LINDOLFO

arte por Tig D.

Senhores, senhoras e senhoritos!

É com muito orgulho que venho cá divulgar o PRÊMIO LINDOLFO PIRES DE JINGLES POLÍTICOS 2014!

Na primeira edição, durante as campanhas eleitorais de 2012, tivemos mais de uma centena de votos, além de diversos concorrentes em vários estados do país: confira aqui quem concorreu ao I Prêmio Lindolfo Pires. Confira no vídeo abaixo o vencedor da edição anterior

Em sua segunda edição, o prêmio contemplará aquele candidato que, por mal ou por pior, se destacou devido à irreverência das canções utilizadas para se promover – e aqui, quem dá a voz é você: você mesmo, leitor!  Nesta mesma página teremos atualizações constantes com os novos vídeos e áudios que farão dessa Campanha Eleitoral o período mais bizarro da TV e da internet durante o ano – pior mesmo que durante a Copa do Mundo, pode ficar tranquilo. Você, durante esses meses, sentirá saudades da musiquinha do Itaú, da propaganda com o David Luiz ou até mesmo do choro do Julio Cesar antes do início de cada vídeo no Youtube. Nos acompanhe nesse período de alegria e alergia  à grande e real festa da democracia!

TÁ PERDIDO? CALMA, A GENTE TE MOSTRA O CAMINHO:

……PASSO 01…… (até 21/09)
CONHEÇA os candidatos ao Prêmio Lindolfo Pires. Analise os jingles, veja os perfis e fotos.
INDIQUE para a organização novos políticos para participarem da premiação

……PASSO 02…… (de 27/09 a 01/10)
VOTE no candidato que você escolheu.
TORÇA e faça campanha por ele.

……PASSO 03…… (02/10)
DESCUBRA o vencedor. E lembre-se: 2016 tem mais, e estaremos aqui!

Você pode nos enviar jingles que mereçam estar na competição:

  1. Na seção de comentários desse post;
  2. Por mensagem no Twitter ou Facebook;
  3. Usando a hashtag #Jingle2014 em qualquer uma das redes sociais anteriores!

Que vença o pior!

Declaro hoje, dia 29 de agosto de 2014, exatos 30 dias antes do resultado final, o início do fim! Sejam bem-vindos, candidatos!


Começamos bem, como sempre! Temos o nosso primeiro candidato com uma música já bem batidinha das eleições, nada como uma paródia de Lepo Lepo pra trazer a seriedade que o Acre precisa, não é mesmo? Boa, Gerlen Diniz!

Mas onde você vai com tanta pressa? Calma, filho, tem mais! E é do mesmo estúdio, que agora traz Nelson Sales com a amiga da minha irmã. Não, péra! Poxa, PV! Poxa, Marina! Vai levar disciplina da igreja hein, candidata!?

Tá bom, se o candidato anterior tá indo pra cima da amiga da minha irmã, alguém me explica o que tá acontecendo com o Branco, a gatinha assanhada? Ou fui eu que entendi errado? Péra, tá tudo muito confuso… Ele é do calafate? Alguém me explica o que raios seja um calafate? Seja o que for, precisa ir com muito carinho.., Eu, hein?!


E se você pensa que o Acre podia ter parado por aí, acredite: ainda tem mais por vir. Não bastasse toda essa bagunça dos nossos três primeiros candidatos, surgiu o Dotô Jadson, com uma paródia gospel de Pode chorar. Tá, eu vou repetir bem devagar pra você entender: Uma. Paródia. Gospel. De. Pode. Chorar. UMAPARÓDIAGOSPELDEPODECHORAR, MEUS AMIGOS! Será que eu já ouço o grito de É CAMPEÃO?!

Encerrando a participação de hoje da ACREMÍDIA, que poderia pelo tom bombástico de suas músicas no Prêmio Lindolfo Pires ser chamada de ACMEMÍDIA, de tão exacerbadas que são suas produções, temos (SIM!) o que o eleitor sempre quer (ISSO MESMO!): uma composição própria, VAI TOINHA! VIVA A MÚSICA AUTORAL!

E lá vem direto do interior da Bahia, temos João Rabeira, que é do povão, vindo junto com o Luiz Argolo(?), na primeira campanha conjunta com destino ao Prêmio Lindolfo Pires – aqui é inovação, galera! Lembrando que os votos serão individuais, ou você vota no Jão Rabeira ou no Argolo, nada de chapa branca aqui não rapá, é coisa séria!

