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Não é sobre Dilma, Aécio ou Marina; nem mesmo sobre Eduardo, Luciana ou Levy. Nem seria sobre Eymael, ou qualquer outro candidato a um cargo eletivo. Não é sobre as eleições ou quem vai ganhar poder ou perdê-lo. Poder político é uma ilusão. Dê uma caneta ao homem e ele crerá que pode mudar o mundo com um pedaço de papel – mas não é bem assim.

Vivemos o mundo que gostaríamos de viver. Não é sobre capitalismo, comunismo ou mesmo escambo ou uma sociedade comunitária. Não é sobre a alternância de grupos de poder. Mais à esquerda, mais à direita, mais ao centro. O poder está na manutenção do status quo. E uma revolução popular, uma guerra civil ou uma evolução social não alterarão o status quo. Dê poder ao povo – nada, em si, mudará. O problema que escolhemos viver está bem mais próximo de nossos próprios olhos.

Não somos membros dos Ministérios de George Orwell apesar de conjecturarmos mil e uma coisas sobre conectividade e grande mídia. Somos todos proletários, aquele povo de vida pacata que sobrevive às mudanças sociais sem vê-las acontecer.

Desculpem-me Adorno, Lazarsfeld e, bem, quase todos teóricos da comunicação de massas. Sim, a mídia de massas tem sua característica de manutenção do poder – mas não é de sua essência. É da essência do homem, manter o que se há. Como bem disse Walter Lima, “o jornalista gosta de novidades, mas teme mudanças”. Todo homem teme mudanças – afinal, todos nós temos um pouco a perder.

Se todos temos um pouco a perder, nunca faremos uma mudança completa, não é mesmo? Sempre daremos um jeito de fazer uma mudança que não mude tanta coisa assim. Só balanceamos um pouco da equação em nosso favor. Sempre foi assim, sempre será assim.

Quando a burguesia se irritou com o autoritarismo dos senhores feudais, não libertou os servos e endividados, apenas tomou o poder pra si. Quando os franceses derrubaram a Bastilha e decapitaram os reis, não mudaram o sistema econômico opressivo. Aliás, mudaram: a seu favor. Quando os czares russos caíram e a revolução socialista obteve êxito, não foi pelo bem comum. Foi pelo bem da ideologia.

Então me perdoem também o DCE, o PCO e outras siglas de revolução do sistema econômico. A liberdade não está com vocês. Perdoem-me os sinceros defensores de um Estado tão laico que candidatos de uma religião específica não poderiam se candidatar, vocês não tem a palavra que vai libertar os religiosos de seus cabrestos. Me perdoem líderes religiosos, que têm uma Verdade mas cujos sonhos e planos se distanciam cada vez mais dEla – vocês não são capazes de trazer a Luz divina para todos os povos e nações.

A revolução não estará na troca de poderes, nas políticas macroeconômicas, no incentivo à agricultura familiar e ao veganismo. A mudança de fato não estará num transporte público eficiente, em médicos cubanos, eslavos ou alagoanos. O que mudará o status quo não estará por ali: porque, em matéria de disputa de poder, isso tudo não passa de uma briga de moscas, disputando o pedaço mais apetitoso do estrume ruminado.

O poder não está nos títulos, nos salários ou nas instituições (e já peço desculpas a quase todos sociólogos e economistas que escreveram algo nos últimos anos): o poder está aqui, e aí. O poder está no seu olhar quando você ultrapassa as barreiras que você mesmo criou entre quem você é e quem você precisa ser. Nas barreiras entre o que é seu, e o que é o mundo lá fora. Nas barreiras entre o zero e o negativo da sua conta bancária. Nas barreiras entre você e sua esposa, ou marido. Ou colega de quarto. Ou vizinho.

O poder está nas barreiras que você constrói. E quanto mais barreiras constrói, menos poder você tem. E mais o status quo se fortalece.


