais uma vez (embora não milite contra por não saber quais as intenções e consequências em outros cantos da economia).

Mas a CEMIG já anunciou que vai aumentar a energia elétrica em mais de 10%, e vai comer mais da metade do desconto promovido pelo governo!

A CEMIG é uma merda. E não é culpa do Governo Federal. A CEMIG é uma estatal público-privada do Estado de Minas Gerais que tem os custos inchados e um histórico de péssima gerência. Não sou fã da Dilma, mas né.


Resumindo, o que eu quero dizer é o seguinte: nenhum governo (na verdade nenhuma pessoa) faz bondade e perde dinheiro nisso sem ter a chance de ganhar mais depois. Mas na hora de fazer oposição, por favor, vamos ser inteligentes, e fazer as perguntas certas pra começar a mover as pessoas na direção certa. Eu não sou governista. Eu sou racional, é diferente. Vamos pensar, galerë!

[01.fev] O Tsavkko escreveu um post que vai além deste pensamento, sobre a política econômica de reprivatização, super válido para o tema [/01.fev]


Todo mundo odeia leis, só servem pra acrescentar burocracias e atazanar o caminho de todo mundo – pelo menos o cidadão de bem, porque esse povinho aí que não obedece, nunca é punido.

Mas a lei taí pra te salvar. Sabe aquela velha história de assinou sem ler, já era? Então, já faz uns bons quase 30 anos que isso não existe mais. Sério, veja só. Aquele rolo de não leu os termos de uso do instagram, lá você deu todas suas fotos, e todos os termos e condições de uso que você nunca leu – tudo isso não existe. Desde 1988 aquela história de liberalismo na economia, de que o contrato assinado era maior que a lei e a própria vontade de quem assinou caiu por terra. Ele pode ser anulado (completamente ou em parte) seja porque o indivíduo assinou enganado, seja porque é ilegal, imoral ou antiético – independente do indivíduo saber disso na época que assinou ou não.

Ah, mas as empresas não são brasileiras, então não estão sujeitas às leis daqui. E tem um termo lá que diz que eu abro mão da justiça brasileira em favor da de Togo. Onde fica isso mesmo?

Que parte de: isso não é válido você ainda não entendeu? Você pode abrir mão dos direitos autorais da sua foto ou não querer correr atrás na justiça porque o software de pesquisa anônimo não é tão anônimo assim? Pode. Mas você não é obrigado porque assinou um papel ou clicou num OK qualquer no meio do seu caminho.


Você pode escrever: eu abro mão dos meus direitos como ser humano livre e me dou para Fulano de Tal como seu eterno escravo, assinar, protocolar em cartório, registrar a ata, e meu amigo: não é válido. (é doentio, na verdade)

Mas não se preocupe com esses termos. O Código de Defesa do Consumidor serve pra você. Embora alguns insistam em diferenciar consumidor de usuário, ele tai pra você.

Já foi tanta discussão em cima de dois posts sobre pirataria, que decidi fazer um post específico e direto sobre o assunto. Ter que escrever sobre isso me lembra também uma conversa que tive na casa do Thiago Paiva, que contavam o caso de um adolescente, que foi querendo saber até que ponto ele e a namorada podiam ir sexualmente, sem ser pecado.

Ele teve a resposta, que acredito eu não ter sido bem o que esperava. Na verdade, ele recebeu de resposta uma pergunta ainda mais tensa: Pra que ele queria saber o limite, pra ver até onde ele podia aproveitar sexualmente e sair com a consciência tranquila, ou pra ficar longe do limite? Aí justificaram esse tipo de resposta: se é pra ficar longe do limite, é melhor nem saber, e continuar a vida do jeito que estava; se é pra chegar o mais próximo possível e sair de consciência tranquila, já tem coisa errada rolando por aí.


Fui parar pra pensar e boa parte, senão quase todas questões sobre fazer ou não fazer podem ser respondidas usando essa mesma linha de raciocínio. E é seguindo mais ou menos ela que comecei a estabeleer alguns paradigmas e (re)pensar sobre muitas coisas. Uma delas é a pirataria.

Pirataria é pecado? Pode ser. Pode não ser. Lá vai a minha opinião como jurista formado e cristão praticante, amante (infiel, porque até agora não fiz um curso) da teologia. Explico: O que faz qualquer coisa ser pecado ou não, não é a coisa em si. Assim como o sexo em si não é pecado, a pirataria também não o é.