Dozumdostrês, dozumdostrês, o bagulho é o Carlão, dozumdostrês

Por tudo e por todos, quase um D’artagnan direto dos pampas, lá vem CÉSAR PARANÁ, DEPUTADO DE SANTA CATARINA! Não, pera, isso tem que estar errado. Não, não pode ser. E aquele grito no fundo no meio do jingle? Gente, sério, isso tá errado.. É Hello, people mesmo? Eita…

Eu realmente acredito que esses caras merecem atenção só por conseguirem colocar o nome Samir Fouani numa letra de música,
isso não é pra qualquer produtor não, na moral. Ainda mais numa melodia tão rica e complexa como Lepo-Lepo (é, de novo…)

E lá no Ceará temos um velho conhecido da internet – o Lailtinho Brega, sabe lá Deus porquê com a bandeira da honestidade, com sim, isso mesmo uma terceira versão de Lepo-Lepo. Será que o cara que inventou essa música ganha algum trocado por versões que fazem da música dele? Se ele ganhar 1 centavo a cada 10 mil versões já dá pra tirar férias em Madrid nas Eleições de 2016, viu?


Agora já não é mais com a amiga da sua irmã, é direto na sua família, no sangue do seu sangue, é com a tua prima que esse cara tá mexendo, PÔ, BERG LIMA! Deixa a família de fora, mano, é feio mexer.

Eu não sei vocês, mas eu quero hiíÍÍÍÍLTOOOOOOOOooooonn cinquentacent-êncinquenta, porque esse desafinado do cantor ficou uó!

Não sei mais se voto nele não, porque de repente me bateu uma vontade de votánotôvotánotôvotánotô, EITA que esse bagulho fica na cabeça mais do que o refrão da música nova de arrocha-samba-enredo-maracatu-sertanejo-universitário. CÊ BESTA, Tom!

Guardem esse dia, senhores: Dia 06 de agosto de 2014! Neste dia tivemos o nosso primeiro candidato a governador no Prêmio Lindolfo Pires. Mas como somos todos paritários, horizontais, esquerdopatas reacionários (que dá um excelente nome de banda, por sinal), vai todo mundo concorrer à um prêmio só, sem diferenciações. Taca-le pau, Rrrrequião! (contribuição conjunta de @paiva_thiago e @novosomsalvador)

Se você pudesse fazer um jingle para um metaleiro, cabeludo, cujo número é 666, como você faria o serviço para o Lobão? Seja como for, eu te garanto que não seria assim (indicação de @MercyMercy)

E com música inspirada em TIHUANA(!), um Policial Federal (!!) usa um Need for Speed (!!!) do século passado no seu vídeo de campanha, provando que além de capivaras, ainda existe muito sangue no zói sul-matogrossense

Olha, eu realmente não tenho palavras pra algumas coisas que eu vejo, tô falando sério. Alguém explica, na boa? Me faltam palavras. Experiência de vida. Reconhecimento público. Sei lá, um pouco do yippie-yippie-yay. YO!Se ouvirem até logo depois da metade, vão reparar que chegou a pizza no meio do jingle, mas ficaram com preguiça de editar

Rapaz… Rapaz… Tudo bem que bigode tá na moda, mas precisava disso, seu Bigode?

As eleições estão encerradas! Conheça o vencedor 😀


Opinião

jeff-convinces-troy-to-play


O patinho feio ficou bonito. A órfã pobre se tornou princesa. Crescemos e amadurecemos ouvindo histórias sobre pessoas completamente perdidas, no fundo do poço, que se reergueram. O adolescente que sofria bullying e era trancado no armário da escola se tornou um multi-milionário. A mulher com obesidade quase mórbida que é triatleta. Nos inspiramos nessas histórias do ensino básico ao superior. O jovem advogado que pegou uma causa milionária quase perdida e fez sua fortuna de primeira. O gestor que revolucionou a empresa onde trabalha e quadruplicou seus ganhos pessoais numa trajetória ascendente fenomenal. O ator de uma peça da esquina que tropeça e cai num musical da Broadway.

À nossa volta as pessoas estão sempre ganhando, vencendo. Perdeu 35kg usando Herbalife e foi pago por isso. Investiu 100 dólares no eToro e hoje tem retornos semanais que beiram os quatro dígitos. A riqueza, a beleza, a vitória, todas elas ao nosso alcance. O mito capitalista da meritocracia vive forte, mas vive tão forte a ponto de fazermos questão de fingirmos que acreditamos nele – e de tando fingirmos que acreditamos, acabamos acreditando mesmo. Acreditamos piamente que tenhamos que vencer, independente do que seja esse algo, e que uma vez vencendo, seremos melhores daqueles que nós ultrapassamos pelo caminho. Na riqueza, na beleza, na santidade, nos relacionamentos.

