Ainda não é oficial, mas caiu há poucas horas uma bomba no Twitter – Marcos Feliciano (aquele pastor que acha que a África é maldita) está a um passo de se tornar presidente da Comissão dos Direitos Humanos – o excelso Partido dos Trabalhadores repassou a cadeira para seus aliados do PSC (Partido Social Cristão), do qual Feliciano é o maior expoente. Esse cara é um dos motivos que me levou a escrever o post imediatamente anterior à esse, no qual eu falava sobre cristãos políticos – e não sejamos hipócritas, qualquer um que vá entrar, vai ser a voz do próprio Feliciano lá dentro.


Eu não sei muito o que dizer aos ateus, aos grupos LGBT que apoiaram e votaram no PT nas últimas eleições, acreditando que a esquerda seria o menos pior caminho. Não sei o que dizer aos cristãos católicos que definitivamente não são o povo defendido pelo (eu não tenho palavras pra escrever algo aqui sem ser extermamente cínico nobre/excelentíssimo/santo) pastor. Não tenho o que dizer aos cristãos evangélicos que não fazem parte do sistema proposto pela igreja desse líder, e que, ou tendo acreditado que votar nele fosse uma boa resposta ao país, ou que ficaram horrorizados com a votação absurda que ele conquistou.

Parabéns, parabéns. Depois da hipocrisia dos torcedores do Corinthians, vocês estão de parabéns. 2014 está aí e as siglas evangélicas virão com mais força, depois de todo o bafafá que o Malafaia foi capaz de produzir. Vocês podem não acreditar, mas existem pessoas que apóiam que eles tenham espaço na mídia, a qualquer custo, independente do que falem. Sim, existem aqueles que acham que o importante é falar sobre os evangélicos, seja mal, seja bem. Existem aqueles que acham que apesar disso tudo, os holofotes virados para a igreja evangélica vai trazer algo de bom.

E cá entre nós, petiçãozinha nenhuma do Avaaz vai mudar isso – falando em Avaaz, Renan mandou aquele abraço pra vocês.

Eu já falei algumas vezes que não gosto de misturar política com religião, e que tenho alguns pés atrás (não são só um ou dois) com candidatos evangélicos, ou pior: missionários que se candidatam, deixando o seu chamado evangelístico de viajar pelas nações em segundo plano. Mas fazer o quê, cada um tem a sua opinião e o mundo segue em frente – só devo discordar novamente de quem diz que é necessário ter um evangélico no poder para garantir nossos direitos e ajudar a igreja, e a história e a própria bíblia colaboram contra isso.


O negócio é que ser um político cristão, e agora estou falando em um político eleito, independente da campanha que você tenha feito, significa, necessariamente ou que você é um péssimo político ou que você é um péssimo cristão. CALMA, CARA. Antes de me xingar e comentar dizendo que parou de ler aqui, force um pouquinho o seu cérebro que ele pega no tranco, pra você poder discordar de mim com argumentos.

Primeiro porque ser representante do povo é diferente de representar uma classe específica – por exemplo, o cargo de vereador existe para fiscalizar, reger e cuidar do bem público, dentre outras maneiras, legislando assuntos de interesse local. Sim, é claro que um vereador cristão está duplamente legitimado (pelo seu cargo e sua religião) a colaborar com os mais necessitados, a buscar maior justiça social e zelar pelo bem comum. O problema do bem comum é que ele pode, e muitas vezes vai contra os interesses da igreja.

Fazer um show evangelístico é legal, é bacana, a igreja quer, mas não é toda a sociedade que apoia – poxa, vereador, tá sendo contra a igreja? Por outro lado, usar a sua influência como político para conseguir um local pra fazer show, utilizar recursos públicos, descolar uns alvarás aí, é ser um péssimo político, que usa a máquina pública em interesse próprio. Com prefeitos, piora – e a cada nível hierárquico da política, concessões em nome da igreja ou em nome do cargo terão que ser feitos.