Como expliquei no post anterior, abrir uma loja virtual é piratear pelo menos 11 mil patentes (numa contagem de 2008), mas você está pecando em abrir uma loja virtual e prejudicando o dono dessas 11 mil patentes? Se o Direito diz que não (tanto que não há nenhuma pena por abrir uma loja virtual, exceto ser chato e compartilhar os produtos da sua loja no FEISSI o dia inteiro), necessariamente não é pecado – mais explicações sobre isso siga o link.

Agora vêm o bando de engraçadinho com preguiça de pagar 15 reais no CD do artista falar que não tá pecando. E aí a gente vai pra análise bíblica – você está pecando por piratear? NÃO.

Mas, vamos pegar dois simples exemplos. Se:

=>  Você estiver procurando ter vantagem pessoal, seja a vantagem o não-gastar-o-seu-dinheiro, você está mostrando quem é o seu verdadeiro deus –e o dinheiro se torna mais importante do que a pessoa que fez o trabalho (porque amamos as coisas e usamos as pessOOPS!); ou

=>  O que você pirateou, ao invés de comprar, fizer falta pra quem tem o direito de vender, como o artista (ou o produtor do conteúdo, seja qual for) e ele depender financeiramente daquela venda, você está fazendo o mal a uma pessoa, que supostamente você deveria amar (como você se ama);

Você está violando mandamentos bíblicos. Note que, assim como todas outras ações, não é a ação em si que é pecado, mas o que você quer com ela. Assim como o beijar não é pecado, o sexo não é nem mesmo o ter dinheiro, ou o beber, ir pra balada, e qualquer outra coisa que tentem te enfiar pela goela.

O problema dessa liberdade, de não ser pecado é que nós temos o gigantesco impulso de tentar justificar as besteiras que fazemos com as desculpas mais esfarrapadas possíveis – e corremos o risco de acreditar nelas.


A liberdade é sua, se você vai ser um cretino com ela, você é indesculpável.

Na verdade o título não está, ainda bem,porque senão a patente seria do LA Times.

Lembra de quando eu escrevi sobre  dizer que pirataria é pecado? Então. Ontem fui estudar um pouco e acabei descobrindo uma coisa um pouco… Inusitada. Você já comprou pela internet? Já vendeu algo pela internet? Cuidado, você pode estar quebrando uma das leis da sua religião. O e-commerce quebra exatamente 4.319 patentes? Se você vende os seus produtos pela internet – e ainda mais, planeja receber o pagamento e enviá-los, acaba quebrando pouco mais de 11 mil patentes, e não fui eu quem disse isso.

Um estudo do Los Angeles Times, datado de 2003, confirma exatamente esse absurdo: as patentes viraram piada. Eu falei sobre o posicionamento idiota da igreja quanto às ciências que não entende, quando comparam pirataria com roubo (eu bem que queria ver alguém pegar o autor de um livro pelo colarinho, enfiar a arma pela garganta do sujeito e levá-lo até uma Xerox, pra poder copiar o livro, e depois queimar todos exemplares do livro existentes, para enfim, ter roubado o autor), e fiz um post ontem sobre algumas das mais bizarras patentes já concedidas mundo afora.

Pensando nisso, saca só esse vídeo:


Agora me explique – aonde está a carapuça do pastor Lucio Barreto, que vende as coisas dele online e diz que pirataria é pecado? Será que ele sabe que quebra no seu site, diariamente, mais de 11 mil patentes? Se devemos perdoar nossos irmãos 490 vezes por dia,  ele tá em débito em pelo menos 10.501 pecados diários – Deus tenha misericórdia dele, e, bom de sua igreja, que afirma também pelos cantos.

Incrível pensar que no final das contas, todos nós pirateamos as coisas – somos todos pecadores, ladrões e mais o que mesmo? Então, não é que o Silas Malafaia caiu no mesmo beco que ele jogava a corja de blogueiros inúteis? Quem diria em rapaz, nem mesmo toda a oração do Mike Murdock tirou ele do ralo que ele mesmo abriu.

Mas sabe qual é o mais legal, que eu comentei que  a Igreja não era capaz de perceber? Se todas essas 11 mil patentes estão protegidas, se isso tudo está garantido na lei, porque até agora ninguém foi preso por fazer e-commerce?