Nos enganamos dizendo que iremos começar a dieta, que iremos economizar dinheiro, que iremos fazer isto ou aquilo, mas no fundo no fundo, ficamos chateados por não estarmos lá no fundo do poço para podermos subir na vida. Se não somos ricos, pelo menos é mais belo ser miserável do que ser medíocre. O miserável conseguiria se reerguer, o medíocre tem medo de perder o que já conquistou na tentativa de ganhar mais.

Conseguimos tornar a mediocridade o pecado mais sujo da pós-modernidade. É mais feio ser o cristão de banco do que o cristão glutão, ou o cristão prostituído – um apelo contra a rigidez da igreja consegue muito mais adeptos do que um apelo contra a insensatez de seus membros, ou contra a violência doméstica. Porque mais do que ter medo que descubram nossos defeitos, temos medo de sermos reconhecidos como conformados.

Nessa gincana pela vida mais bonita, mais vencedora, alçamos à cargos maiores na igreja, buscamos ir mais profundamente nos nossos relacionamentos, damos voltas e voltas para conseguir uma melhor posição no mercado de trabalho, fazemos dívidas para ir um pouco mais longe na viagem de férias (mesmo que tenhamos que vender quase metade dessas férias) e acabamos largando mão das frivolidades da vida.

Na busca pela vida melhor que a dos meus vizinhos, um sorvete não é apenas um pote de sorvete. São 17 reais a menos na conta poupança, são 3cm a mais na cintura, são 18 likes a mais no instagram. Ao postar uma foto de namoradinhos, são cento e tantos likes, uns 16 comentários e 3 ou 4 pedras do recalque alheio das inimigas. Uma foto de estudos, já são pelo menos umas 80 curtidas e 7 ou 8 mensagens de força, além de todos os pontos ganhos em respeito e confiança alheios. Vivemos uma vida de RPG. Fazemos nossas escolhas frente ao nosso destino como rolamos os dados para o Mestre que comanda o que acontecerá. Fazemos escolhas baseadas em benefícios e retornos sociais. Esquecemos que somos, vivemos, convivemos, namoramos e criamos seres humanos. Não estatísticas. Não reais. Não quilômetros viajados. Não memórias – muito menos as falsas, que insistimos em plantar em nós mesmos.

Um apelo à mediocridade, como única salvação em contraponto a uma sociedade utilitarista. A uma sociedade de vencedores. A uma sociedade de vidro.

Um apelo à mediocridade, como única reveladora do nosso verdadeiro caráter. Da nossa verdadeira face. E que uma vez reconhecidos como medíocres, possamos nos ajudar a caminhar, uns aos outros, uns com os outros, uns como os outros. Todos os patinhos feios que não eram cisnes, mas apenas patos de péssima aparência física. Todos os quatro-olhos espinhentos que não eram gênios, nem se tornaram milionários, mas quatro-olhos com rostos esburacados e famílias comuns. Todos os advogados com carro popular que, advogando, conquistaram novos carros populares com o passar dos anos. Todos atores suburbanos que apresentaram peças não-tão-boas assim para um público não-tão-grande-assim e não-tão-refinado-assim. Mas que consigamos olhar a vida que temos com orgulho do que fazemos. Das pipas que soltamos, quando pequenos, mesmo que por 5 minutos. Das vezes em que não perdemos de maneira nã0-tão-humilhante assim no MMORPG, e da fase 78 no Candy Crush. Da paçoquita de sobremesa e das mãos que nos recebem quando encontramos alguém que nos tem como queridos. As amizades conquistadas, todas tão medíocres como nós, e o passado que não-nos-dá-tanto-orgulho-assim.

Sejamos felizes conosco mesmos. Pelos 100 gramas que perdemos em dois meses. Pelo bombom da Erlan que ganhamos de um tio. Pelo lugar vago no coletivo. Pela linha de código que salvou o dia no trabalho. Pelos sorrisos conquistados entre a saída de casa e o retorno. Sejamos felizes com nossa mediocridade. E que ela nos leve aonde nós vamos, e queiramos de fato, ir. Não empurrados, constrangidos. Mas livres.