Opinião

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“Essa geração é a geração mais burra de todos os tempos. Não sabem fazer nada sozinhos, dependem sempre de alguém ou alguma ferramenta que faça por eles. Não sabem se virar, estão cada vez mais dependentes da tecnologia e de alguém para ensiná-los. Cadê a curiosidade? Cadê a vontade de ser independente? Mas não, eles só pensam neles mesmos e naquelas coisas que carregam para todos os lados”


Virou lugar-comum falar dos jovens. São dispersos. Não respeitam nada. Não querem aprender. Se esqueceram do que é importante. Eu imagino que isso deve ter acontecido várias vezes durante a história da humanidade, e, por incrível que pareça, essas novas gerações cada vez mais burras têm sido cada vez mais eficientes. Quer dizer, o homem descobriu técnicas novas de conseguir energia que não precisasse transformar todas as árvores do mundo em lenha. Descobriu maneiras diferentes de guardar um texto escrito sem precisar transformar toneladas de madeiras vivas em papel (com uma durabilidade muito maior!). Como chegar mais longe, mais rápido de maneira mais segura e gastando menos combustível. Como alimentar mais pessoas, produzindo mais comida num menor espaço que agride ainda menos o meio ambiente.

Quer dizer, toda vez que uma geração se torna mais burra, na verdade ela está se adaptando a um novo paradigma e os reclamões – que nem sempre são mais pessoas velhas, apenas pessoas novas apegadas a velhos conceitos, não vejam o panorama geral – e a gente pode desenhar cinco situações simples pra compreender como isso funciona hoje (e como provavelmente funcionou alguns anos atrás), se liga comigo:

(1) Essa geração não sabe escrever!

Novas reformas ortográficas, contrações, aportuguesamentos de palavras estrangeiras que já existiam no Brasil ou seriam facilmente adaptáveis com um pouquinho de boa-vontade dão calafrios nos níveis intelectuais mais altos. No anúncio desses eventos, algumas pessoas tendem a agarrar o seu primeiro exemplar de Camões e a chorar no cantinho escuro do quarto, em posição fetal.

O engraçado (ou pelo menos interessante dessa história toda) é que as línguas nunca foram estáticas. Quer dizer, o latim não foi pra UTI do dia pra noite, quando deu luz à diversas linguazinhas que seriam suas descendentes. O latim foi sendo estrupado com o passar do tempo, através de péssima ortografia, falta de semântica e uma provável conjugação verbal de matar o latino dono da padaria (afinal, o português, ao menos linguisticamente falando, é latino).

Mas essa geração que escreve akivc, tu vaiqq se kerqqr um está matando a indústria panificadora inteira de uma vez só – e isso não necessariamente é ruim. Imagino a cara dos grandes fazendeiros ao ver seus filhos transformarem o vosmecê em você, assim, sem nem pedir autorização nem completar a palavra. VOCÊ, cara. Que palavra horrível. Mais ainda: imagino a cara dos colonizadores portugueses vendo aquele bando de filhos de seus compatriotas com as índias, se achando completamente europeus e falando vosmecê como um bando de caipiras tentando falar vossa mercê. Um bando de analfabetos funcionais.

E não pára por aí – não basta não conseguirem falar direito, esses moleques não sabem escrever direito! Quer dizer, eles mal conseguem usar papel e caneta, tudo eles fazem com ajudinha do computador. Não tem memória nenhuma, por isso não aprendem nada. Querem tudo fácil, tudo na mão, tudo digitando e escorregando o dedo no Swype. Exatamente a mesma coisa que o pajé, analfabeto, pensava do português que, pra não esquecer de algo, precisava ficar escrevendo e escrevendo e escrevendo. Onde já se viu um povo sem tradição oral? Sem que todo mundo soubesse sua história, de cabo a rabo, puxando pela memória de viver e de ouvir falar? Os portugueses, esses sim, eram um povo mais frágil, sem todo o desenvolvimento intelectual de um aborígene americano. Não conseguiam nem lembrar de uma conversa se não dependessem de um pedaço de papel higiênico, quem dirá achar o caminho de casa depois de uma batalha – inúteis. Sempre dependentes de papéis. Carregam pra lá e pra cá e vivem entretidos com aqueles montes de blocos em branco enquanto a vida acontece à volta deles.


