Se eu tivesse um conselho pra te dar, você que está recomeçando agora, mais uma vez. Se eu tivesse um conselho pra me dar, eu que estou tentando me reconstruir de novo. Se eu tivesse um conselho que fosse brilhante, que pudesse me guiar, e me mantivesse firme no meu propósito, se eu tivesse como contar a um amigo como chegar onde ele quer ir, e dizer algo mais espirituoso que ‘se espirrar, meu amigo, saúde’.

Se eu tivesse como escrever uma frase em algum lugar do meu coração, ou se escrevê-la na parede do meu quarto ou no meu espelho adiantasse alguma coisa. Se eu pudesse escrever uma música sobre isso que fizesse todo sentido e não desgrudasse da minha cabeça com um refrão mais grudento que balinha de cinco centavos no céu da boca.

Se eu tivesse como dizer algo a quem já caiu comigo; a quem caiu e ainda junta forças para levantar. A quem olha à sua volta e não reconhece onde está ou como foi parar ali. A quem está tão perdido quanto eu e se sente como se tivesse se atrasado, ou perdido tempo com a cabeça em outro lugar.

Se eu tivesse como, ao olhar alguém que disse que não queria se adaptar, mas ainda não vê outro caminho a não ser se submeter – ou a quem tentou não se adaptar e enfrentou de peito aberto todas as crises que vieram com isso, se eu tivesse como dizer algo a essas pessoas.

Se eu tivesse como dizer a você, que já perdeu as contas de quantas vezes teve que se dobrar e recolher os seus pedaços caídos no chão, pisados com mais força do que baratas voadoras, quando finalmente são pegas. A quem se resignou mais de uma vez porque sabia que falar algo seria a pior coisa a se fazer, por mais que doesse ficar calado e acompanhar o rumo das coisas.

Se eu tivesse como dizer algo a mais um de nós que viu mil caírem ao seu lado e dez mil à sua direita, mas ainda permanece de pé, embora sozinho, e não vê nenhuma vitória nisso, enquanto sente suas forças se esvaecerem, sem ter onde se apoiar, a não ser em uma pilha de pessoas que já se foram.

Se eu tivesse como dizer algo a quem está sendo enfrentado por aqueles a quem amava, a quem foi traído pelo seu círculo de confiança – a quem levou pedradas de quem esperava ao menos um abraço. Se eu tivesse algo a dizer a essas pessoas, que tão longe, estão tão próximas de mim.

Se eu tivesse como dizer algo às pessoas que expõem seus sentimentos no meio a um mar de dramas e de mimimis e descobrem que ninguém mais vê diferença entre egos, carências e tristeza.

Se eu tivesse como dizer algo a quem tinha encontrado um grupo íntimo e de verdadeiros amigos que há muito procurava e de repente viu que, assim que se mergulha um pouco mais na intimidade, na personalidade de cada um, que as coisas são muito mais podres do que eram anteriormente.

Eu diria ‘calma, cara. Tamo junto.’

E vamos em frente.


Algo a dizer.

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