Utilidade Pública

Evil Abed

Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas

Se não há igrejas na Arábia Saudita não haverá mesquitas na Europa. A Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas, enquanto não permitirem a construção de igrejas no seu país. O governo da Noruega acabou de dar um passo importante na hora de defender a liberdade da Europa, frente ao totalitarismo islâmico. Jonas Gahr Store, ministro dos Negócios Estrangeiros, decretou que não seriam aceites os donativos milionários da Arábia Saudita, assim como de empresários muçulmanos para financiar a construção de mesquitas na Noruega

Segundo o referido ministro, as comunidades religiosas têm direito a receber ajuda financeira, mas o governo norueguês, excepcionalmente e por razões óbvias, não aceitarão ofinanciamento islâmico de milhões de euros.

Jonas Gahr Store argumenta que: Seria um paradoxo e anti-natural aceitar essas fontes definanciamento de um país onde não existe liberdade religiosa. O ministro também afirma que a aceitação desse dinheiro seria um contra-senso»,recordando a proibição que existe nesse país árabe para a construção de igrejas de outras religiões.

Jonas Gahr Store também anunciou que a «Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa», donde defenderá esta decisão baseada na mais estrita reciprocidade com a Arábia Saudita.

Via Midia Gospel


A internet, meus caros, é um grande telefone sem fio. Por exemplo, essa notícia, acima, da proibição de mesquitas na Noruega – todo mundo lembra a preula que deu quando um cartunista dinamarquês resolveu que seria uma boa ideia desenhar o profeta Maomé (maior profeta reverenciado pelos muçulmanos) usando um turbante-bomba, há cinco anos atrás. Surgiu então, na minha timeline um link, de um blog aparentemente duvidável, falando sobre a suposta proibição da construção de mesquitas na Noruega. Fui pesquisar. Uma das notícias que apareceu nas pesquisas é essa acima, e acreditem, apesar do nome do site, é uma das referências mais concretas com a notícia.

Quando li a notícia, percebi três erros crassos:

(1) O suposto ministro de “negócios estrangeiros” (embora a tradução oficial seja Assuntos Estrangeiros) saiu do cargo em 2012; 
(2) Não é de competência nem do Ministro de Assuntos (ou Negócios) Estrangeiros legislar sobre o tema, nem mesmo do Ministro da Economia/Fazenda Pública (cargo que ele ocupa hoje), mas do Parlamento;
(3) Só tem essa notícia em blogs cristãos (que não são bem conhecidos pela sua imparcialidade.

Fui à pesquisa. Como não encontrei nenhuma referência concreta à proibição seja de financiamento de mesquitas pela Arábia Saudita (o governo saudita investiria recursos públicos na construção de mesquitas no exterior? Como se proibir particulares de gastarem seu dinheiro em objetos específicos sem causar um incidente internacional?), resolvi mudar o foco da pesquisa. Fui procurar a proibição saudita de se construir/plantar/fundar novas igrejas no país. Cravando resultados no Google, encontrei mais notícias estranhas. Segue:

Destruição de igrejas católicas é exigida por autoridade islâmica

Meca (Segunda-feira, 26-03-2012, Gaudium Press) O grão-mufti sheikh Abdul Aziz bin Abdullah, alta autoridade clerical da Arábia Saudita, exigiu a destruição de todas as igrejas existentes na região do Golfo Pérsico. A decisão do governo do Kuwait de proibir a construção de novas igrejas no país, foi elogiada pelo sheikh, mas segundo ele a medida é pouca, pois é necessário destruir as igrejas que já existem. A exigência de Abdullah só não seria aplicada à Arábia Saudita, pois ali, não existe qualquer local de culto não muçulmano e qualquer outra manifestação religiosa já está proibida.

 

Além de ser a mais alta personalidade do clero da Arábia Saudita, o grão-mufti da Arábia Saudita foi considerado o 14º muçulmano mais influente do mundo pelo Real Centro Islâmico de Estudos Estratégicos, no ano de 2011. Nos países do Golfo Pérsico os cristãos são uma minoria, sendo sobretudo imigrantes. Em países como a Jordânia, Palestina, Iraque, Egito, Líbano e Síria, há comunidades cristãs significativas, mas o clima de perseguição religiosa tem aumentado também nesses países. (EPC)

Com informações da Rádio Vaticano.

Fonte: Associação Religiosa N. Sra. das Graças

Ok, vamos lá. Então nem repentinamente a Arábia Saudita começou a proibir a construção de Igrejas, nem a Noruega impediu coisa alguma – na verdade eu não sei o que a Noruega tem a ver com a história até agora. Mas uma coisa nesse link me chamou a atenção: a fonte. Fui então pesquisar no Gaudium Press, site dito como referência no início do texto, porém nenhuma das pesquisas retornou resultado.

