Muitos, na verdade quase todos vocês não sabem, mas eu fundei esse blog há (quase) cinco anos. Fundei esse blog porque precisava de um espaço específico pra escrever sobre tudo. Precisava ter um espaço em que eu pudesse me referenciar, deixar algumas coisas escritas que acredito, que sinto e que vivo fáceis de se acessar para citar para outras pessoas. É praticamente impossível encontrar um post que você fez em 2011 no Facebook sobre um assunto específico sem ter o link direto dele guardado. E foi mais ou menos assim que isso aqui começou.

No começo, foi um depósito para meus versos (podem olhar se quiserem, mas não recomendo muito não) mas logo ele passou a hospedar o que hospeda, no fundo, até hoje. Reflexões, conversas e ideias que vão de discussões sobre o Período Eleitoral de 2010 até o sensacionalíssimo Prêmio Lindolfo Pires, que teve sua segunda edição ano passado.



Creia ou não, todas essas histórias se desenvolveram de conversas pelo Twitter. Você que só tem seus conhecidos e meia dúzia de redes de notícias no seu feed pode até não acreditar, mas o Twitter tem um potencial de amizade que nem o mais ingênuo ChatUOL ou o mais cabaço Facebook Gospel que possa existir. As pessoas e histórias que só foram possíveis na minha vida através dessa que era chamada de micro-rede social lá pros idos de fevereiro de 2008, quando me inscrevi, chegam ao ponto da surrealidade.

E hoje é o dia que eu chego ao 499º post nesse blog – e último dia como @Abigobaldo naquela rede social. Conheci várias cidades simplesmente porque alguém olhou pro meu twitter e deu um voto de confiança em mim. O Cristiano Machado e o Rafael Faria me hospedaram em suas casas. O Cleber de Sá me deixou viver com sua família por alguns dias pra entender o trabalho e a vida deles. O Thiago Paiva me colocou pra dentro da sua família e da família que seria a dele alguns meses depois. O Bruno Figueredo apostou sua reputação em mim, ao me indicar para um emprego que eu não tinha a menor experiência, mas que queria feito louco. O Ronnedy comprou a ideia e levou um bando de desconhecidos pra sua própria casa. O Tig Vieira resolveu mudar completamente de vida e me inspirou a fazer o mesmo – de maneira até levemente parecida (e nunca pediu royalties, graças a Deus). O Fayson Merege, compartilhou uma amizade de casais que virou uma amizade entre homens e viajou comigo pra subir num palco de desconhecidos. Perdi e recuperei a amizade da Verônica Acosta por tantas vezes que em uma delas até decidi namorar logo com ela, pra impedir ela de fugir mais uma vez de mim. De repente, não eram 30, 40 pessoas, eu estava falando com mil. Conheci o projeto de mestrado do Leonardo Rossatto, artigos acadêmicos da Déborah Vieira – e até alguns amigos dela.

Entrei em grupos estranhos (que não podem ser nomeados), com gente esquisita que me fez sentir cada vez mais em casa. Fui inconformado, descrente e agora presbiteriano, todos graças a amigos feitos nesse sítio. Falei com pessoas de longe o que não falava nem pra mim mesmo – ouvi histórias que fizeram meu tempo de pastor de jovens parecer, com o perdão da expressão, brincadeira de criança. Tentei ajudar aos outros máximo que pude, mas fui ajudado muito mais do que consegui ajudar a qualquer um. Ganhei presentes, lembranças, cartas e recomendações inesperadas. Fui tachado de imoral, de irresponsável, de hipócrita e babaca até pelos que já tinham sido mais queridos, e ganhei alguns tweets de apoio e consideração que valeram todo o resto. Fui julgado, fui crucificado de maneiras que atrapalharam até o relacionamento com meus pais por um período (e pouquíssimos acompanharam isso, todos esses pouquíssimos conhecidos nessa rede, e que se mantém comigo até hoje).



Mas, enfim, o dia chegou. O dia de se despedir dessa arroba que tanto transformou a minha vida. Foram 7 anos que valeram a pena. E deixem a numerologia gospel fazer seu trabalho sobre a importância desse tempo. Talvez eu escreva sobre isso. Talvez seja melhor deixar no imaginário. Mas estar com vocês foi bom. Muito bom.

Um adendo:

Esse abandono, embora já planejado há alguns dias, não é voluntário. Na verdade, em 2012, no mesmo ano que este mesmo blog foi invadido pelo Anonymous (sério, isso aconteceu de verdade, caras), alguém alterou a minha senha e eu perdi acesso a conta. Ok, recuperar a conta é fácil, o problema é que o e-mail que eu tinha cadastrado o Twitter não existia mais. Sem o e-mail, é impossível recuperar o acesso à conta do Twitter, já fui garantido disso por vários funcionários diferentes da empresa ao longo desses anos. Então o mais digno pareceu me despedir desse usuário, enquanto começo a twittar pelo @santoirgo. Estamos lá (:



499 posts e só 1 história.

Categoria: Opinião
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