Opinião

BitTorrentBundle


Eu sou a favor do compartilhamento, etc etc, acho que todos vocês já sabem disso, mas tem algumas coisas e alguns discursos que são forçação de barra. Essa última reportagem do Tecnoblog conseguiu reunir uma malícia e manipulação (que os mesmos defensores do livre compartilhamento de cultura tendem a colocar a culpa nas mídias de massa) tão grande que eu vou até quebrar o assunto em partes pra mostrar a sutileza do trabalho feito pela autora ao colocar as estatísticas parciais.

(1)Atente-se à manchete da notícia: “O torrent mais baixado de 2013 não tem nada de ilegal”

O que isso quer dizer? Que o arquivo mais baixado pelas pessoas em 2013 não era ilegal, ou seja: não era nenhum arquivo com direitos autorais embutidos ou que fossem uma espécie de crime (pedofilia, revenge porn, etc.). O que você pensa: Putz, bacana! As pessoas estão realmente começando a colaborar umas com as outras!

(2) Aí você começa a ler o texto:

BitTorrent é simplesmente o maior e mais antigo programa de compartilhamento de arquivos via .torrent, tendo sido a origem de todos os programas e indexadores do protocolo – se existe alguém com autoridade pra fazer estatísticas da rede, é essa empresa.


(3) A sacada maliciosa da reportagem:

O que isso quer dizer: o relatório feito pelo BitTorrent foi baseado somente do BitTorrent Bundle: que só aceita conteúdo próprio de artistas independentes.

Agora me responde uma coisa: dentro do universo de arquivos sem direitos autorais, tem como algum arquivo ferir direitos autorais? É claro que não, Tecnoblog! Uma rede como o BitTorrent Bundle pode ser usada pra mensurar a totalidade dos arquivos torrent compartilhada? Óbvio que não!

Não sei se é uma pegadinha de mal-gosto ou se foi realmente sacanagem, mas… Putz, Tecnoblog!


boo


Ciúmes é uma coisa engraçada. Tem aparência de bonitinho, quem sente sempre diz que é uma forma de amar, e às vezes, é até uma consequência obrigatória de amar. Ciúmes é uma coisa fofa, que nos faz desconfiar e duvidar da pessoa que a gente ama até a última instância (e sempre guardar os casos na memória).

Até porque, de fato, ciumentos confiam nos seus respectivos cônjuges e namorados. Só não confiam no senso de normal deles, nem no senso crítico de amizade que eles têm. Ciúmes é uma insatisfação gostosa, uma maravilhosa sensação de achar que a pessoa que amamos é profundamente retardada por não ver o óbvio, ou quiçá, cretina, por estar se aproveitando de uma situação e se fazendo de besta.

Ah, o ciúmes. Como é bom ser ciumento, acreditar que nosso relacionamento é perfeito (desde, é claro, que a pessoa saiba fazer exatamente o que queremos, da forma que queremos e quando queremos).

O ciúmes nada mais é do que a nossa derradeira tentativa de não se meter no problema dos outros. A última chance que temos de acreditar que todos os outros seres humanos são frios e babacas, e nós somos pobres inocentes azarados em matéria de amor. Afinal, se ele(a) está de conversinha com outra pessoa, é claro que está nos traindo ou fazendo algo que não poderia fazer na minha frente.

Ciúmes é uma coisa maravilhosa. É o que nos deixa distante daquela pessoa que juramos amor eterno (desde que…) e que nós queremos pra sempre na nossa vida (até que…) porque no fundo, no fundo, não queremos mesmo depender de ninguém.

Afinal, crescemos acreditando que os outros só servem para zoar conosco.

Annie :(


Seja como for pra você, é um começo. Não importa se é um novo dia, ano, ou conjunção estelar. Independente da data ou das marcações, o sentimento e a importância são os mesmos. Você está num começo.

Todo mundo se recicla, isso é fato. Muitos usam seus aniversários. Outros preferem o Natal. A maioria de nós faz isso quando começa um relacionamento. Provavelmente faremos novamente quando trocarmos de emprego, ou nos mudarmos de casa. Alguns cristãos reciclam suas vidas no Natal – é tudo uma questão de perspectiva sobre o mesmo fato: nós cansamos de nós mesmos, mais rápido do que conseguimos suportar.