Mesmo assim, eu já tinha uma história a seguir. Alguém tinha dito alguma coisa no Oriente Médio (tá vendo o problema da mídia cristã?). Foi então que encontrei o site da Agência Oficial de Notícias do Vaticano. Explico: por mais que Vaticano seja a sede da Igreja Católica, ainda assim é um país, e tem uma reputação a zelar (ou pelo menos deveria) no que tange à relações internacionais. Na NEWS.VA, há uma notícia que diz “O xeque Abdul Aziz bin Abdullah, Grão Mufti da Arábia Saudita (…) declarou que “é necessário destruir todas as igrejas da região”. A notícia continua:


A declaração do mufti foi feita depois que um parlamentar kuaitiano, Osama Al-Munawer, anunciou no mês passado, na rede social “Twitter”, a intenção de apresentar um projeto de lei para a construção de novas igrejas e lugares de culto não islâmicos no Kuwait. Recentemente, por ocasião da consagração de uma Igreja católica nos Emirados Árabes, os cristãos locais auspiciaram “a abertura de negociações para construir uma Igreja na Arábia Saudita”, visto que no Reino Saudita, segundo estimativas, vivem de 3 a 4 milhões de cristãos, trabalhadores imigrantes que desejam ter uma Igreja. Em junho de 2013, o Card. Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos povos, consagrou a nova Igreja de Santo Antônio nos Emirados Árabes Unidos, nas proximidades de Dubai , e uma nova Igreja dedicada a São Paulo está sendo erguida em Abu Dhabi. No início de 2013, o Rei de Bahrein doou à comunidade cristã um terreno para a construção de uma nova Igreja, a Catedral de Nossa Senhora da Arábia.

Fonte: News.Va

Então já temos um contexto: Após um parlamentar do Kuwait dizer que gostaria de fazer um projeto de lei para liberar a construção de igrejas no país, alguém disse que deveriam destruir todas as igrejas da região, e não construir mais. Só nos resta a pergunta: quem raios é Grão Mufti Abdul Aziz bin Abdullah? O site da Rádio do Vaticano (que tinha sido citada anteriormente), explica: Grão-Mufti é uma alta autoridade clerical, que pode emitir fatwas. Fatwa (ou fátua, abrasileirado) é um pronunciamento legal da religião islâmica – assim como Papas emitem Bulas Papais, que são consideradas leis religiosas para católicos e assim como Assembleias e Conselhos Eclesiásticos determinam doutrinas aos fiéis evangélicos, as Fatwas são ordenamentos aos muçulmanos, geralmente vindos de interpretações do Alcorão. Transportando para uma realidade ocidental, é como se um pastor evangélico dissesse, no morro carioca, que deveriam fechar todos os centros de umbanda e terreiros de candomblé. Não que isso seja realidade, é apenas uma suposição que pode coincidir com histórias reais.

Mas calma, não vamos discutir sobre a justiça ou injustiça desses ordenamentos religiosos. A internet é sim, um grande telefone sem fio. Um líder religioso da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Um líder da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Arábia Saudita vai destruir igrejas. É nesse ponto que entram pessoas mal-intencionadas, nessa bagunça de repostagem e mídia 2.0, o jornalismo que não é jornalismo e por isso não precisa de credibilidade, e acrescenta uma história  completamente bisonha, como essa da Noruega impedir financiamento de mesquitas. Em tempo: sim, na Arábia Saudita, assim como no Kuwait, é proibida a manifestação pública de outras religiões senão a muçulmana (nesse momento, um líder evangélico candidato nessas eleições coça sua barbixa enquanto pensa no paraíso que poderia criar com esse poder), como informa relatório do Departamento de Estado dos EUA:

The government claims to provide for and protect the right to private worship for all, including non-Muslims who gather in homes for religious services. This right was not always respected in practice and is not defined in law. Moreover, the public practice of non-Muslim religions is prohibited, and the Commission for the Promotion of Virtue and Prevention of Vice (CPVPV) and security forces of the Ministry of Interior (MOI) continued to raid private non-Muslim religious gatherings. Although the government also confirmed its stated policy to protect the right to possess and use personal religious materials, it did not provide for this right in law, and the CPVPV sometimes confiscated the personal religious materials of non-Muslims. Religious leaders and activists continued to face obstacles in expressing their views against the religious establishment.

