Cotas são injustiça social. É um absurdo você dar cotas, privilegiar alguns que tiveram um péssimo ensino em entrar na universidade, em detrimento daqueles que deram seu sangue (e seu dinheiro) para desenvolver seus estudos e chegarem onde mereciam estar. Dar essas vagas, que por direito eram deles, para outros, é emburrecer o sistema. Deixar pessoas despreparadas chegarem lá, onde não mereciam, e onde não vão conseguir lidar com os problemas e com os estudos, além de todo preconceito – consequência: vão abandonar seus cursos.

É um absurdo o Senado aprovar 50% das vagas para cotas em pleno 2012. Deveriam investir em educação básica – falando em investimento, deveriam investir nos esportes. Olha que vergonha, Brasil, uma das potências econômicas, um dos maiores e mais populosos países com só 17 medalhas no quadro geral, e quase todas de bronze.

Precisamos de investir no esporte – olha só o caso do Esquiva. Cresceu lutando sozinho, sem condições, sem vida, sem dinheiro, não podia nem estudar direito. Saiu dos esportes para o tráfico, e só pelo amor do pai foi capaz de voltar à vida normal. Precisamos patrocinar esses caras. Deviam ter algum incentivo pra permanecer no esporte e nos dar mais orgulho.


 

Peraí. Permanecer na escola não, mas permanecer no esporte sim. Que raio de argumentação é essa que quer transformar o esporte em uma necessidade para quem é esportista, mas não acha os estudos importantes? Porque dar dinheiro pra alguém que não tem condições de estudar, como é o caso do bolsa-escola é um absurdo, mas dar dinheiro pra alguém praticar saltos ornamentais é lindo? Porque garantir que a pessoa possa praticar esportes por gosto, dando-lhe a oportunidade de ter conhecimento e educação é menos válido que transformá-lo num escravo dos esportes e condicionar seu sustento aos seus resultados – para quê? Para poder xingá-lo depois que ele não conseguir o ouro novamente?

Engraçado que a Justiça Social só vale para os esportes. Pela sua história de vida, milhões de brasileiros dizem que ele merecia o ouro. Merecia o ouro, educação e saúde de qualidade não. Graças à Hollywood e seus filmes de superação, de repente, os esportes passaram a ter uma necessidade de serem justos com a vida de uma pessoa mais sofrida – sejam os nerds, os gordinhos ou os pobres. Todos excluídos em Hollywood se esforçam e ganham. Mas a vida real não é assim. Mas poderia ser melhor.

Esquiva poderia ter tido uma boa escolaridade, e ao invés de fugir para o tráfico durante alguns anos, poderia ter completado um curso superior. Ter estudado sabe Deus o que, mas voltado para o boxe com uma consciência de mundo mais ampla. E poderia ter voltado ao boxe, e conquistado a prata. E terminar tudo com um sorriso de vencedor, e voltar ao Brasil sem ter medo do que fazer pelos próximos anos, ou sem precisar mendigar apoio.

Talvez se tornasse igual Cielo, que com sorte, patrocínio privado e muita grana da família, se mudou para os Estados Unidos, abandonou seu país e sua história em nome do esporte. Mas destes, que abrem mão da sua vida por escolha (e não por necessidade), nós não gostamos muito. E vaiamos se eles não vão tão bem assim, independente de estarem competindo com os melhores do mundo.

Afinal, vira-latas como somos, sempre precisamos provar pra nós mesmos que somos melhores que achamos.

Cotas, Incentivo aos Esportes e Injustiça Social

Categoria: Opinião
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  • Abigobaldo, você esquece de um pequeno detalhe. Se o governo investir em esporte, os menos-favorecidos continuam onde estão, talvez até treinando no centro ou numa academia de um bairro nobre, mas ainda morando na favela ou em seu bairro mais “afastado” impedindo que eles se misturem muito com nós, os merecedores bem sucedidos deste país.

    Ao permitir as cotas, nós, ricos bem sucedidos, teremos que ver na nossa cara gente que até viveu bem sem ter sucrilhos ou computador, gente que a gente não gosta de ver pois eles denunciam no seu estilo de vida que nós, os supostos merecedores bem sucedidos, somos pouca coisa, somos os bandidos das novelas e dos filmes e que nossa luta é pequena comparada a daqueles que precisam pegar três ônibus e caminhar mais uma meio hora só pra conseguir chegar na faculdade.

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