Por muitos anos, a igreja se acostumou com regras e proibições que as lideranças colocaram no colo dos seus membros e seguidores que facilitam muito a vida de quem se converte – assim como numa hierarquia militar, se mandarem o que fazer e o que não fazer, quem obedece ordens não é responsabilizado pelos seus atos.

Mas aí o sacrifício de Cristo perde todo o seu sentido – Cristo morreu para nos libertar, e pra que nós convertêssemos as nossas atitudes e nosso modo de ver e mudar o mundo. Influenciamos e manifestamos o poder do Espírito quando nós começamos a compreender e viver as Escrituras no dia-a-dia. É quando entendemos que beber é bom pra caramba, mas ficar chapado dá um trabalho gigantesco. É quando entendemos que transar é uma das melhores coisas a se fazer, mas não é ignorando os sentimentos alheios que o torna bom.

O que o sacrifício de Cristo quer dizer, ao nos libertar? Duas coisas: 1) Somos livres; 2) como livres, somos responsáveis pelas nossas atitudes (Rm 01:18-20).

Como livres, bom, ele quer dizer LI-VRES. Não tendo peso ou fardo além do que pudermos suportar. Somos livres, e para entendermos essa liberdade – e a responsabilidade que vem com ela, precisamos entender e compreender completamente a nossa fé, antes de sair fazendo qualquer burrada em nome do que te disseram no púlpito (até porque não adianta falar que não pensou nisso, não sabia – você é indesculpável). Nessa brincadeira, muitos cristãos quase idolatram os bereianos, que punham cada palavra de Paulo sob análise das Escrituras – e pombas, ele era um Apóstolo, nomeado pelo próprio Jesus ressurreto!

Aí viemos nós, emergentes, livres da hierarquia tradicional, querendo viver uma igreja orgânica, não uma estrutura (e muitos etc compartilhados igual corrente de PowerPoint no Facebook) e temos medo de discutir alguns assuntos, para não abrir precedentes. Cuidado com o que fala, ou o que questiona, você pode abrir precedente para uma série de pensamentos.

Meu caro leitor, faça favor. Eu já escrevi aqui sobre como o pior feitor é aquele que já foi escravo, mas chega uma hora que o absurdo é grande demais pra deixar pra lá ou ser cínico. Foi exatamente por causa desse medo de abrir precedentes, de questionarem coisas inquestionáveis que as igrejas tradicionais aboliram álcool, jogos de azar, estilos musicais e várias outras coisas que nós rimos até hoje do absurdo.

E a igreja emergente está querendo fazer A-MESMA-COISA. Não queremos abolir o álcool, mas quem se questiona sobre a possibilidade do universalismo. Não queremos abolir a música secular, mas queremos abolir a música gospel. Queremos transformar o culto num espaço que todos possam participar, mas não queremos lidar com opiniões diferentes. Basicamente – não queremos formatar todos com a mesma cabeça, queremos que eles já venham formatados.

Deixe-me acrescentar: se o medo de debater e de discordar acontece nas redes sociais, imagine só quando todos estão juntos. Nos afogamos numa pretensa liberdade que nem percebemos que soamos da mesma maneira aquele coral infantil que, castrado, agradece pela sua liberdade.

Se antes lideranças tinham um poder hierárquico e mandavam nos membros, hoje são os membros que buscam pessoas que digam verdades absolutas, e não que aconselhem e possam viver em conjunto. Querem desesperadamente voltar aos grilhões do é pecado; não é pecado.


Eu tenho medo de cristãos que buscam se acorrentar. Mais do que de quem questiona todas as bases. Porque geralmente, quem quer voltar às correntes consegue ser pior que quem acorrenta.

A aparência de liberdade que nos contaminou

Categoria: Igreja
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