Fonte: US Departament of State

“O governo diz que provê e protege o direito de culto privado para todos, inclusive não-muçulmanos que se reúnem nas casas para prestarem cultos religiosos. Esse direito não foi sempre respeitado na sua prática, e não está definido em lei. Além disso, a prática pública de religiões não muçulmanas é proibida e a Comissão para a Promoção de Virtude a Prevenção do Vício (CPVPV) e as forças de segurança do Ministério do Interior (MOI) continuaram a fazer batidas policiais em reuniões privadas de não-muçulmanos. Embora o governo também confirme a sua política de proteger o direito de possuir e usar acessórios religiosos, não há legislação nesse tema, e o CPVPV costuma confiscá-los de não-muçulmanos. Líderes religiosos e ativistas ainda enfrentam obstáculos em expressar suas visões contra o status quo religioso.”


Mean

É difícil saber quem são amigos e quem não são. É complicado olhar pra tela do computador e decidir o que compartilhar e o que guardar. Por um lado, despejar informações desnecessárias num extremo oversharing que vai ser prejudicial; por outro, afastar pessoas que não estão, por diversos motivos, tão perto da gente quanto gostaríamos – que ponto perdido no meio disso deveríamos nos encontrar?


(1) Redes de confiança

A questão sobre o compartilhar ou não compartilhar é um pouco mais antiga que as redes sociais ou o botãozinho “público/só para amigos” de “sites de relacionamento da internet”. Na verdade, toda a complexidade de relacionamentos interpessoais está exatamente nessa questão – o que compartilhar com fulano? Até onde me abrir? O que ele pode saber?

Ora, o problema não é necessariamente Fulano saber de X – o problema é o que ele faria com X; seria Fulano meu amigo suficiente para, sabendo de X, não frustrar a minha confiança e se aproveitar da minha abertura emocional? Não temos como saber. Mas, se parássemos aí, estaríamos num roteiro de dramaturgia mexicana, não nessa vida que é um pouquinho mais longa e mais complexa que os roteiros de “Amor a Mais de 100 Por Hora”, aquela novela da BAND que ninguém mais lembra.

Quando começamos a nivelar pessoas entre as que contamos segredos e aquelas que não contamos, não estamos apenas afastando aquelas que não são dignas de confiança – estamos criando barreiras entre elas. Explico: se eu conto toda a minha vida para A e B, parte dela para C e só mantenho aparências para D, eu me afasto parcialmente de C e completamente de D. Mas, ao fazer isso e manter A e B perto de mim, eu as afasto de C e D por consequência. Quando contamos segredos para algumas pessoas estamos as afastando de outras de sua convivência. Se A e C tinham uma amizade profunda, eu estou instigando A, para não trair a minha confiança, a manter os meus segredos escondidos de C, por mais prejudicial que isso seja a ambos.

Seria pois, culpa exclusiva de A compartilhar todas histórias com C, se este era seu amigo e confidente há muito mais tempo do que eu com o próprio A? Tenho eu como saber as intenções de A ou fazê-lo, ou, considerando que A tenha agido de boa-fé, a reação de C, mesmo que não o conheça? Confiando em A e B, não estou necessariamente confiando e ratificando suas amizades e redes de confiança próprias, que independam de mim?


(2) Aumento dos círculos de amizade

O problema é que quando acrescentamos o fator “redes sociais”, nós estamos complicando ainda mais a vida. Porque não se basta apenas a compartilhar com 5 ou 6 pessoas que podem replicar a notícia ou história para quem não queremos – é não poder quantificar a quantas pessoas eu estou disponibilizando a história X. O maior ponto positivo das redes sociais é o pressuposto para a sua pior face: hoje não precisamos estar fisicamente próximos de alguém para continuarmos íntimos.

Se estar afastado de alguém não significa perder a intimidade que já tive com essa pessoa, as redes sociais mudam completamente o paradoxo de intimidade e relacionamento. Porque, com o tempo, os locais que frequento e as cidades que moro, eu tendo a aumentar cada vez mais o círculo de pessoas íntimas, que não terão um relacionamento entre si (o que tende a ampliar o problema diagnosticado no ponto (1), Redes de Confiança). Se meus amigos íntimos não tem intimidade entre eles, tendem a conversar sobre o que digo com pessoas que me são estranhas – ampliando ainda mais o número de pessoas que terão acesso àquela informação.

Se essa dificuldade por si só já não fosse um problema, a forma que utilizamos as redes sociais para manter intimidade (ou uma aparência de intimidade) com meus amigos já distantes fisicamente, torna tudo ainda mais complicado. Quer dizer, já estou conversando assuntos íntimos com um número cada vez maior de pessoas, que irá replicá-los para um número ainda maior de amigos – e isso não é tudo.

