Namorei por um dia com uma sentinela
quando descobriu – meu Deus, que bela
Correndo atrás de mim, louca a gritar
pena que aquele dia queria me matar

Certeza eu tenho que se ela parasse
e se em nós dois juntos ela pensasse
Quiçá nesse dia ela iria compreender
que as loucuras poderiam a satisfazer

Descoberto, com meu amor secreto revelado
não havia mais nada para mim naquele lado
Assim que a despistei fui escondido embarcar
ainda sem ter uma só pessoa por mim a chorar

Foi na próxima parada que eu encontrei
era ela que teria tudo aquilo que busquei
Sem cerimônias me pus, rápido, a descer
para que pudesse a minha musa conhecer

Sorte minha ela bem gostava muito de viajar
dessa vez a minha imaginação há de calhar!
Subi logo para perto dela, quase desesperado
não era uma sentinela, mas fiquei frustrado

Como poderia eu uma bilheteira encantar?
teria visto com certeza todos tipos embarcar
Meio cabisbaixo, voltei ao trem do qual saí
voltei-me só para vê-lo de longe, já a partir

Abandonado, solitário, sem as duas que sonhei
o que faria naonde eu mesmo me abandonei?
Foi quando eu olhei à volta por mais uma vez
uma moça me olhando com um sorriso cortês

Será que eu ainda cairia pela terceira vez neste dia?
descobri o seu ofício, diziam trabalhar na tecelaria
Quanto ela ia trabalhar, sonhando em me encontrar?
com mãos ágeis a cortar, ah! seus lábios a me beijar

Juntei toda minha coragem e caminhando, sorri
quando o seu marido se apresentou, correspondi
Desde aquele dia nunca mais procurei um amor
dormi todos os dias da minha vida sem sua dor.

Crônicas de um Don Juan paraguaio

Categoria: Sem categoria
0
50 views

Deixe uma resposta