A Igreja não precisa de ter quem a defenda na política e não tem interesse algum que seja relevante para o Estado proteger. A Igreja não precisa de recursos públicos pra fazer o bem (fazer boa ação com dinheiro dos outros é mole, né, qualquer ONG que pega recurso público faz). A Igreja não precisa ter alguém pra sobreviver, conseguindo alvarás à torto e à direito pra ficar mais confortável em seus processos.

Na verdade tudo isso acaba matando a igreja. Pense antes de votar num político cristão. Pense antes de apoiar um candidato evangélico – você pode estar matando sua igreja, não ajudando-a.


Qualquer jogo de futebol sem arquibancada é uma tristeza –seja Araçatuba VS Sertãozinho, seja uma partida com portões fechados. Não ter em quem se apoiar, com quem comemorar e onde buscar forças – ouvir os seus gritos ecoarem no estádio vazio dá até um aperto no peito.

Uma vez, acompanhando um primo meu, turista, fiz aquela visita guiada ao Maracanã, que você passa pelos vestiários, pelos banheiros, pelos camarotes (o mais perto que já cheguei de um) e pela arquibancada; vou te confessar em mim doeu. Ver o estádio vazio, silencioso, quase em luto – um luto que era ignorado solenemente pelo guia das visitas, tão acostumado ao clima fúnebre que não se preocupava mais em respeitá-lo.

Assim era a decisão liminar da Conmebol. Que o estádio sofresse em silêncio, e os gols e boas jogadas fossem ignoradas pelas cadeiras quase-ergonômicas do padrão FIFA. Condenar uma torcida que mora logo ali na esquina ao confinamento dos portões de ferro que separavam a magia que acontecia no Pacaembu do resto da cidade.

Assim era o sentimento dos colombianos que passaram 20 dias pegando caronas e sofrendo nessas maravilhas de estradas do país natal e do Norte pra chegar e dar de cara com um Pacaembu vazio, mais solitário que um paulistano?

Em pleno dia de jogo da Libertadores, o mais importante campeonato da América Latina e o Pacaembu estava mais parecido com a sua torcida do que nunca – solitário, como se voltasse pela CPTM numa quarta feira final de tarde, enfrentando uma multidão de prédios tão cinza e tão vazios quanto ele.

Mas sempre tem algo a mais. Nenhuma história é tão ruim que não possa piorar – e enquanto uma nação inteira, como eles se vangloriam de se chamar se abraçava espalhada pela cidade, fazendo a sua própria diáspora, quatro desgarrados resolveram que eram diferentes. Assim como Higienópolis era diferenciado e tinha churrasco de filé mignon domingo de manhã pra impedir que a cidade tenha uma infra-estrutura melhor porque – bom, porque eles podem.

Então quatro maloqueiros, sofredores, da nação corinthiana, moradores da comunidade e faladores de gíria, vestidos de blazer e munidos de seus iPhones, óculos escuros e uma liminar que custou pouco mais que um milhar de reais se julgou (e foi julgada) diferente da maioria. Não, eles não queriam que todos entrassem – eles queriam entrar, porque tinham direitos.

Sufocaram o luto do Pacaembu. Sufocaram a agonia do time – mas não foi aliviando ou dando conforto. Foi com o olhar penetrante de quem não é limitado por leis ou por moral. Aquele olhar penetrante de quem manda – de quem tem dinheiro.


Ciclista é tão egoísta quanto motorista. Várias rimas numa frase tão curta, veja só. Eu poderia até ir além e dizer que o egoísmo é inato do ser humano e falar psicologicamente sobre as ações de crianças e de como a sociedade influencia nesse egoísmo e prepotência, mas eu vou parar por aqui porque eu tenho um foco neste texto: ciclista é tão egoísta quanto motorista.


Todo mundo já viu uma bicicletada, ou pelo menos ouviu falar, depois do que aconteceu lá em Porto Alegre, quando um motorista, seja por pânico, seja por raiva, atropelou mais de 20 ciclistas numa avenida central – e dentre os valores que eles propõem é que a bicicleta é um transporte mais comunitário, mais humano, e o carro nos torna mais violentos e egoístas.