Como vou manter essas pessoas todas informadas da minha vida, e como vou me informar delas? Haja e-mail ou MSN para falar de tudo. Mas se tivéssemos uma maneira de informar várias pessoas que passei no Exame de Ordem de uma só vez… Exato! Atualizamos status no Twitter, no Facebook, até mesmo no Google+, contando, de uma só vez, pra todos esses nossos amigos íntimos que, sim, agora somos advogados.

“É seu status, não o seu diário”

(3) E quando a bolha estoura?

Mas a vida é um pouquinho mais irônica. Pense comigo: você está então, mantendo a intimidade com diversas pessoas de uma só vez, porque a internet te permite isso, certo? Errado. Quando você tenta ser íntimo “em lote” ou a atacado, você não está sendo íntimo com ninguém. Aquelas suas notícias e as notícias dos seus amigos passam a ser mais um monte de informações que não tem tanta relevância pra você. Tudo bem, aquele sua amiga da 5ª série entrou no mestrado em Análise Macrobiótica de Sêmen Bovino, puxa, que legal. Dá um curtir ali. Mas as opiniões dela sobre a política econômica do governo Paes são sofríveis – sem contar aquele senso de humor das páginas que ela compartilha. E afinal, quem quer saber mesmo que a sua melhor amiga do ensino médio começou o quinto relacionamento e já tem fotos com o novo namorado como se estivessem juntos desde sempre?

Sem contar com a mãe daquele bróder da faculdade, que te ajudou a superar uma ex-namorada, aguentou seus porres de madrugada e foi uma mãe pra você (até organizando sua festa surpresa de aniversário quando você estava longe de casa) tentando te convencer de que o Silas Malafaia é sim, um cara legal, mas incompreendido pela sociedade e governo.

“-Eu saí com alguns amigos semana passada
-É, eu vi no Facebook.
-E eu vou lá naquele lugar em breve
-Vi no Facebook.
-Você tá me stalkeando?
-Não, você que posta demais.”


(4) O que fazer agora?

Admita: você não tem mais intimidade com essas pessoas. Dói, eu sei. Não é fácil perceber que amizades se perderam ou foram embora com o tempo. Mas é melhor lembrar das amizades que você já teve do que sofrer pra manter uma sobrevida numa intimidade que já se perdeu. Se foque nos novos amigos, em outros amigos ou em fazer novas amizades. Não é uma questão de abandonar o seu passado, mas se tocar de que a vida dá voltas, as coisas fluem e as pessoas (inclusive você mesmo) mudam; mudam de cidades, de prioridades, de objetivos, de estilos e de sentido.

Agora, quanto às suas redes sociais, segredos e com quem compartilhar histórias, eis um breve conselho: pode ser mais fácil, ser simplesmente quem é. Se for dar treta de qualquer maneira, prefiro ser detestado pelo que sou – de fato, eu já afirmei algumas vezes: Detesto mal-entendidos. Prefiro que as pessoas me odeiem pelos motivos certos. Não se preocupe tanto assim, afinal, haters gonna hate. Encontre em si mesmo, e em alguns amigos, ponto de equilíbrio. Se lembre que você não é personagem de uma série de TV e não precisa estar envolvido o tempo todo em tretas e histórias cheias de tensão. Você não precisa salvar o mundo de alguém e pode, simplesmente, caminhar para longe da confusão.


Utilidade Pública

Denver-Human-Trafficking

Semana anterior eu comentei aqui da treta envolvendo Luciano Huck, com sua afirmação muito descabida sobre tráfico sexual e como faltou não só tato, mas olfato, visão, audição e qualquer outro sentido que seres humanos tenham no apresentador e sua equipe de assessoria. Fazer só o post parecia pouco, até meio perdido no meio de tantas informações aqui do blog, então resolvi voltar ao assunto de uma maneira pouco convencional para o blog.

Trago aqui dois casos que saíram na mídia mas não foram tão explorados quanto poderiam. O primeiro, mais próximo, ainda é sobre ela mesma, a Copa do Mundo:


(1)

Foto: Ivan Pacheco / Veja.COM

Enquanto tentava se aventurar sem ingresso no Castelão, Dantas, do jornal O Povo, deu de cara com uma situação… complicada. Ele diz:

Um homem se aproxima de Larissa. “E aí, mudou de ideia?”, pergunta. “Você podia vender seu ingresso baratinho para mim, mas você não vende”, responde a garota.
Fica claro que o homem, usando uma camisa da seleção brasileira e um relógio aparentemente caro no pulso havia assediado Larissa anteriormente. “Não te vendo, mas te fiz uma proposta. Você topa?”. “Não quero namorar, não. Não vou ficar com você”, respondeu a menina. A resposta do homem não podia ser mais cruel: “então não posso te dar os ingressos”, e saiu sorrindo e mostrando os bilhetes para a garota.

