Já ouviu falar do tanto que antigamente, a TV era melhor, né? Antes do surgimento da Globo, geralmente, ou durante a existência da Manchete. Talvez, quem diga isso afirme que TV boa era antes da Tupi, quando ela não existia.

Mas é legal alguns comentários que sempre aparecem por aí – principalmente quando o assunto é a programação infantil (se sair em blog cristão então, rapaz, é uma diversão só). São tantas análises psicológicas dos personagens do desenho, que, quem leva isso a sério começa a acreditar em muita teoria conspiratória, inclusive em Hercóbulus.

Reclamam de todos os aspectos. Que os desenhos atuais são violentos, só falam de vitória, guerra, batalha, ganhar, vencer, poder; que os desenhos de hoje tem personagens malvados, dissimulados, e os heróis que se voltam para o lado negro da força mais vezes que deveriam.

Mas oras… de violência eu não vou falar nada, decerto Tom & Jerry e Pernalonga & Patolino são duas duplas fortes concorrentes ao Nobel da Paz, pela clareza e eticidade ao mostrar as crianças como agir em caso de bullying ou violência – ou mesmo Corrida Maluca, com o Dick Vigarista e Rufus Serrador ou a Quadrilha de Morte. Todos pacifistas, quase ursinhos carinhosos.

Nesses desenhos, embora violentos, e em até alguns mais inocentes, como os Ursinhos Carinhosos ou qualquer super-herói, o mundo é preto-e-branco. Vilões são maus, heróis são bons. Não existe vilão que cometa bondade, nem herói com pecado. Essa era a visão de mundo das crianças – crianças que acreditavam que se uma pessoa fosse boa, ela seria para sempre boa, e se uma pessoa fosse má, ela nunca consertaria – vilões ao estilo Coringa, ou até mesmo a Cruela Cruel, de 101 Dálmatas, que após anos de suposta inofensividade, retornou mais cruel e sociopata (ou cãociopata?) que nunca.

E aí você percebe que a realidade não é bem assim. E que pessoas boas (como você mesmo), fazem merda, e tem a chance de corrigir, e que pessoas que não valem nada, de vez em quando, podem se redimir. Ou tem gente que simplesmente tem um ou outro defeito – como Shrek, mas não tem realmente interesse em ferrar com sua vida.

Mas desenhos como Avatar, que, no meio da história, tem uma situação semelhante a de Jônatas com Saul – que o filho vê-se obrigado a ‘trair’ o pai malvado (e todas as consequências fáticas e psicológicas disso), ou One Piece, que fala da mais pura amizade e do perdão incondicional aos inimigos, bom esses ninguém reclama. E estão no gosto da criançada.

Porque bom é o seguro. Bom é aquilo que eu sei que é ou que não é – o preto e o branco. Porque cinza, cinza passa insegurança, e é por isso que essas mesmas pessoas não se aventuram muito em relacionamentos – elas passam a conhecer o lado cinzento das outras pessoas.

A TV de antigamente era bem melhor.

Categoria: Opinião
1
72 views

1 comment

  • Seu realismo me deixa aliviada, porque sei que você sabe que ninguém é perfeito, que a vida não é uma fantasia.. e que podemos vencer juntos.

Deixe uma resposta