A animação de entrar na faculdade ou até mesmo de entrar no Ensino Médio (As pessoas ainda ficam felizes por isso? Na minha época ficavam, só que anda todo mundo tão enjoado hoje) não dura mais que o momento que a pessoa pega a grade horária e consegue conferir todas as matérias – inclusive aquelas detestáveis.


Em algumas partes deste belo país até mesmo cursos como as engenharias e música tem em sua ementa aquelas aulas que todo aluno adora – sociologia, filosofia, ética e noções de direito, naqueles horários ótimos como às 7 da manhã de segunda feira ou nos últimos da sexta-feira, só pra alegria de todos envolvidos, inclusie do professor, já acostumado com o desdém que as matérias sempre recebem.

Quem estudou nos anos 80 vive dizendo como as matérias de responsabilidade moral e cívica foram importantes na formação do caráter e pensamento crítico – que acabaram se virando contra a própria forma de governo – e hoje, essas mesmas aulas com outros nomes, mais densas, são mais desprezadas do que o chapéu de moedinhas do pedinte da esquina.

Agora, já repararam na ironia: uma aula de formação crítica de pensamento em plena ditadura militar, quando esse momento na verdade deveria ser o mais alienante? Parece estranho, quando alguns anos depois, em gozo de plena liberdade e tendo várias ferramentas para alcançar a Justiça e um governo melhor, além de poder mudar sua forma de vida, as pessoas comecem a ignorar esse tipo de conhecimento.

Onde foi parar o ímpeto revolucionário? A sede por justiça? É por não prestar atenção, ou não se ligar em aulas dessas que hoje a rebelião acontece dentro do Facebook, e através de petições duvidosas sendo gerenciadas por empresas de caráter mais duvidoso ainda. O problema não é nem a revolução não sair do sofá – o problema é não entrar na cabeça de quem participa dela.

A revolução, seja ela comunista, ou dos Anonymous, ou até mesmo da sua religião não é diferente do modelo que eles lutam contra, a não ser que você esteja também construindo-a. E construindo-a de forma lógica, de forma independente e não só possa, mas consiga ter pensamentos que destoem do movimento geral. De resto, é só massa de manobra. Como tudo costuma ser.

A revolução alienante.

Categoria: Opinião
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