Pode até parecer meio exótico, mas o Direito precisa seguir uma coisa chamada lógica. Uma tecnologia que se torna essencial não pode ser protegida ou patenteada. O e-commerce não é mais uma coisa do futuro que vai mudar a nossa forma de viver – ele já mudou a nossa forma de viver.  O e-commerce já é uma realidade que, retirá-la, é um absurdo não só jurídico, mas social. Não faz sentido você atacar uma tecnologia que salvou o capitalismo do caos em todas últimas crises – e cá entre nós, deve ser até triste pra quem considera a internet como a nova revolução ver ela como a principal mantenedora do status quo. Chatiado =(

Só no Brasil, o e-commerce movimenta mais de 46 bilhões de dólares. Vou transformar isso num número extenso pra você ter noção da magnitude: US$46.000.000.000,00. Por ano. São 46 bilhões de dólares ilegais. Que recolhem impostos, trazem valor agregado ao país e movimentam a economia na direção do desenvolvimento. Nesses 46 bilhões, ninguém quer tocar, né.

Já disse que o Brasil está apenas na 7ª colocação dos países que mais movimentam dinheiro com comércio virtual? Pois é. E só no Dia das Mães foram NOVECENTOS E CINQUENTA MILHÕES DE DÓLARES, em 2012. Em 24 horas, foi quase 1 bilhão de dólares movimentado de maneira aparentemente ilegal, e pecaminosa.


Deixa eu te perguntar – você não acha nem um pouco intrigante esses fatos? Você não acha interessante que o FBI rode o mundo pra procurar um cara que ganhou dinheiro com pirataria de filmes e programas de computador, enquanto tinham alguns trilhões de dólares por dia circulando? Não, não, não é a Nova nem a Velha Ordem Mundial. Não é ordem alguma, na verdade.

Interessante se voltar contra a única parte da pirataria que não reverte para o bem do mercado. E vou te dizer: enquanto a pirataria de filmes, livros e programas não encontrar um meio de fazer o dinheiro girar por aí, vai continuar sendo caçada. Porque o importante é fazer o dinheiro ir e vir.

E você, como se sente sendo um fora da lei?

Quando você entra em algumas áreas mais obscuras do Direito, é sempre bom ter a internet por perto, pra averiguar se o que os livros dizem realmente acontecem – e é sempre surpreendente quando os livros estão falando a verdade. Não que eu esperasse que os livros mentissem, ou alguma forma de engodo, mas é que certas situações são bizarras demais para se acreditar assim, de primeira.

É tipo quando contam daquela sua avó de 95 anos que pulou na piscina pra salvar Tito, o cachorro do seu priminho, que estava se afogando. Acreditar que uma senhora de idade fosse a única pessoa a pular na piscina, enquanto todos os outros, inclusive o seu priminho de 16 anos ficaram parados olhando, e além disso conseguisse resgatar o cachorro e a si mesma – e ainda sair da piscina – é claro que você vai querer mais provas sobre isso.

E não, não estou falando de Direito Penal e como é bizarro que condenados a 120 anos vão cumprir pena em regime semi-aberto depois de 6 anos; nem como juízes tem autorizado casamentos homoafetivos; ou como os direitos do trabalhador fazem mil coisas com a economia nacional – eu vou falar sobre… patentes.

Sim, senhoras e senhores, pra quem imaginava que a vida de um advogado/estudioso de patentes seria algo calmo, tranquilo e chafurdado de papéis técnicos cuja complexidade é um absurdo, eis que trago pra vocês as melhores patentes já concedidas nesse mundão de meu Deus (é claro que essa é uma visão totalmente parcial).


5- Método de lidar com Calvície Parcial (Patente: US4022227)

Você já tá com aquelas belas entradas laterais se juntando, e formando um circuito completo para mosquitos? Quer escondê-los? Cuidado, você pode estar quebrando algumas patentes por aí (e segundo igrejas, isso é crime e pecado –fica de olho, Gustavão!)

É um método de estilizar o cabelo para cobrir a calvície parcial de uma pessoa utilizando apenas o cabelo daquela própria pessoa (vulgo: pentear). A estilização (vulgo: pentear) requer que a pessoa divida o cabelo em três seções e cuidadosamente tape uma seção com a outra.  Não conseguiu imaginar? Calma: eles desenham pra você.

O nosso amigo da demonstração precisa muito mais do que um método pra esconder a calvície, cara, na boa...
4- Método de se utilizar um sprinkler (Patente: US6368227)

Em inglês o nome é ainda melhor: Method of swinging on a swing, quase poético método de balanço do balançar (olha o balancêê! gritaria a mulher da festa junina). No que ele consiste? Em colocar o sprinkler numa posição elevada para que ele possa… molhar mais longe. Como eu não pensei nisso antes?