É uma coisa a se pensar, não estou dizendo que somos extremamente racionais quando somos fechados ou quando tem alguém indo a 5 km/h a menos que gostaríamos (eu não passo muito por isso por ser motoqueiro, mas acredito que tenha passado bastante raiva nos outros enquanto costuro o trânsito) – mas a bicicleta pode nos tornar tão ou mais egoístas do que somos dentro de carros.

Primeiro porque ciclista tem a manha de se achar melhor – não, não importa se você é officeboy e precisa da agilidade e rapidez de uma moto pra atravessar a cidade em 10 minutos, você é um ser humano pior que os outros porque não anda de bike; não importa se você anda de ônibus, você, além de ser pior que quem anda de bike ainda é pobre.

E o segundo, e mais lindo, é um movimento que surgiu em Uberlândia no começo desse mês, por conta de uma ciclovia da cidade. Essa rua abaixo que vocês podem ver, é a Rondon Pacheco, uma das principais, quiçá a principal avenida da cidade, e tem duas pistas de ciclovia (veja bem, ciclovia, não ciclofaixa – é uma pista construída especificamente para bicicletas, separada das faixas de carro). Existem DUAS dessas, uma de cada lado da avenida, e em cada uma delas dá pra andar tranquilamente em duas bicicletas uma ao lado da outra.

O que aconteceu neste paraíso ciclístico? Bom, desde que essa Avenida existe, antes das ciclovias, antes de ter quatro faixas pra cada lado de carro, ela é utilizada pra caminhada/corrida por pedestres – e algum ser humano propôs que uma das ciclovias fosse convertida em pista de caminhada, pra separar bicicletas de pedestres e todo mundo ficar seguro.

Poxa, que linda ideia você aí deve estar pensando foi uma coisa realmente genial. Os ciclistas como defensores do meio-ambiente, de uma vida saudável é claro que não só toparam como defenderam os direitos dos pedestres, certo?

Claro que não. Na verdade, assim como igrejas, partidos políticos e a mídia alternativa, os ciclistas se mostraram tão parciais e alienadores – e tão egoístas quanto os temíveis motoristas de carro.

Parabéns, hipocrisia, você venceu mais uma!

Todo mundo tem aqueles momentos de parar e ficar pensando no que pensava do futuro (que hoje virou presente, ou até mesmo o passado) e hoje foi um desses dias – e lembrei de quando eu estava ali pelo ensino médio e queria fazer jornalismo. Não, eu não queria ser âncora de TV ou daqueles repórteres de jornal que vão lá pro meio da guerra ou desembaraçam uma quadrilha emocionante.


Acho que nessa época que eu fui escolhendo uma vida mais pacata, mais tranquila, já que eu me via como um colunista de canto de jornal. Quem lê jornal sabe como é um colunista de canto de jornal – é um cara já na meia idade, com uma careca (ou pelo menos uma rotatória na cabeça) proeminente, que dá opinião sobre alguns assuntos que aconteceram, juntamente com uma ou duas frases de efeito que te fazem suspirar e pensar em como vão as coisas, concordando ou não com ele.

E o mais engraçado é que o colunista de canto de jornal, mesmo todo leitor de jornal sabendo como ele é, raramente é lido. Ninguém (ou quase ninguém) dá moral pro colunista de canto de jornal com tantos colunistas de revistas, blogs e jornais televisivos por aí, que bradam revolta, dão frases prontas e um conhecimento todo montado que você só precisa balançar a cabeça e pegar nas suas armas pra lutar pelos ideais.

O colunista de canto de jornal não é aquele cara cuja opinião é dita e relembrada nas mesas de bar, e definitivamente suas frases não viram lema da revolução. Esse tipo de colunista aparece naquelas reticências quando você pergunta pra alguém de onde que ele tirou aquela ideia, e ele fala que leu por aí, mas não consegue se lembrar onde.