O nosso problema é que nós estamos em contato 24h conosco mesmos, por mais que tentemos evitar. O desespero de conviver com as más-escolhas e com as consequências de tudo que fizemos, julguemos serem as nossas ações boas ou más. Essa culpa existencial que atormenta desde o mais desesperado suicida ao mais convicto dos monges.

Criamos a tecnologia. Não nos desconectamos do mundo. Trocamos amizades, vemos nossos velhos amigos o mínimo possível e somente em ocasiões especiais – porque os conhecemos muito bem, e a recíproca é verdadeira. Enchemos-nos de afazeres: sociais, acadêmicos, religiosos; tudo para não ver nossas próprias construções derrubadas por falta de resistência.

E então chegamos no ponto que você está agora – no início. Um novo dia. Um novo respirar, um ar mais puro. Cheios de planos e intenções. Dispostos a enterrar toda aquela bagagem que nos tira toda a força, dia após dia. Sabemos que vamos falhar, assim como você sabe que vai ser soterrado pela própria bagunça, mas continua com fé de que vai tudo funcionar.

Não estou falando isso como alguém que já está na sua frente e vê o que será de você – nenhum profeta do caos ou da depressão, como muitos tem borbulhado na internet. Não, eu sou alguém que ainda não está aí. Sou você, ontem, ou ano, conjunção estelar passada.

Eu falo como alguém que já cansou de olhar para a pilha de destroços e sucatas que fui acumulando. Pendências, satisfações, consequências, dores, histórias inacabadas, rancores – eu falo como alguém que já viu tudo isso.

E te adianto: não adianta esconder o lixo. Você pode cavar o buraco mais profundo – mas assim como na natureza, o chorume desse seu lixo vai escorrer e contaminar aquilo que você se alimenta hoje, e que é seu conforto.

Como eu disse, não sou um profeta da desgraça – não trago só o problema, trago a solução: nada.

Isso, nada. A pilha de lixo estará ali até o último dia da sua vida, te confrontando sobre o ser humano que você acha que é. Quando você tiver filhos e eles te desapontarem, você vai levar um tapa na cara por todas as vezes que você desapontou seus pais. Quando você cometer mais um erro, ela estará ali, para te mostrar como você é insignificante, e seria bem melhor que nem tivesse tentado começar.

Alguns chamam de karma. Outros invocam nomes de demônios para se referirem a ela. Eu prefiro chamá-la do que acredito que seja – consciência.

Uma consciência limpa não é um senso de ter feito tudo perfeitamente. Consciência limpa é ter a certeza de que, em algum momento da vida, decidimos que deveríamos fazer o melhor que pudéssemos, e realmente começamos a fazer isso.

É só quando deixamos de carregar esse lixo, ou tentar enterrá-lo, que de fato, o encaramos sob a perspectiva de quem ele realmente é – um lembrete do pior que podemos ser, e do que queremos nos afastar.

Você precisa, urgentemente, parar de se desesperar pelas consequências dos seus atos. Você precisa, mais do que nunca, sair desse ciclo vicioso que é a sua vida, de viver cada dia tentando consertar os erros do dia anterior. O que está feito, está feito. Assuma isso para a sua vida, e tente viver melhor que puder frente a isso.

Encare essa pilha todos os dias. Lembre-se dela a cada instante. Conviva com todos os seus erros com um único objetivo: não acrescentar mais nada a eles. Você vai errar mais vezes, claro. Essa pilha, invariavelmente, vai aumentar, eu e você sabemos que sim – mas você não pode perder o seu foco. Mantê-la estável o máximo que puder. Para que ela não te esmague. Para que você não a tema. Para que você não se veja, mais uma vez, no desespero do qual acabou de sair, quando tudo deu errado.

Porque ego, você sabe que alguma coisa vai dar errado.


*Ego (psicanálise): concepção que o indivíduo possui de si mesmo na realidade; figura que o indivíduo faz de si mesmo frente aos outros.