Todo mundo sabe que trabalho[bb] é uma coisa bem delicada – até vendedor de balas no sinal sabe disso, e não sai falando qualquer coisa pra qualquer um (‘Paguei 30 centavos em cada Halls[bb] dessa e revendo por 2 reais, acredita?’ não é bem o que se fala pra um cliente em potencial); mas parece que até essa regra tem suas exceções.

Sim, esse trabalho existe.

Mesmo que você seja um profissional autônomo[bb], trabalhando sozinho e com mais ninguém, vai ter que interagir com pessoas, mesmo que na frieza de um e-mail ou de uma caixa de mensagens; mesmo que você trabalhe numa linha de produção, cortanto bicos de frango ou retalhando pedaços de bacon, você vai ter contato com a galera do RH, principalmente se você sair por aí perguntando se aquelas facas cortam ossos humanos.

O fato é que existe uma etiqueta básica, seguida desde o mais burocrático milionário ao mais simples faxineiro do bar da esquina – e o fundamental é: não se enche o saco de quem não se conhece.

E há gente que não consegue entender isso.

Comecei a trabalhar há uma semana e já não suporto o ser que divide a sala comigo porque ele simplesmente quer me inteirar de toda a vida dele (desde a adolescência de Moisés), na qual, claro ele é um completo herói. Mas ele é tão bom, mas tão bom, que taí até hoje, na mesma.

Não, não é desse puxa-saco que estamos falando.

Sabe aquelas pessoas insuportáveis, que estão sempre ‘pegando informações’, tem as ‘últimas notícias lá de cima’, e está sempre buscando puxar o saco de alguém? Então, aí vai uma lista de dicas para evitar ao máximo esse tipo – não é 100% efetivo, mas pelo menos vai te livrar de 5 das 8 horas diárias que você passa com esse ser, pra você que trabalha no computador – e esta vai ser sua principal saída.

Assim que ele começar o seu discurso, concentre-se fixamente no seu computador – mesmo que não haja nada além de um jogo de paciência e um documento em branco do Word (ou BrOffice). Concentre-se como você se concentrava na terceira série durante uma disputa de quem piscava primeiro (se conseguir permanecer sem piscar, melhor ainda), enquanto ele estiver falando, até que:

– Ele te chame a atenção: finja não ouvir até a terceira vez que te chamar, e responda com um ‘hm’ evasivo, sem desviar os olhos do computador;

– Ele te cutuque: continue olhando por 15 segundos, antes de virar para ele e pedir só um segundinho (é claro que você não vai dar atenção para ele até que ele arrume uma nova maneira de te perturbar);

– Ele desista temporariamente.

Ótimo – até aí foram pelo menos 20 minutos do horário de trabalho (tirando os 10 que ele chega atrasado e mais os 15 que ele ficou tomando café, já são quase 9 horas). Logo que vir ele abrindo a boca, atenda o telefone. Qualquer telefone (menos o celular, ou um que esteja chamando).

O senhor já tentou reiniciar o sistema?

Simule uma conversa, desde não entender o problema da pessoa até resolvê-lo completamente, o que demorará por volta de 10 minutos de ouvir o silêncio a interagir com algo fictício, inventando problemas e dando cliques esparsos no computador (seja trabalhando ou resolvendo aquela crise no Mahjong que você não conseguiu durante a insônia pós-balada) – e depois de desligar, termine um relatório imaginário sobre o atendimento que você acabou de (não) prestar. Com isso tudo já foi mais quase uma hora – para chegar às 10 horas são e salvo, sem maiores irritações, vá ao banheiro lavar o rosto.

Parabéns – já foi 25% do seu horário de trabalho e até agora você conseguiu trabalhar (ou não, dependendo de como é a sua falta de trabalho) sem passar do ‘oi tudo bem’ sem prestar muita atenção na resposta.

Ao voltar pra mesa de trabalho, coloque imediatamente fones de ouvido (dependendo de onde trabalhar os dois ou um só, tá bacana) e trabalhe o que tem que trabalhar até o horário de almoço (mesmo que o trabalho seja zerar paciência no menor tempo possível do cronômetro).

Se até aí já foi metade do dia, a outra metade é muito mais tranquila – afinal, o puxa saco tem que puxar o saco de alguém, e se você está lendo esse blog, presumo que esse alguém não é você.

O fato é que nessa brincadeira, você já comeu a parte que costuma ser a mais improdutiva do seu trabalho, e agora vai voltar para o resto do trabalho com uma dor de cabeça muito menor.

Como evitar os chatos durante o trabalho

Categoria: Utilidade Pública
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