Opinião

Todos nós nos identificamos com Jessica. Este pode ser, claramente, um dos maiores ganchos para a série fazer tanto sucesso. Ao contrário dos quadrinhos e super-heróis em geral, Jessica tem algo muito mais humano do que Batman, Homem-Aranha, o Coisa ou o próprio Demolidor.



Sim, como circula o texto pela web, Jessica Jones não é sobre super-heróis. Jessica Jones é sobre abuso, das mais abrangentes e diversas formas possíveis. Abuso físico, abuso sexual, abuso psicológico. E assim como toda vítima de abuso, Jessica se sente co-responsável por todos que passaram pelo caminho dela e sofreram com as consequencias.

Jessica é gente como a gente. Não é como um super-herói que não se preocupa com as pessoas que estavam no prédio que caiu durante a briga entre ela e o super-vilão. Jessica sente a morte de cada uma das pessoas que estavam no caminho entre Kilgrave e ela. Ela não entende o conceito de dano colateral, de bem maior. Jessica é como cada um de nós somos, lá dentro: procurando a auto-punição por erros que cometemos – sejam eles responsabilidade nossa ou não. Jessica Jones é uma série transparente, que mostra como tudo que acontece conosco tem profundas consequências em todos aspectos de nossa vida. Como toda série, vai ao absurdo – o abuso pelo controle da mente.

O problema é que Kilgrave, em sua essência, também é gente como a gente. Não é preciso controlar a mente de alguém para que essa pessoa faça a nossa vontade. Fazemos isso o tempo todo. Joguinhos psicológicos, frases soltas na lata, torturamos os outros a todo o tempo. Torturamos para não sermos torturados. Levantamos nossas defesas no dia-a-dia, tentando fugir do controle alheio. Usamos de desculpas esfarrapadas, como um trauma antigo ou uma decepção nova, para nossas atitudes mesquinhas e ególatras. Queremos controlar o que acontece à nossa volta, mas não por uma falsa sensação de segurança: é pelo poder.

Somos tão Kilgrave quanto nossos egos nos levam a ser; somos tão Jessica quanto nossa consciência permite. A diferença é que, bom, esta é a vida real, e a gente pode fazer o ciclo de abuso parar. O que fizeram a nós não é desculpa pelo que fazemos aos outros.



(resolvi colocar a foto do David Tennant como o 10º Dr Who porque não consigo assistir JJ sem lembrar dele)

Pics

Vamos lá, sejamos sinceros, sem nenhum espírito de vira-latice: brasileiro é um povo meio estranho, né? Mas das coisas mais estranhas que já vi neste país, de ladrões roubando carros durante briga de trânsito, galinhas gigantes causando caos no trânsito, esposas que conseguem convencer maridos que estão grávidas de quadrigêmeos usando barriga de silicone e minuto de silêncio oficial no Poder Legislativo pelo casamento de George Clooney, nada chega perto do deslumbramento que nossos compatriotas ficam ao ver como é a vida fora do país.

Tudo bem, você fazer uma viagem e se surpreender com Pringles ser vendida a US$2,50 no Shopping China, ou com câmeras profissionais a menos de US$2.500,00 – esse choque de realidades faz parte. O problema é quando o sujeito mora no país e continua se surpreendendo com tamanho dos frascos de ketchups (!) e com cupons de desconto (!!). E a galera não se contenta em agarrar as coisas ou mandar foto para os amigos – elas precisam gravar vídeos e colocar no YouTube pra ostentar coisas…. normais.

Então, para te dar dor de cabeça, tristeza na vida e porque não mais motivos para se envergonhar de falar a mesma língua de Pero Vaz de Caminha, decupamos aqui nada mais nada menos do que QUATORZE bons ÓTIMOS motivos para ir morar nos Estados Unidos. Tenho certeza de que possam existir outros menos importantes, mas isso não vem ao caso.



DIFERENÇAS DE VIVER NOS ESTADOS UNIDOS

(1) Você pode comprar ketchups gigantescos e admirá-los (posta foto abraçado com o ketchup no instagram!) [00:59]

(2) Se o produto tiver defeito você pode trocá-lo na loja (?!) Aí eles te dão dinheiro! DINHEIRO (mas você vai ver, lá no 03:23 e o dinheiro é voucher da loja…) [01:40]

(3) O PÃO JÁ VEM CORTADO GEEENTE, VOCÊ NÃO PRECISA CORRER O RISCO DE SE CORTAR CORTANDO O PÃÃÃO!!ONZE(opa, ONE)!!! [03:44]

(4) Não é feio levar comida pra casa, no Brasil é. Bom, pelo menos segundo ela. [04:34]



(5) Muito mais fácil lavar roupa – você pode ir numa lavanderia e pagar pra usar a máquina, IMAGINA SE TIVESSE LAVANDERIAS NO BRASIL GENTE QUE LOUCURA! [05:43]

(6) Você pode colocar a roupa pra secar dentro de casa, no Brasil só pode colocar roupa no varal externo, aí pega poeira, pólen (!) e animais peçonhentos aí você morre de alergia ou um dinossauro escondido na manga da sua regata pode te comer [06:30]

(7) Você não precisa avaliar o serviço pra ver se merece gorjeta – ou qual o tamanho dela, ela já vem inclusa no preço do pacote, OLHA MAS QUE MARAVILHA, NÃO PRECISA NEM PENSAR! [09:30]

(8) Os lugares que são seguros tem segurança, mas nos lugares que não são seguros não há segurança (a recíproca não é verdadeira, atentem-se) [11:07]

(9) Você pode fazer muitas cagadas no trânsito, deixar o carro morrer no sinal porque eles param longe uns dos outros [13:20]

(10) Você pode comprar pacotes que tem fecho automático WALL [16:05]

(11) Você pode fazer A FESTA com pasta de dentes. Tipo, a festa MESMO. Só não esqueça de chamar o dentista [17:07]

(12) As amostras grátis são grátis, mas não só isso: elas vem de graça e sem custo algum. Juro. [18:30]



(13) As caixas de encomenda são bonitinhas (AGORA SIM, PARTIU EUA FORA DILMA) [18:51]

(14) Lá tem aqueles cupons de desconto (aqueles que vinham na lista telefônica da sua vó, lembra? Que ela sempre falava que ia usar quando chegava a lista nova mas nem lembrava até janeiro do ano que vem) [23:09]

Tem como ficar no Brasil? Não tem né galera, por favor…