Segundo o NewScientist, o inventor de tal façanha foi um guri de cinco anos de idade. Para Peter Olson, pai da criança, “Um novo método de se utilizar um sprinkler representa um avanço de grande significado e valor”. E vocês aí, lendo blogs na internet.


3- Dispositivo circular para facilitação de transporte (Patente: AP2001100012)

Para não falar que todos deste belo ranking são dos Estados Unidos, um australiano conseguiu, em 2001, sair até em pequenas anotações de jornais brasileiros – patentear a roda. Claro que depois de isso estourar na mídia e do Escritório de Patentes Australiano (O INPI deles) ganhar o Prêmio Ig Nobel, a patente foi revogada. Em pouco mais de 100 páginas (você pode ler, em inglês, um resumo de 6 páginas aqui, que incluem 2 desenhos do protótipo roda), o autor explica como poderia ser usado o seu invento.

Rapaz, já pensou o tanto de coisa que a gente pode fazer com isso?
2- Retângulo com arestas arredondadas (Patente: USD670286)

A Apple patenteou em novembro de 2012 um retângulo com arestas arredondadas, como você pode ver pela figura. Cuidado, toda vez que você for desenhar algo, a gigante das telecomunicações pode te processar.

Hmm, bastante esclarecedor
1- Método de exercitar um gato (Patente: US5443036)

Essa é mais famosa – um norte-americano patenteou um método de exercitar o seu bichano utilizando-se uma caneta laser, fazendo-o seguir um ponto gerado pelo objeto. Sim, você já viu milhares de vídeos no youtube de gente fazendo isso. Não, eles não estão violando patentes, porque por descuido do inventor a patente expirou em 2007, por não pagar a taxa de manutenção. Pode continuar exercitando seu gato tranquilamente.

Não queria dar spoiler não mas a Katniss Everdeen acaba quebrando algumas patentes lá nos Jogos Vorazes


Bônus- Detector de Papai Noel (Patente: US5523741)

Sem palavras. É uma meia (daquelas que você vê em filme que as crianças dependuram na frente da lareira, pra ganhar presentes) com um dispositivo que detecta e que fica brilhante quando o Papai Noel está por perto. É, tipo, isso aí mesmo. Não me pergunte.

Essa meia saiu do Laboratório de Dexter

Leia a Parte I pra esse texto fazer sentido, cara.
Aproveite e leia a Parte II também, pra não ficar boiando.

Saí de lá com o rabo entre as pernas, até meio cabisbaixo, pensando no mal que tinha acabado de fazer pra alguém que, além de trabalhar no domingo, ser garçonete, limpar banheiros, ainda era argentina. Já não bastasse uma vida ferrada dessas, ainda fui eu lá, pisei e amassei o resto do dia dela (que tinha acabado de começar).

A cara da menina ao ver o que eu tinha feito com o estabelecimento comercial que ela trabalha.


Mas não deu muito tempo pra sentir dó dela, porque o meu intestino começou de novo. DE NOVO. Eu não conseguia acreditar que ia ter que achar algum outro estabelecimento (ia ser muita cara-de-pau voltar lá, né, na moral) pra tentar não estragar muito o banheiro (e dessa vez perguntar se passava cartão antes, só pra constar).

Dois quarteirões depois, achei uma praça, com banheiro público. Eu já estava preparado pra louvar pela graça concedida quando vi que ele tava trancado de corrente – e só funcionava em horário comercial COMOASSIM, SÓ FUNCIONAVA EM HORÁRIO COMERCIAL, MEU DEUS?

Suspirei (mas não muito forte, sabe como é), e continuei a andar. Passei por mil lojas fechadas, trancadas e acorrentadas (como o banheiro) e por um café com cara de café de hotel. Olhei lá pra dentro e passei reto. Foi só no próximo quarteirão que eu me dei conta de que ali provavelmente era o único (outro) lugar da cidade aberto –e que pela cara de hotel chique, seria o único que passaria cartão de crédito (e ainda tinha Wi-Fi!).

Voltei, escondi minhas coisas no canto, e sentei. Parecia uma delicatessen, ou qualquer saguão de docerias daqueles filmes chiques, com garçons de camisa e gravata borboleta, uma profusão de pães e doces cujo nome eu não sei pronunciar e preço minha memória não conseguiu gravar, de tão absurdos – e fui atendido prontamente, por um senhor que não me julgou pelo meu estado físico.


Seria no mínimo interessante ser atendido por um garçom assim.

