Levantou, olhou pro lado – ela não estava lá. Não é como se fosse novidade, mas parecia que essa notícia sempre tinha a mesma forla, não importa quantas vezes ele soubesse da verdade – ela se fora. E o mais estranho é que a cama ficava vazia, mesmo ela nunca tendo estado lá. O quarto ficava vazio – tomar café sozinho, de repente, começou a incomodar. É como se antes, estar com ela significava vê-la em todos os lugares; mas agora não.

Engoliu um qualquer coisa que estava na geladeira, olhou pela janela, e foi.

Pelo menos ela estava aberta, o que fez do vôo algo até silencioso. Tão silencioso, que o casal que escolhia não esperar no banco da calçada, não viu. O pipoqueiro que carregava o carrinho já sujo e vazio, estava tão cansado, que poderia ter olhado diretamente para ele, e mesmo assim não veria. O menino que jogava Street Fighter usando o Balrog (algo que ia revelar características importantes sobre sua sexualidade, em algum lugar do futuro), também não viu, de tão assustado com o E. Honda e suas habilidades que desafiam completamente a gravidade. Tantas coisas, tantas informações, tanta vida – que não valeriam de nada, e ninguém se lembraria disso em alguns dias. Nada importava, nos próximos 3 andar… porque ela estava ali? Chorando? Entrando no prédio dele? Ah, não!

Com um grito que fez o casal de namorados quase cair do banco, acabou.

Da ausência.

Categoria: Contos de Domingo
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