(2) Essa geração tem tudo na mão!

Tudo. tudo tudo – exatamente tudo está na internet. Fritar um ovo? Tá lá, em textos, imagens e vídeos. Dar um presente? Tá lá, em diversos tamanhos, preços e prazos de entrega. Fazer um curso? Tá lá, em diversos sites, quantidades de vídeo-aulas e certificados de quantidades impressionáveis. Satisfazer o sexo oposto? Tá lá, das maneiras mais conservadoras (fazendo um chocolate) até as mais ousadas (se colocar morango vira sorvete napolitano). Eles não encontram dificuldades, por isso não vão saber lidar com problemas na vida futura – imagine que a crise de um pré-adolescente hoje é ficar sem celular – ou pior ainda, sem internet (celulares sem internet são inúteis pra essa galera).

Por isso tanta gente mimada. Não precisou fazer um curso de datilografia. Quer dizer, de caligrafia. Quer dizer, aprender o ofício com o pai. Quer dizer, plantar e colher no mato, com as mãos nuas. Quer dizer, a caçar sua própria comida – não, pera! As necessidades mudaram. Ninguém nas cidades precisa, há um bom tempo, saber fazer fogo com duas toras de madeira pra fazer uma refeição. Na verdade, há alguns anos, ninguém precisa fazer fogo com um fósforo em muitos lugares do planeta. São seres menos desenvolvidos por nunca terem esfregado dois galhos secos de uma árvore? Terão depressão por nunca terem gastado uma caixa inteira de fósforos até que a lenha perdesse a umidade e pudesse pegar fogo?

Acho difícil. Os desafios são outros. O caminho para a liderança da matilha é outro. A forma de dominação e subjugação é outra. Nos anos 90, você chegava ensanguentado depois de apanhar do coleguinha mais forte. Nos anos (dois mil e)10, você chega sabendo que é a pessoa mais escrota do universo e não conseguirá nunca ser alguém na vida. Além de ser gordo, idiota, burro, feio, babaca e retardado mental. Mas para as crianças que já nasceram velhas, isso tudo é frescura. Não existe bullying. Bullying é apanhar na escola. Bullying é ser morto pelo lobo-alfa da matilha. O resto é frescura.


(3) Essa geração não dá valor em nada!

Não se faz mais as coisas importantes na vida (seja lá quais forem). As pessoas não tem mais rituais de passagem. Anos atrás, você tinha a passagem para a puberdade, que o pai, carinhosamente ensinando ao filho as relações familiares de afeto, carinho e o que prezar num relacionamento, levava o filho a uma casa de tolerância para entender o que realmente é uma mulher de verdade. Não é mesmo?

Antigamente, as crianças passavam a noite inteira, soltas na selva, molhados, nus e só com uma lança e só eram aceitos de volta na sociedade se voltassem após matar um tigre ou um urso, o que parecesse mais aterrorizante.  Hoje esses meninos estão aí, sem saber o que fazer com suas genitálias, sem saber chegar numa mulher por causa disso! Saudades Piteco, ele sim sabia lidar com o sexo feminino como ninguém.

Meninos não viram homens, meninas não viram mulheres e essa geração não respeita nada.  Não tem um pingo de discernimento entre o divertir e o trabalhar. Querem trabalhar se divertindo, querem divertir-se trabalhando. Onde já se viu isso? Trabalho precisa ser chato, por isso começa com TRA de TRAnstorno por um motivo, amiguinho! Trabalho, pra última geração, precisa ser chato, precisa ser tedioso, precisa ser maçante – pra dar dinheiro. O trabalho que dá pouco dinheiro, mas é divertido, é sagaz, nos faz bem não vale. Essa nova geração tem um racha gigantesco entre pessoas que querem ganhar dinheiro desesperadamente, pulando de um emprego pra outro e acumulando freelas e pessoas que só querem ter… bom, na verdade nem estão tão preocupados assim em ter, é mais aquela coisa de trabalho-barzinho-cinema-casa. Sabe, de gostar da rotina, economizar pra viajar uma vez por ano? Então, quem tá acostumado a bater ponto no escritório não consegue entender esses estilos de vida.