Sim, eles passavam cartão. Sim, eles tinham wifi, e a senha era xis. Sim, ele podia me trazer um menu. Sim, eles cobravam 16 pesos (hoje R$6,60) por um copo de suco de laranja. Sim, era o mais barato que eles tinham para servir. Sim, ele traria o meu copo de suco de laranja –é só isso, senhor?

Assim que chegou meu suco de laranja de quase sete reais, tomei um gole e perguntei onde era o banheiro. Quando cheguei lá, rapaz. Me senti numa rodoviária no interior de Minas (não chegava às rodoviárias do Nordeste/Rio, mas era bem a cara de Minas). Que banheiro bizarro, pensei eu.

E fiquei lá por exatamente 25 minutos (que eu contei no relógio). Desci as escadas praticamente segurando as calças (que não estavam mais tão justas quanto na noite anterior) e tentando não desequilibrar com a repentina baixa na minha pressão, se bem que pelo tanto de peso (não a moeda) que eu perdi, eu deveria levitar, e não cair.

Bebi o resto do meu suco, e me sentindo quase saudável, voltei pra rua, em busca da Rodoviária Perdida.


Leia a Parte I pra esse texto fazer sentido, cara.

Eu andei, cara. Como eu andei. Na verdade, eu fiz o trajeto da Rodoviária de Posadas até a praia de água doce praticamente em linha reta. Segundo o Google Maps o trajeto dá um pouco menos de 7km, com 8kg de coisas nas costas. Cheguei lá, esbaforido, cansado, com os bofes pra fora, e acabei encontrando um Mirante, à beira-rio, com alguns bancos. “É aqui mesmo”, pensei, joguei a mala no banco, deitei em cima dela, abracei a mochila e dormi.

Já dizia o sertanejo, deitei no banco da praça...


Não, não foi um cochilo. Eu dormi mesmo. Dormi de acordar duas vezes e voltar a dormir. Dormi das 9 da manhã até as 13 horas naquele banco – e foi aí que minha barriga começou a roncar e o sol começou a arder. Sentei e pensei com meus botões o que raios que eu vou fazer?

Não tinha um peso no bolso. Não tinha encontrado um buteco aberto. Dificilmente encontraria um que passasse cartão. Quando a barriga começou a apertar mais uma vez, e eu reparei que não era bem por fome que ela estava roncando, eu desesperei. Vamos procurar um banheiro público, ou qualquer coisa aberta por aqui, pensei. E fui seguindo a Av. Costanera. Andei, andei, andei até encontrar, pelo menos encontrar um guarda que pudesse me ajudar. Daí veio a minha maior dúvida: Como pedir informação pra alguém naquele dia sem falar que eu estava DESESPERADO pra cagar?

Não sei como, mas ele me indicou uma rua mais turística, onde se tivesse alguma coisa aberta, ali seria o lugar. Apertei um pouco mais os nós do intestino, juntei todas minha forças e comecei a entoar mentalmente qualquer música que viesse à minha cabeça, tudo pra não pensar que eu poderia ter que jogar minha calça fora (afinal, só ia poder lavá-la depois de 24 horas, se eu conseguisse me localizar bem em Santa Fe) e fui.

Nada nos três primeiros quarteirões da rua. Já quase desesperado, pensando em abaixar em uma das portas recuadas das lojas e soltar o barro, ouvi uma música de longe. Incrivelmente, não era reggaeton nem nenhum outro ritmo maldito dessa América Latina – era o bom e velho rock.

O som de Pink Floyd nessa hora do desespero foi pra mim mais do que um sinal divino, de que ainda haveria esperança de uma latrina melhor. Segui o som assim como os personagens de desenho animado vão levitando seguindo o cheiro de comida – e dei de cara com uma lanchonete/bar que tinha acabado de abrir. Não pensei duas vezes. Joguei minhas coisas na mesa mais do fundo e dando a desculpa de que precisava lavar as mãos, encontrei o banheiro.


Eu estava mais ou menos assim, só que mais bonito. E desesperado.

Cheguei lá e deu até dó. O banheiro tinha ACABADO de ser lavado – e provavelmente pela mocinha que tinha sido gentil suficiente pra entender meu portunhol e me mostrar o lugar. Ela tinha me dado um sorriso tão sincero, coitada. Mas a minha dó só durou uns três segundos, que foi o tempo necessário pra uma pontada me lembrar que eu não estava ali para dar nota à limpeza do banheiro.

