Há quatro anos, em 2009, o Twitter estava começando a estourar no Brasil. Foi quando a grande maioria da classe média estava abandonando o Orkut e nem todo mundo tinha se fixado no Facebook – aquela época quando todo mundo descobriu que o Twitter era uma rede social pra escrever em até 140 caracteres o que estava fazendo naquela hora, e fazia exatamente isso.

Nessa época, estavam todos meio desconfiados das notícias que circulavam nas redes sociais, mas ninguém dizia isso em voz alta ainda – até porque as correntes não tinham chegado direito no Facebook e poucos de nós, seres humanos mortais e com contas a pagar que se aproximavam substancialmente do salário a receber, tínhamos celulares equipados com câmeras que não fizessem a balada parecer um passeio noturno por Silent Hill.


Foi nesse belo ano de 2009 que voltando à pé pra casa, passei na porta de uma faculdade particular que estava cheia de PMs e estudantes parados no meio da rua. Claro que fui perguntar – a faculdade estava sendo despejada, e não tinha avisado os estudantes até que bom, eles apareceram pra assistir aula e o prédio estava lacrado. Isso era uma bomba na cidade, e como ninguém esperava, não tinha nenhuma mídia por lá. Foi o suficiente pra que eu embarcasse na minha bela EDGE INFINITY (que ainda não era tão congestionado, e quase tão ruim quanto deve ser hoje) e twittasse via web o que estava rolando.

Samsung Scrapy Touch – essa ferramenta tecnológica que eu usava naquela noite.

Resultado: desconfiança. A maioria esperou quase 24h para se informar nos jornais noturnos do outro dia e acreditar no que tinha acontecido (e nessa hora, nem lembravam direito do tweet que havia lançado). Em 2009, o Twitter não era confiável. A falta de ferramentas integradas para postar fotos, a dificuldade para se fazer/postar um vídeo à época faziam todos (ou quase) desconfiarem da veracidade das informações compartilhadas. O que isso quer dizer? Confiabilidade demanda tempo, e principalmente, serviços. Se você não agregar o máximo possível no que está prestando, o seu serviço pode até ser confiável, mas vai ser inócuo.

Você pode facilmente verificar quem não está acostumado com publicação de conteúdo ou com a internet verificando uma guia de quem somos nos sites ou blogs. A palavra confiabilidade é quase como um mantra – as pessoas realmente acreditam que por dizer que o serviço é confiável, os (potenciais) usuários vão acreditar e aderir.

Não funciona assim. São poucos os compradores que se aventuram em lojas desconhecidas (ou que não sejam bem-rankeadas) na internet. São poucos os leitores que leem uma notícia num portal/site/blog que nunca ouviram falar e não procuram uma segunda e terceira opinião para verificar o que está sendo dito.

A confiança no meio virtual é muito mais difícil de conquistar que num trabalho físico – e são pouquíssimos os publicitários digitais que perceberam isso. É mais fácil fazer uma promoção e um sorteio no Facebook e ter números de curtidas/seguidores/retweets para mostrar do que construir um público fiel que efetivamente seja consumidor.

Na internet não basta ser legalzão ou ter conteúdo a compartilhar. É necessária a construção de uma relação de confiança com a rede – e geralmente isso independe do tamanho e qualidade da marca offline.


Confiabilidade no Marketing Digital: o que poucos publicitários entenderam.

Categoria: Marketing Digital
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