Coloquei o copo vazio no balcão, já meio cansado. Não sabia se estava muito ou pouco cansado, o estado das coisas não me deixava perceber muito isso – só sabia que estava cansado. Guilherme, o barman, riu de mim e perguntou se eu queria mais uma. Já não dava mais; sinalizei que não, e sentei em um dos bancos, enquanto meus amigos continuavam a dançar naquela rodinha bizarra que eles sempre faziam. Não, também  não.

Me virei de costas para o balcão, para poder vê-los sem ficar dobrando o pescoço (acho que estava mais cansado do que pensava), quando ela chegou, me encarou e começou a falar. Não entendia tudo que ela estava falando, mas estava perto demais, quase desconfortável, e gesticulava como se tivesse fechado três comandas no bar.  Ela tinha uma maneira toda de encarar minha roupa que achei um pouco estranho, mas, bem, enquanto ela só falava e não se importava se eu estava prestando atenção tudo bem.

Dizia algo sobre faculdade, o curso dela, a ex-namorada (nesse ponto um alarme começou a tocar na minha cabeça) e como que todos a chamavam de Duda. Duda, poxa, bacana. Se bem que Eduarda… Bom, ela tinha uma ex-namorada, isso já dizia tudo. Eu e meu preconceito com nomes – e dei um sorrisinho por causa disso.

Nessa hora, ela encostou no meu braço – talvez eu não devesse ter sorrido, ou sorrido na hora errada, quando ela falou algo especial, vai saber. Me afastei um pouco, coçando a cabeça com a mão da aliança, mostrando um suposto compromisso que tinha acabado há mais de três meses (o que ela não iria saber, afinal).

Suspirei, olhei pra ela e ia começar a fazer um discurso sobre ‘mina-na-moral-não-quero-nada-contigo-mas-não-leve-pro-pessoal’, quando vi que ela tinha traços masculinos – até demais, mesmo para que tinha ex-namorada.

_ Tem namorado?

_ O que?

_ Ué, tá de aliança e tudo – e ela sorriu, mostrando o aparelho nos dentes, que brilhava quase tanto quanto o piercing no nariz.

_ Namorada, né, dona?

_ Dona? Que isso, cara, vamos devagar… Estamos conversando na moral – e veio ela com aquela mãozinha de novo, roçando no meu braço, e foi quando eu vi.

Aquela garota… com aparelho nos dentes, traços meio masculinos, e com ex-namorada… Não era bem uma… Uma… AAAAAAAAAAAAAAAAAAH

Dei um pulo sobressaltado – onde estava? Que… peraí… Ah, foi um sonho. Que bizarro.

Virei pro lado e voltei a dormir, sem encontrar mais nenhum(a) Duda.

Aquele conto que uma Duda não era bem uma Duda

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1 comment

  • Oi,sou Duda, não a da historia, mas nunca tive ex-namorada em!
    Não entendi o preconceito com Eduarda. haha’
    Vi meu nome no post e pensei, lá vem bomba.

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