Rapaz. Eu acho que eu nunca fiz um serviço de maneira tão rápida e tão profunda quanto esse. Em poucos segundos eu perdi boa parte dos líquidos do meu corpo (se fizessem um exame eu teria aproximadamente 55% de água no corpo, ao invés dos 70 normais) e uma grande parte dos sólidos (mais pra gelatinoso, se é que vocês me entendem). Meio rolo de papel higiênico depois, e só alegria.

Saí do banheiro com aquela cara de quem tinha acabado de ganhar na Loteria Esportiva, e, me sentindo saudável pela primeira vez em muitos anos, pedi um suco de laranja e algo que parecia ser um X-Salada. Quando a moça-do-sorriso-gentil-que-tinha-acabado-de-limpar-o-banheiro-quando-eu-caguei-nele-todo estava chegando no balcão pra passar meu pedido eu lembrei de um detalhe, meio assim… essencial.

“Pasas la tarjeta?” (no mais lindo portunhol do universo)

Ela fez uma cara de pena, e disse que não.

Não passava cartão.

MEU. DEUS. DO. CÉU.

(assim)

Eu não acreditei que tinha feito aquela BELEZURA no banheiro no lugar recém-aberto e não ia nem ter como recompensar aquela galera tomando um café (apesar de serem quase 15 horas) supimpa e deixando uma gorjeta interessante.

Eu devo ter ficado vermelho na hora, e comecei a gaguejar um pedido de desculpas, ao mesmo tempo que tentava disfarçar a minha vergonha –e a menina sem entender nada, dizendo que tava tudo tranquilo e acontecia.


Mal sabia ela o acontecimento que a esperava mais tarde. E mal sabia eu que tava só no começo dessa história.

Daqui alguns dias vai completar um ano que fiz meu primeiro mochilão de verdade (acho que vocês já perceberam que eu curto um pouco esse negócio de viajar) e, bom, algumas coisas a gente acaba esquecendo.


Eu sou um gênio – quem convive comigo há mais tempo sabe disso. A minha capacidade de brilhar e de fazer o impensável supera qualquer ficção. Se eu não saí de um filme de ficção científica como aquele robô humanoide tapado, que faz mais besteiras do que o universo consideraria ser capaz (alô, C3PO!), eu devo ter saído daquela comédia pastelão, provavelmente interpretando algo parecido com o George de Seinfeld.

Este da esquerda sou eu, dando coordenadas erradas pra alguém.

Quer uma prova dessa? Pegue dentre seus conhecidos quem que seria capaz de se encontrar num país desconhecido, domingo, sem um centavo no bolso? Calma, jajá a gente chega lá.

Sábado era meu último dia no Paraguai – e nada como um show da Iglesia Manifiesto de Asunción seguido de um coma-tudo-que-conseguir-engolir de comida oriental pra comemorar a estadia na cidade que eu deveria ficar 3 dias mas acabei ficando 7 (e depois iria ficar mais 7). Tudo lindo, se eu não tivesse esquecido um detalhe importante – era sábado.

Saímos do jantar, me deixaram na Rodoviária e pouco tempo depois eu estava dentro de um ônibus da Nuestra Señora de La Asunción (uma das melhores empresas de ônibus que já viajei) rumo a Posadas, na Argentina. Ia armado com meu cartão de crédito internacional e uma nota de 50 mil guaranis (que na cotação de hoje dá o impressionante valor de R$25,00), caso não conseguisse um lugar que passasse cartão, já trocaria o dinheiro na própria casa de câmbio da rodoviária (mesmo pagando algumas taxas que provavelmente me deixariam com menos de R$20).

Só que eu saí do Paraguai sábado à noite.

Eu quando descobri a cagada que tinha feito.

Isso mesmo amiguinho. Aí, quando eu cheguei em Posadas, descobri outras duas coisas: Posadas tinha pouco mais de 300 mil habitantes, e como se isso não fosse suficiente, tinha comemorado carnaval. No sábado.


Ou seja – o que não estaria fechado normalmente num domingo, hoje estaria. E adivinha se algum lugar daquele beco entre o final do Paraguai e o começo da Argentina tinha algum lugar que passasse cartão, fora os guichês de empresa? Quer mais? Cheguei às 5. O primeiro ônibus pra Santa Fe, meu próximo destino, saía às 20h.

Quinze horas, sem água, sem comida e sem ter o que fazer, com uma mala e uma mochila pra carregar. Quer que piora? Às 11 da manhã estava 39º.

Já que estava tudo lascado mesmo, saí pra andar e conhecer a cidade (não, infelizmente não tenho mais as fotos, fora as que consegui postar no Facebook quando cheguei em Santa Fe – isso é uma outra longa história).