(4) Essa geração só pensa naquilo. É isso aí mesmo, que você tá pensando!

Cresceram sexuais. Usam maquiagem desde pequenas (às vezes até desde pequenos), dançam funk até o chão em festas de aniversários que o cajuzinho ainda é aquele docinho feito realmente de caju e só querem conhecer e pegar alguém – com certeza irão engravidar antes dos 15. Aparentemente quem fala isso pulou direto de 1930 para 2014, porque não viveu o É o Tchan nos anos 90 ou Menudo nos anos 80, com letras e coreografias que passavam bem longe da moral e dos bons costumes – e não adianta falar que era restrito a uma classe social.

Crianças sempre tentaram parecer adultos. Por isso que a menina insiste tanto em tentar pegar a maquiagem da mãe (mesmo que não saiba como usar) e meninos já pensam logo em suas profissões. Todo mundo quer crescer, ser maior, fazer mais coisas sozinho sem depender dos outros. É isso que nos move, que move a sociedade, que move os cientistas e inventores. Fazer mais, fazer melhor. Ir mais longe, como indivíduos e como raça. Uma criança antes da puberdade que quer parecer adulto não está pensando em transar, está pensando em ser independente. Como, no fundo, todos nós fazemos até hoje quando chegamos à noite e deitamos na cama.

Mas porque então de repente tudo que os adolescentes fazem parece estar ligado ao sexo? O maior problema é o alcance. Antigamente, tudo que acontecia entre dois adolescentes ficava entre eles, ou um grupo de amigos em comum. No máximo no máximo toda a escola ficava sabendo de alguma bobice que eles fizeram quando não tinha ninguém vendo. Agora, qualquer bobice está ao alcance de qualquer pessoa com 3G na mão – e isso é muita gente. Não precisa conhecer uma pessoa pra ver suas fotos íntimas circulando no Whatsapp, não precisa ir ao clube pra ver aquela garota de biquíni – e não precisa ser amigo de ninguém pra saber quanta gente essa pessoa já pegou. É tudo domínio público já – talvez a noção do fim da vida privada que assuste mais os mais velhos do que as bobices feitas pelos ouvintes do Jonathan da Nova Geração (que já tá bem antiguinho, por sinal) – mas fazer bobice sempre foi mainstream.


(5) Essa geração não sabe o que quer!

Antigamente, você terminava o que começava. Entrava numa faculdade, não gostava? Ia até o final, oras. Vai fazer coisa malfeita? Entrava num namoro, tava ruim? Tentava melhorar. Arrumava um emprego que o chefe é chato? Lidava com isso. Hoje não: todo mundo quer desistir de tudo. A pessoa começa 5 faculdades e não completa nenhuma, porque não gostou. Namora e separa três meses depois porque descobre incompatibilidade de gênios. Qualquer carão que leva do chefe já tá com a carteira de trabalho na fila da Caixa pedindo seguro desemprego.

Engraçado essa falta de direito ao arrependimento. Não gostei de um curso na faculdade vou ter que ficar mais três, quatro, cinco anos estudando algo que detesto pra trabalhar numa coisa que odeio só porque aos 16, 18 anos eu não sabia direito o que ia querer da vida (se é que houve escolha)? Descobri que namoro uma pessoa completamente insana e tenho que ficar com ela porque, oras, porque sim? A liberdade de hoje incomoda quem já foi muito preso – não porque acha que todos precisam sofrer como as gerações anteriores sofreram, mas porque tiveram sonhos, desejos e vontades tão oprimidos que começaram a acreditar naquilo que seus opressores diziam.

Quando alguém da velha guarda diz que esses jovens precisam é de uns sopapos pra consertar a vida, é porque levou tanto tapa na cara quando novo que só sabe reproduzir o sistema. É por isso também que é um absurdo pra alguém com mais de trinta anos abandonar a faculdade – ou pior, trocá-la por um curso técnico de outra área. O diploma é sagrado (vide item 03), o relacionamento também e tudo que você pensar em fazer precisa necessariamente cumprir, senão algo de muito ruim pode acontecer (e acredite, vão usar qualquer coisa, qualquer mesmo)!