E pensando bem, tem uma foto minha em cima dos textos, eu já estou com algumas belas entradas, e o que escrevo por aqui, é bem minha alma. Não tenho tantas experiências nem tantas histórias quanto eu sonhava, mas ainda tenho uns 30 anos pra chegar lá e poder ser daqueles tiozões chatos que sempre tem alguma história do tempo do nem. Tenho leitores, tenho amigos e uma garrafa. Não é necessário mais nada, já estou realizado.

Pois é, eu comecei um canal – um canal que não vai fazer nada de útil, só trazer debates.

A ideia é rolar uma explicação teórica sobre um tema e depois dar minha opinião pessoal sobre o assunto pra iniciar uma discussão. A minha opinião não é verdade. Saca o piloto:


Me ajuda com o feedback dessa bagaça e comenta aí (ou lá no Youtube) o que achou.

Por que toda solução difundida na internet sempre é muito simplista? Parece que quanto mais algo é divulgado mais erros graves ostuma ter a linha de pensamento, nunca entendi a lóica disso. Já comentei aqui sobre a desmilitarização da PM, e outra solução mágica que tem sido jogada há muito tempo e agora entrou pras revistas impressas é a solução para a crise na educação.


O sindicato dos professores pede por um aumento salarial – claro, é função do sindicato fazer isso. Na verdade, eu até concordo que um aumento salarial vá colaborar com a melhor qualificação dos professores. Só que o aumento salarial per si não vai ser lá muito vantajoso, e pode ser, em alguns casos até prejudicial.

Saiu em uma revista na semana passada (juro que não lembro qual, se alguém tiver visto a reportagem (na boa, era uma coluna travestida de reportagem) avise nos comentários pra eu poder colocar o link) e a solução máster apresentada pelo jornalista era um aumento salarial a níveis noruegueses. Lembro que os valores apontados era de que um professor de ensino básico ganha, neste país, US$4.420 – e ele propunha este aumento para os professores (incríveis R$9 MIL) ou pelo menos metade (R$5.000), para que os mais brilhantes alunos da graduação sejam atraídos para a área de ensino.

Vamos a algumas considerações.

1)      No Brasil, para dar aula na Educação Básica é necessário diploma de bacharel ou pós-graduação em Pedagogia – e bom, a maioria esmagadora de quem entra no curso de pedagogia acaba em sala de aula, invariavalmente, com raríssimas exceções – logo, os melhores alunos de graduação sempre vão para a sala de aula – talvez fosse melhor um programa de captação destes alunos ANTES do vestibular, durante o ensino médio. Um programa de tutoria, talvez;

2)      A diferença de salário entre o setor privado e o público educacional é de 4,7%, segundo esta pesquisa

Bom, vejamos: se a diferença salarial em média é de 4,7% e a maior causa de um péssimo ensino é exatamente a má-remuneração do professor, as notas entre alunos de escolas públicas deve ser ligeiramente inferior a de alunos de escolar particulares – guardadas as devidas proporções e exceções, certo?

Não. Um aluno de escola pública faz em média, 398 pontos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos, pouco mais da metade de um aluno de escola particular, que faz 519. Se em quase 5% de diferença salarial temos quase 100% a mais de aproveitamento, isso quer dizer uma coisa: o aumento salarial dos professores não é a resposta mágica.


3)      Um salário alto vai atrair gente para a carreira. Pelo dinheiro, pela estabilidade, mas não pela vontade.

Assim como a grande maioria das pessoas fazem direito com os olhos brilhando por um salário de Promotor ou Juiz e não porque gostam e querem participar da área, um salário extremamente acima da média de ensino superior para os professores vai gerar uma busca pelo salário – não pela profissão. Isso vai levar a um número maior de concurseiros querendo dar aula mas sem nenhum interesse em educar, e para quem não sabe, educar não é fácil, ainda mais em escolas públicas.

4)      Ninguém ganhou na mega-sena acumulada. Pelo menos quem ganhou, não doou pro Estado.