O que aconteceu você vai descobrir em outros dois posts.


Vem uma deputada com uma ideia genial – vamos fazer uma lei pra manter os bons costumes. Afinal, o carnaval está chegando aí e olha só o que o Rio vira (não quero nem pensar na baixada). Deve ter sido mais ou menos isso que passou na cabeça dela, depois de ver as cenas do Caldas Country –que estão sendo parcialmente responsáveis pelo cancelamento de alguns dos carnavais de interior – e mais ou menos isso que ela conversou nos cantos da ALERJ com seus companheiros pra conseguir passar esse projeto.

Segundo a autora, que é ex-atriz (e tinha alguém achando que não ia dar merda isso?), “a sociedade de uma maneira geral vem cada dia mais se desvencilhando dos valores morais, sociais, éticos e espirituais (não vou nem perguntar o que são valores espirituais)”.

Eis a defensora da moral e dos bons costumes. Quase uma super-heroína da religião

Muito foi dito, muito foi chorado e muitas capas de revista pornográficas foram ressuscitadas com a excelentíssima (mais pelo cargo de deputada do que pelas fotos) Myrian Rios mas o que mais me surpreende é que nenhum portal de notícias se dignou a ao menos linkar a lei no site da Alerj. Vamos então dar uma analisada na lei, e no que ela quer dizer.

OBS> Apesar das considerações que o Estado deve ser laico, valores espirituais é um conceito que ninguém conseguiu entender, e não remete a uma religião só. Talvez só os ateístas fiquem excluídos desse conceito (inclusive eu adoraria que uma comunidade do candomblé se valesse desses valores espirituais criados pela católica Myrian Rios).

Na verdade, a lei é tão curta que eu vou colá-la inteira aqui – são só 5 artigos.

Art. 1º Fica instituído o “Programa de Resgate de Valores Morais, Sociais, Éticos e Espirituais” no âmbito do Estado Rio de Janeiro.

Parágrafo único. O Programa deverá envolver diretamente a comunidade escolar, a família, lideranças comunitárias, empresas públicas e privadas, meios de comunicação, autoridades locais e estaduais e as organizações não governamentais e comunidades religiosas, por meio de atividades culturais, esportivas, literárias, mídia, entre outras, que visem a reflexão sobre a necessidade da revisão sobre os valores morais, sociais, éticos e espirituais

 Art. 2º O Poder Executivo deverá firmar convênios e parcerias articuladas e significativas, com prefeituras municipais e sociedade civil, no sentido de possibilitar a execução do cumprimento ao disposto nesta Lei, com os seguintes objetivos:

I –            promover o resgate da cidadania;

II – fortalecer as relações humanas;

III – valorizar a família, a escola e a comunidade como um todo.

Parágrafo único. Serão desenvolvidas ações essenciais que contribuam para uma convivência saudável entre pessoas, estabelecendo relações de confiança e respeito mutuo, alicerçada em valores éticos, morais, sociais, afetivos e espirituais, como instrumento capaz de prevenir e combater diversas formas de violência.

 Art. 3º O programa disposto no caput do Artigo 1° terá como órgão gestor a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.

 Art. 4º As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas, se necessário.

 Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 2013.

Então vamos lá. O 1º artigo dessa lei fala sobre o que é a lei (logo não tem caráter legal, sobram 4 artigos úteis); o último (5º) artigo fala que sobre quando a lei começa a valer (não tem caráter legal, sobram 3 artigos úteis); o penúltimo (4º) artigo fala daonde vai sair o recurso (também não tem caráter legal, sobram 2 artigos úteis para a sociedade). O 3º artigo fala sobre quem que vai mandar nessa porra toda (A-DE-VI-NHA! Não tem caráter legal, sobra 1 artigo útil pra sociedade).

Essa lei tem apenas um artigo útil. O resto é só blá-blá-blá. Agora vamos analisar exatamente esse ÚNICO artigo que a Myrian conseguiu redigir:

 No art. 2º da lei, temos que os objetivos da lei são:

I -promover o resgate da cidadania;

II – fortalecer as relações humanas;

III – valorizar a família, a escola e a comunidade como um todo.

Ou seja –NADA. Ela não disse nada, sobre nada, no maior papo-furado jurídico. Promover o resgate da cidadania é um dos fundamentos do Estado Brasileiro (art. 1º, II da Constituição Federal); fortalecer as relações humanas é parte dos incisos XVI e XVII do art. 5º da mesma CF) – só nos sobra um inciso.

