O fim do mundo vai ser daqueles em que a terra vai invadir o céu. Não será um céu vermelho, de fogo, nem um céu negro que estamos acostumados a pensar num fim apocalíptico. Será um céu laranja, laranja da terra que invadirá o ar de nossas cidades, enquanto o vento corre pelos nossos pés, furioso por ter seu lugar roubado pela terra que polui os céus.


O mundo acabará num vendaval. Não vendavais cinematográficos que casas são arrancadas e vacas saem voando pela força do vento, isso é ridículo. Vai ser daqueles vendavais que atrapalham a dirigir moto, que passam uma rasteira nos mais desatentos e fazem caixas de papelão parar nos locais mais improváveis – como no parabrisa daquele caminhão acima do limite de velocidade.

No meio de toda confusão, com animais fugindo de medo, os homens, distraídos pela sua vida, com as pressões e correrias da rotina não verão nada demais – talvez aqueles mais atentos irão parar por alguns segundos para observar o mundo que se revira à sua volta; apenas o tempo suficiente para lembrar de twittar sobre isso, ou pegar a câmera para filmagem.

O mundo acabará, e somos os únicos que não nos ligaremos a esse fato. Os vídeos gravados durarão por alguns dias nos mais vistos e comentados, e quando não houver mais ninguém, ele continuará a rodar em loop nas telas de alguns telejornais.

Veremos as coisas à nossa volta serem destruídas, toda a existência se alterar por uma tela de LED FullHD que é quase como se tivéssemos aberto a porta e contemplado por fora dos portões de nossos prédios. Através das janelas com filme dos nossos carros. Além dos nossos fones de ouvido, de nossa realidade aumentada. A revolução acontecerá, e nós não ficaremos nem sabendo. Ou será que ela já aconteceu?

Conto do Fim do Mundo

Categoria: Contos de Domingo
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