Não vou entrar em detalhes de exploração sexual/prostituição, ou sobre quem ganha quem perde com a venda de seu próprio corpo, mas soa no mínimo estranho que em plena luz do dia, num dos eventos mais vigiados que já foram realizados nesse país (tá, no Maracanã deu treta com os chilenos, mas a presença ostensiva de policiais é intimidadora), um sujeito tenha a audácia de tentar cooptar uma mulher, se aproveitando da sua situação financeira, para vender seu corpo – em troca de um ingresso que pode ter valido.. R$30.

Mas aí você me diz que prostituição não é crime. Pois é, amigo. Prostituir-se, seja você homem ou mulher na sua carteira de identidade não é crime. Mas a história não termina aí. Diz o menino Código Penal lá pro art. 228:

Induzir ou atrair alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual, facilitá-la, impedir ou dificultar que alguém a abandone:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Trocando em miúdos: se uma prostituta se oferece pra você, na lei tá tudo certo, tudo tranquilo. Mas se você joga a ideia para uma pessoa, meu amigo – xilindró. Não vou ser hipócrita com o Dantas, comprar briga naquelas alturas do campeonato seria contraproducente para ele, para o trabalho dele e até para a garota.

Mas chega a ser surreal que alguém cometa um crime que tem mais que o dobro que a pena de desacato (alegação que levou milhares para a cadeia durante as manifestações, cuja pena máxima é DOIS ANOS) no meio de tantos policiais e profissionais de mídia. Não se levante de raiva ainda não – tome um chá, pegue esse comprimido e acompanhe esse outro caso que te trago.


(2)

Foto: Governo Malaio

Talvez não tão impressionantemente assim um caso que chocou o mundo não saiu na mídia brasileira, nem online, nem de papel, nem mesmo em blogs. Digo ainda mais: nem mesmo uma postagem pública no Facebook foi feito no Brasil noticiando esse tema. Chato, né?

Vou resumir a parada toda: Dia 9 de maio, sexta-feira. O diplomata da Malásia na Nova Zelândia, Muhammad Rizalman bin Ismail, achou que seria uma ideia sensacional seguir uma mulher, nove anos mais nova que ele, estuprá-la e assaltá-la. Questionado pela Justiça, alegou imunidade diplomática e fugiu de volta pra casa. Simples assim.

A situação é tão esdrúxulam que o Ministro de Relações Exteriores da Malásia (país do diplomata) foi obrigado a dizer o óbvio para redes internacionais: “Só porque ele é um diplomata não quer dizer que vai sair impune, imunidade diplomática não serve para cometer crimes”. O governo malaio, embora possa se tornar responsável pelo processo em seu país está pensando seriamente (notícia divulgada hoje, pelas mãos do Ministro de Relações Exteriores, está pensando seriamente em devolver o diplomata para que o processo judicial corra na Nova Zelândia – e olha que isso envolve extraditar um cidadão nacional e que, se não bastasse isso, ainda é de alta hierarquia do governo federal.


A questão é que não dá mais para discutir abuso sexual como se fosse algo da cultura de países distantes, como a Índia, ou discutir prostituição como se fosse algo apenas brasileiro. Os trilhões que o tráfico de seres humanos movimenta começa aqui nos R$30 de um ingresso pra ver um jogo qualquer da Copa e deixar um irmãozinho mais feliz, e permeia toda uma sociedade que aparenta não ligar e não ter limites.

Não é possível se discutir sobre liberdade sexual quando pedir sexo em troca de qualquer outra coisa se torna corriqueiro – ninguém consegue se tornar sexualmente livre sob essa demanda. Essa cultura precisa, urgentemente, ser combatida. Precisamos, desesperadamente, integrar quem vende o corpo para sobreviver à sociedade. É um ser humano. Parte de uma família. Despedaçada, abusada, transtornada – mas gente como a gente. Que corre, que dá um jeito e faz o que pode e o que não pode para viver um dia depois do outro. E não merece ser usada como mercadoria para lucro alheio, sob hipótese alguma.

E se isso acontece, a culpa é cada vez mais minha e sua, que não presta atenção no que acontece no mundo – nem do outro lado dele, nem do nosso outro lado.