O aprendizado é simples: da mesma forma que você não é tão bobo quanto seu tio acha que você é, seu sobrinho não é tão besta assim. Vocês viveram contextos diferentes durante a juventude – por mais que você tenha vontade de falar juventude leite com pêra (leite com pêra deve ser horrível por sinal), para quem nasceu nos anos 70 você parecia bem mimadinho. Se quem nasceu nos anos 2000 é piá de prédio, você era chamado de moleque do asfalto.

Opinião

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Quando você perguntava a um estudante de Comunicação o que o tinha atraído pra sua área de estudo, o que ele mais tinha gostado e queria fazer, você invariavelmente ouvia a resposta – a redação jornalística. Mistificada por milhares de filmes e produções dos anos 80 e 90, em que super-heróis viviam em meio a colegas jornalistas e gente como a gente destruía governos e corporações, a ideia de redação como ela foi criada, já desapareceu há muito tempo: e só há dois tipos de pessoas que insistem em não perceber isso: estudantes de jornalismo e sindicatos.

Estudantes não quererem perder a visão romantizada de um jornalista correndo atrás de uma pauta com nada mais do que o seu bloquinho (nos últimos anos o smartphone) e um faro apurado para notícias  é perfeitamente compreensível. Todo estudante ou profissional em começo de carreira romantiza a profissão: estudantes de Direito fantasiam suas defesas em Tribunal de Júri, estudantes de Medicina sonham em salvar a vida de um caso perdido, ou pegar um parto impossível e conseguir salvar a mãe e o bebê, estudantes de Engenharia sonham com construções megalomaníacas – tudo isso faz parte. O que não dá pra entender é porque os sindicatos e associações de jornalistas estão fazendo até o momento.


Vamos aos casos:

Dá pra entender, pelos nomes envolvidos e pelas circunstâncias, que não é uma crise de mercado. A Folha passa muitíssimo bem.  O Portal Terra nem se fala. Mas porque essas demissões? E mais importante: Porque as associações de jornalistas estão tão provincianas quanto a OAB? Reserva de mercado pra um mercado que não existe?

O que os jornalistas não perceberam ainda é que não adianta lutar pra obrigatoriedade de diploma e exclusividade de jornalistas em redação – até porque não adianta ter um diploma se não há nenhuma redação para trabalhar. Aí eu te pergunto: porque os Sindicatos de Jornalistas batem tanto na “obrigatoriedade de diploma”? Porque você não ouve nenhum pronunciamento oficial sobre as demissões e sobre “perspectivas de futuro”? Será que o único modo de se fazer jornalismo continua sendo atrás de uma mesa, sendo pago por um único chefe e entregando todas as notícias pra ele, alcançando o sonho da CLT?

Se assim o fosse, o jornalismo não estaria morrendo de pouco em pouco. O que jornais (e aparentemente jornalistas) não entenderam é que sociedade da informação exige um pouco mais do que o mercado de trabalho nos anos 80. Se isso é bom, se é ruim, depende de o que nós vamos fazer com as informações que temos e como vamos planejar o futuro do jornalismo – e isso se faz desde logo, em sala de aula e em assembleias de sindicatos. Preparar alunos para um mercado de trabalho inexistente é hipocrisia, fingir para associados que os velhos tempos vão voltar é sacanagem com quem tá começando agora e tem milhares de sonhos. Não dá pra ensinarmos empreendedorismo? Freelancer? Fazer cursos de reciclagem e aprendizado em equipe? Dinamismo? Precisamos mesmo que todos os jornalistas dependam financeiramente de alguém e não consigam sobreviver como PJs? Se essa é uma possibilidade de futuro, porque não ensinamos isso -dentre várias outras coisas0 aos estudantes, ao invés de fazer a eterna discussão ‘vontade de publicar’ vs ‘medo de perder o emprego’?

Ou é sério que vocês vão ficar todos parados olhando isso acontecer e debatendo em sala de aula como o mundo é injusto?