Ah, mas políticos ganham salários gigantescos quando são eleitos – ok, estamos falando de o quê? Mil pessoas? Segundo aquela mesma pesquisa que apontei no ponto 02, existiam, em 2006, OITOCENTOS E QUARENTA MIL PROFESSORES no Ensino Básico (1ª a 4ª série). Vamos lá, um professor ganha hoje R$1.834,00, em média. São 840 mil professores ganhando um aumento de três vezes, para atingirmos o mínimo que o jornalista propôs. Se hoje se gasta R$1.540.560.000,00, ou seja UM BILHÃO E MEIO, só com folha de pagamento de professores, sem contar os encargos trabalhistas (que costumam dobrar essa conta, quem é empresário sabe), aumentando três vezes o salário de cada professor, chegaríamos aos gasto pouco modesto de R$4.621.680,00 – ah, é dobrado por causa dos encargos, né? Seriam R$9,25 bilhões por mês.

São 9,25 bilhões por mês em um ano, o que dá na verdade, contando com o 13º – R$ 120.163.680.000,00. Cento e vinte bilhões por ano. O PIB do Brasil, em 2006 foi de R$1,8 trilhão. Ou seja, gastaríamos 10% do PIB só em salários de professores – e adeus estrutura que já é precária, adeus bolsas-famílias, adeus uma porrada de coisas.

Cara, é inconcebível. Teoricamente, praticamente, economicamente e socialmente. Você não pode pegar um valor isolado de um país de cultura história e práticas sociais de uma sociedade e querer comprar um um valor isolado de outro país totalmente diferente.

A solução para a educação? Quem diz não sou eu, mas os próprios professores:

Simples, uma é privada e a outra é pública. Na privada existe comprometimento, enquanto que na pública não. Não me refiro aos professores, mas ao sistema gestor. Como disse um político uma vez ” As agências do Banco do Brasil são iguais em todo o território nacional, por que com as escolas e a educação também não é da mesma forma?”

Não curtiu a citação? Reclama com o site Educação Pública.

A animação de entrar na faculdade ou até mesmo de entrar no Ensino Médio (As pessoas ainda ficam felizes por isso? Na minha época ficavam, só que anda todo mundo tão enjoado hoje) não dura mais que o momento que a pessoa pega a grade horária e consegue conferir todas as matérias – inclusive aquelas detestáveis.


Em algumas partes deste belo país até mesmo cursos como as engenharias e música tem em sua ementa aquelas aulas que todo aluno adora – sociologia, filosofia, ética e noções de direito, naqueles horários ótimos como às 7 da manhã de segunda feira ou nos últimos da sexta-feira, só pra alegria de todos envolvidos, inclusie do professor, já acostumado com o desdém que as matérias sempre recebem.

Quem estudou nos anos 80 vive dizendo como as matérias de responsabilidade moral e cívica foram importantes na formação do caráter e pensamento crítico – que acabaram se virando contra a própria forma de governo – e hoje, essas mesmas aulas com outros nomes, mais densas, são mais desprezadas do que o chapéu de moedinhas do pedinte da esquina.

Agora, já repararam na ironia: uma aula de formação crítica de pensamento em plena ditadura militar, quando esse momento na verdade deveria ser o mais alienante? Parece estranho, quando alguns anos depois, em gozo de plena liberdade e tendo várias ferramentas para alcançar a Justiça e um governo melhor, além de poder mudar sua forma de vida, as pessoas comecem a ignorar esse tipo de conhecimento.

Onde foi parar o ímpeto revolucionário? A sede por justiça? É por não prestar atenção, ou não se ligar em aulas dessas que hoje a rebelião acontece dentro do Facebook, e através de petições duvidosas sendo gerenciadas por empresas de caráter mais duvidoso ainda. O problema não é nem a revolução não sair do sofá – o problema é não entrar na cabeça de quem participa dela.

A revolução, seja ela comunista, ou dos Anonymous, ou até mesmo da sua religião não é diferente do modelo que eles lutam contra, a não ser que você esteja também construindo-a. E construindo-a de forma lógica, de forma independente e não só possa, mas consiga ter pensamentos que destoem do movimento geral. De resto, é só massa de manobra. Como tudo costuma ser.

