Já foi tanta discussão em cima de dois posts sobre pirataria, que decidi fazer um post específico e direto sobre o assunto. Ter que escrever sobre isso me lembra também uma conversa que tive na casa do Thiago Paiva, que contavam o caso de um adolescente, que foi querendo saber até que ponto ele e a namorada podiam ir sexualmente, sem ser pecado.

Ele teve a resposta, que acredito eu não ter sido bem o que esperava. Na verdade, ele recebeu de resposta uma pergunta ainda mais tensa: Pra que ele queria saber o limite, pra ver até onde ele podia aproveitar sexualmente e sair com a consciência tranquila, ou pra ficar longe do limite? Aí justificaram esse tipo de resposta: se é pra ficar longe do limite, é melhor nem saber, e continuar a vida do jeito que estava; se é pra chegar o mais próximo possível e sair de consciência tranquila, já tem coisa errada rolando por aí.


Fui parar pra pensar e boa parte, senão quase todas questões sobre fazer ou não fazer podem ser respondidas usando essa mesma linha de raciocínio. E é seguindo mais ou menos ela que comecei a estabeleer alguns paradigmas e (re)pensar sobre muitas coisas. Uma delas é a pirataria.

Pirataria é pecado? Pode ser. Pode não ser. Lá vai a minha opinião como jurista formado e cristão praticante, amante (infiel, porque até agora não fiz um curso) da teologia. Explico: O que faz qualquer coisa ser pecado ou não, não é a coisa em si. Assim como o sexo em si não é pecado, a pirataria também não o é.

Como expliquei no post anterior, abrir uma loja virtual é piratear pelo menos 11 mil patentes (numa contagem de 2008), mas você está pecando em abrir uma loja virtual e prejudicando o dono dessas 11 mil patentes? Se o Direito diz que não (tanto que não há nenhuma pena por abrir uma loja virtual, exceto ser chato e compartilhar os produtos da sua loja no FEISSI o dia inteiro), necessariamente não é pecado – mais explicações sobre isso siga o link.

Agora vêm o bando de engraçadinho com preguiça de pagar 15 reais no CD do artista falar que não tá pecando. E aí a gente vai pra análise bíblica – você está pecando por piratear? NÃO.

Mas, vamos pegar dois simples exemplos. Se:

=>  Você estiver procurando ter vantagem pessoal, seja a vantagem o não-gastar-o-seu-dinheiro, você está mostrando quem é o seu verdadeiro deus –e o dinheiro se torna mais importante do que a pessoa que fez o trabalho (porque amamos as coisas e usamos as pessOOPS!); ou

=>  O que você pirateou, ao invés de comprar, fizer falta pra quem tem o direito de vender, como o artista (ou o produtor do conteúdo, seja qual for) e ele depender financeiramente daquela venda, você está fazendo o mal a uma pessoa, que supostamente você deveria amar (como você se ama);

Você está violando mandamentos bíblicos. Note que, assim como todas outras ações, não é a ação em si que é pecado, mas o que você quer com ela. Assim como o beijar não é pecado, o sexo não é nem mesmo o ter dinheiro, ou o beber, ir pra balada, e qualquer outra coisa que tentem te enfiar pela goela.

O problema dessa liberdade, de não ser pecado é que nós temos o gigantesco impulso de tentar justificar as besteiras que fazemos com as desculpas mais esfarrapadas possíveis – e corremos o risco de acreditar nelas.


A liberdade é sua, se você vai ser um cretino com ela, você é indesculpável.

Afinal, pirataria, é ou não é pecado?

Categoria: Opinião
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