Uma característica dos movimentos sociais, assim que começam a crescer e as diferenças entre os seus membros começam a ocorrer e se tornarem mais palpáveis são os rachas. O MST se divide praticamente a cada três anos, dando origens a movimentos mais radicais e mais conservadores ao mesmo tempo. Os partidos políticos vivem se mesoclisando e não há muitas chances de conversa entre partidos que defendem superficialmente a mesma coisa, como o PV, o quase-criado PEN e a quase criada Rede, todos partidos (e projetos de partidos) criados para lutar pelo meio-ambiente (e otras cositas más). Da mesma forma acontece nas igrejas que foram engolidas por suas ações sociais e políticas, que começam a se dividir acerca de ações, ou de teorias e justificações para fazer o que fazem.


Toda essa divisibilidade acarreta em alguns problemas, principalmente quando essa cultura chega ao poder. (1) Nunca há uma base definida de aliados, ou pessoas que você pode contar, já que para atingir o objetivo final que foi pressuposto lá no começo, começam a surgir mil e um requisitos que não existiam quando se uniram por uma causa comum, requisitos estes que costumam ser contraditórios entre si; (2) Uma política pulverizada se torna uma política inconsistente com alianças feitas de última hora e concessões maiores do que deveriam ter sido feitas originalmente, o que gera; (3) Esvaziamento dos objetivos primordiais de cada grupo ao ser criado já que tiveram que abrir mão de alguns pontos antes considerados essenciais para chegar a algum lugar.

E é um movimento como este que chega ao Congresso Nacional e precisa lidar com todas as dificuldades de satisfazer sua base (aqueles que construíram e vivem pelo ideal proposto) à necessidade de se fazer algo (com alianças moralmente complicadas) – e vemos coisas tão bizarras como o PSOL se aliando ao PMDB no Rio Grande do Sul.

Mas o problema não pára aí. Quando tudo é resolvido pela divisão e pelo ajuste de opiniões e condutas, as pessoas perdem a vontade ou pelo menos a prática do debate e da luta. Quando o PSOL se alia ao PMDB pra conseguir mais cadeiras na Assembleia ou algumas secretarias públicas, ele não está apenas se esvaziando, mas está perdendo todo o seu significado de luta.

E quando um partido deixa a luta em segundo plano, em favor de acordos e posições, acontece algo como aconteceu na Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Durante as eleições para a Comissão, que foram abandonadas pelo até então presidente Dutra (PT) e vários outros deputados (Carvalho, Janete Rocha Pietá, Luiz Alberto, Luiz Couto, Padre Ton e Dr. Rosinha), surgiu um movimento, dentre eles o deputado Jean Wyllys (PSOL) e a deputada Erika Kokay (PT) pretendendo fundar uma Frente Parlamentar dos Direitos Humanos, numa belíssima manifestação de sexta série de não-brinco-mais-com-vocês-da-Comissão.


Mas porquê a criação da FPDH é um retrocesso, e o que isso tem a ver com todo o texto acima? Por que o Marco Feliciano foi o ÚNICO candidato à presidência da Comissão, sabe por quê? Porquê nenhum partido, nem o próprio PT nem o PSOL quiseram quebrar suas alianças na base governamental e levantar outro candidato. A politicagem, os acordos e os cargos ficaram na frente da luta e dos princípios dos partidos mais uma vez.

Daí saem com discursos impressionáveis, de luta, de indignação com o sistema que eles mesmos ajudam a manter. É muita cara de pau.

Como os acordos e cargos destroem os partidos.

Categoria: Opinião
61 views