Eu lembro de quando proibiram entrar as torcidas visitantes nos Estádios com bandeiras, porque o mastro delas poderia ser lançado. Depois com tambores, porque além dos próprios instrumentos, as baquetas se tornariam armas de guerra num eventual confronto. Ainda depois proibiram as latinhas de refrigerante, e esses começaram a ser vendidos em copos (na decisão menos higiênica possível) – e agora o sinalizador matou um rapaz.


Outro, além dos mais de 200 que morreram em Santa Maria, tudo graças a sinalizadores – e eis mais um objeto a ser proibido. Daqui a pouco, os jogos realmente vão ser de torcida única, como alguns já tem sido, e mesmo assim ainda haverá confusão. Culpa do futebol? Dos sinalizadores? Dos tambores? Provavelmente não, embora o discurso seja sempre o mesmo. O futebol revela nosso lado mau. Os videogames liberam os demônios interiores. A balada nos faz promíscuos. Porra, que homens somos nós que não somos culpados individualmente por nada? Até Adão se cansaria de tantas desculpas.

A selvageria está no DNA. Quando fui ver Atlético-PR VS Internacional, na antiga Arena da Baixada, a torcida visitante ficava espremida numa quina do Estádio, sem proteção contra chuva, sol, e frente a frente à maior arquibancada disponível – e assistir a torcida atleticana cantando e batendo os tambores quando até as mais inocentes bandeiras sem mastro tinham sido recolhidas pela PM, era um espetáculo quase assustador. Claro, nada que metesse muito medo em quem tinha viajado algumas centenas de quilômetros pra ver o colorado, mas alguns torcedores rivais não se bastavam só nisso, e, à despeito dos gigantescos cachorros e vigias nos 5 metros que separavam as torcidas, alguns insistiam em querer pular a cerca e gritar palavrões provocando.

Claro que gritaram ‘gaúchos viados’. Claro que a resposta foi ‘ão ão ão, segunda divisão’. E o estádio ficou em silêncio por alguns bons minutos, antes da loucura. A diferença é que, mesmo a torcida rubro negra paranaense sendo uma das que mais se mete em confusões, mesmo Curitiba tendo sido palco de uma insanidade alguns anos antes pelo rebaixamento do Coxa, a resposta da torcida atleticana foi no tambor. Foi nos gritos de guerra. E na careca do Paulo Bayer.


E aí um menino morreu, na Bolívia, porque um torcedor atirou um sinalizador contra ele. Não vou falar que era porque era um corinthiano, porque seis cruzeirenses bateram num atleticano até matá-lo em BH, porque um palmeirense atacou um corinthiano com uma moto-serra, porque um colorado esfaqueou outro colorado há uns dois anos, e a lista é interminável. Não é o futebol que propicia a violência e a selvageria. A frustração da derrota é sentida tanto numa partida de futebol como numa de xadrez.

Seria o homem naturalmente mau?

E aí um menino morreu, na Bolívia, porque um torcedor atirou um sinalizador contra ele no primeiro tempo. Parece aquelas histórias que a gente ouvia dos mais velhos de gente que fazia xixi no copo e jogava pra molhar a galera lá embaixo, ou de quem punha taxinhas contaminadas com HIV nos bancos de cinema.

A Conmebol, ano passado, havia prometido que seria mais dura com os times – mas na pré-Libertadores já tinha aliviado pro lado gremista. O desabamento de parte da arquibancada não gerou a interdição do estádio (e pasmem, cadê o MP gaúcho?), e dificilmente haverá sanção para o Corinthians, afinal esse é o jeitinho todo xoxo da instituição. O Corinthians também não deve ser punido pela CBF, já que o campeonato é de outra Confederação, fora da jurisdição nacional da CBF.

Os torcedores foram presos pela polícia boliviana, e vão ser entregues para ser processados e julgados aqui, se bem que todas as lendas que se dizem sobre a corrupção na PM brasileira são fatos corriqueiros na Polícia Boliviana – esse aí é um país esquisito. Quanto à família, uma tristeza – e pensar que vi Santos VS The Strongest em La Paz. E que comece a turma da balbúrdia querendo criminalizar o futebol, as torcidas, o universo e camisas alvinegras. Porque a consequência é sempre culpada.