Em uma lei inteira apenas um inciso pode querer dizer alguma coisa nova – valorizar a família, a escola e a comunidade. Na verdade, valorizar a escola está no direito à educação; e valorizar a comunidade no direito à cidadania (sim, ela conseguiu repetir algo em apenas 3 incisos).


O que raio seria valorizar a família? – e é aí que as pessoas têm entrado em crise e gritado sobre Estado Laico.

É claro que para a Myrian Rios, deputada, valorizar a família significa valorizar o casal heterossexual (de preferência com filhos). Para ela sim. Para o Estado do Rio de Janeiro não. Por mais que a intenção dela fosse valorizar os heterossexuais, o conceito jurídico de família já mudou. Segundo Louzada:

Hoje o afeto dá os contornos do que seja uma família. Se tivermos em mente que é o afeto o elemento fundante da família, e que a Constituição Federal nos trouxe um rol exemplificativo de núcleos familiares, forçoso admitir que duas pessoas do mesmo sexo, unidas pelo afeto, formam uma família.

Se o conceito jurídico de família já existe, e é um dos princípios do Direito de Família protegê-lo, eu lhe pergunto – Qual a função desta lei?

Nenhuma.

Antes de debater sobre a religião, ou sobre o absurdo de uma lei que protege costumes espirituais, moral e ética, conceitos amplos (que existem em todo ordenamento jurídico, desde a Constituição Federal até as leis menores), o que o Jornalismo deveria estar fazendo é se perguntando porque raios uma lei VAZIA como essa é publicada – e quem que assessora esses deputados juridicamente.


Onde estavam os assessores jurídicos de cada deputado que foi a favor? Onde estavam os analistas jurídicos da Alerj e do Governador do Rio? O que esses deputados ficam fazendo que dão bola pra projetos de lei totalmente inúteis?

E porque ninguém liga pra isso? E piora:

Mulher-Maçã, Filé e Melão protestam contra a Lei da Moral e dos Bons Costumes: "Não vou mudar minhas atitudes por causa dessa lei” -disse a mulher que gosta da Apple porque gosta de maçãs.

DESDE QUANDO ESSA MENINA SERVE PRA DAR OPINIÃO SOBRE ALGUMA COISA, MEU DEUS?

Surgiu na internet nos últimos dias um vídeo em que um rapaz mostra o que acontece quando uma pessoa grita, às 22 horas, em Estocolmo. Veja por si só:



Botei a cachola pra funcionar e comecei a pensar em como seria se isso acontecesse no Brasil. Bom, o país é grande, e as culturas regionais são bem distintas, então montei um esquema do que aconteceria se alguém gritasse às 22 horas em CINCO capitais brasileiras, segue a lista:

1)      Curitiba

Uma pessoa grita na rua, 22 horas. Mais que silenciosamente, as janelas vão sendo fechadas, luzes são apagadas, portas trancadas e todo mundo entra no Facebook pra ver o que está acontecendo. Três dias depois sai um vídeo “Como se fala em Curitiba” que os personagens comentam de uma alma penada gritando na noite curitibana e atrapalhando na balada.

2)      São Paulo

Uma pessoa grita na rua, 22 horas. O ônibus que passava abafa o barulho, que se mistura com o funk que emerge da estação de metrô através do celular de um maloqueiro da baixada. Nada parece acontecer, até que uma moeda cai, e brotam corinthianos de todos os cantos procurando-a.

3)      Rio de Janeiro

Uma pessoa grita na rua, 22 horas. Na Zona Sul, algumas senhoras passam fazendo cara de desapontamento, com a certeza que era mais um viciado em pedra dando escândalo e tendo alucinações –uma ainda chega a dizer para o porteiro do seu prédio que alguém deveria fazer algo por isso. Ele concorda, sem tirar os fones de ouvido.


4)      Recife

Uma pessoa grita na rua, 22 horas. No Recife Antigo, brotam maracatuzeiros de todos os poros, enchendo a rua e o ambiente com o seu ritmo, enquanto meninas tentam parecer mais descoladas do que são na verdade. Duas quadras dali, o coordenador do flashmob não entende o que aconteceu que começaram a tocar três minutos antes do combinado.

5)      Brasília

Uma pessoa grita na rua, 22 horas. A 40km dali, um assessor para de fazer as malas. O senhor ouviu alguma coisa, deputado? Diante da negativa do parlamentar, continua a encher a mala com os pacotes de notas que estavam na mesa.