A sociedade consumista impõe um padrão em que as mulheres precisam ser estéticamente perfeitas, com medidas consideradas ideais (Curiosidade: elas existem, e são: 85 busto, 60 cintura e 85 quadril, como você pode conferir aqui), propagandas de mulheres de biquíni exibindo o corpo sarado e agora homens sem pelos! É um absurdo que façam isso, em pleno século XXI, quando as pessoas buscam cada vez mais fugir da alienação e a publicidade continua por impor um padrão social! Eu não acredito nisso! Fora Gillette, eu gosto dos meus pelos, eles são genéticos e você não pode me considerar subumano! Fora Sukita, eu nasci há mais tempo que a menininha perfeita do 15º andar e ela pode gostar de mim pelo meu intelecto ou pela minha cara de retardado mesmo! Fora Rede Globo, Roberto Marinho é trafiNÃO, PERA.


Deixa o tio Abigo explicar uma coisa pra vocês: não é a propaganda que define o padrão de vida das pessoas. A publicidade é um reflexo da sociedade, e não o contrário. Quando você diz que a sociedade é consumista não é porque a propaganda foi lá e obrigou as pessoas a comprarem mostrando produtos charmosos. Não é a propaganda da Nike que faz a Nike ser cara ou uma marca mais famosa que Rainha, por exemplo. A propaganda é um reflexo disso.

Tanto é verdade que a propaganda bonitinha e politicamente correta da Dove é uma propaganda legal, mostrar a beleza de toda mulher e tal – mas não mudou nada: nas baladas, nas praias, nas ruas, a preferência ainda é a mesma. Não é a propaganda das praias do Caribe que fazem as praias do Caribe serem mais chiques e mais caras. É a sociedade. Eu estou dizendo que é imutável? NÃO, pelo amor de Deus. Deixa eu te contar um segredo (que não é tão secreto assim):

Você sabia que o padrão estético da sociedade nos anos 50 eram mulheres gordinhas, e as magrelas não eram consideradas bonitas?


Você sabia que pelos nos homens eram bonitos até os anos 90, e quem não tinha barba era considerado criança?

Você sabia que na Idade Média mulheres bonitas eram as que tinham ancas largas?

E você já reparou que todos esses conceitos estéticos mudaram? Adivinha só: as preferências da maioria mudam porque as pessoas mudam (ou morrem). Vamos ser sinceros aqui? Quem anda comigo sabe que eu não gosto de loira. Já namorei mulheres com cabelo claro, quase loiro, mas eu não gosto. É pessoal. Estou ofendendo alguém? Não, eu só não acho bonito – sabe o que uma loira faz quando dá de cara com isso? SEGUE A VIDA.

Desculpa, Britta, não vai rolar...

Existe público (e preferências) pra todo tipo de gente, amigo. Se tem até uma pá de gente que pegaria o Sidney Magal e o PC Siqueira, eu te garanto: tem público pra você. Se você não quer ficar malhado bombado e depilado, eu garanto: tem gente que vai gostar de você. E você não precisa ficar de mimimi porque a maioria tem preferências diferentes de você.

Quer um outro exemplo? Nerds. Todo mundo detestava nerds. No ensino fundamental da maioria que lê esse texto agora usar óculos era praticamente pedir pra sofrer bullying – hoje não, é hype. E eu não morri por isso, além de ter feito cirurgia pra curar a miopia há dois meses. Vou morrer? Não, pombas. Estética não é tudo no mundo. E se vocês não se importam com estética mesmo, deveriam se preocupar menos com quem se importa. Cada um tem suas preferências, não é mesmo? (:

Enquanto isso, e enquanto o mundo for mundo a publicidade vai reproduzir e oferecer propagandas baseadas no gosto da maioria das pessoas – e investir em nichos de maneira menor, naturalmente.