Já viu como o amor tem sido trocado pelo ódio? Não no sentido vileno ou meloso de se falar? Ah, ela num ama mais eu, eagora//, mas de fato mesmo. No futebol, todo mundo tinha um time (alguns losers por exemplo, tinham um time em cada estado), só que hoje, todo mundo é anti-algum time (e a maioria esmagadora é contra um time em cada estado) – não adianta torcer pelo meu time, pra provar que eu realmente gosto de futebol, tenho que acompanhar todos os jogos e torcer contra pelo menos três times, religiosamente.

Não importa o quanto nos digam que o contrário do amor é a ignorância, continuamos a apostar no ódio.

Nas religiões, os ensinamentos de amar e ensinar ao próximo, sejam elas cristãs ou não, são trocados pelos discursos de perdição, culpa, e, principalmente, condenação. Não importa que língua, ou qual o nome que você dê, o seu deus é dono da justiça, então ele vai me matar porque eu não acredito nele. Dentro mesmo de uma única religião, uma raça de um único filo, que são as denominações evangélicas (muitas por sinal), há o ódio, impregnado entre aqueles que, mais que irmãos, tecnicamente são gêmeos.

Dia após dia, somos ensinados a odiar tudo aquilo que é diferente, ou que vai ao contrário dos nossos interesses. Seja odiar o amiguinho que não tem brinquedos e quer usar os seus (ele quer ficar só pra ele, meu filho, não deixa não! Ele tá abusando de você!), seja o país que quer receber algumas migalhas a mais, em um consórcio com o governo brasileiro. Somos ensinados a odiar um governo, uma figura impessoal, e a detestar todos aqueles que chegam lá, e a duvidar de toda e qualquer intenção daquele que tenta se eleger, mesmo que esteja nos círculos próximos de amizade (e do Google+). Somos ensinados a odiar uma instituição eclesiástica e todos os seus membros, por motivos que nem nós mesmos sabemos explicar.

Sob a desculpa de estarem nos livrando de um autoritarismo e de um controle, nos colocam num caminho que não temos a menor ideia de qual é ou pra onde vai – somos como os cavalos que, sob a promessa de livramento de um tapa-olho, somos guiados a um cabresto, e vamos felizes, sem saber o que nos prende. Não é como sair do espeto e cair na brasa, está mais para sair do espeto e cair no óleo fervente.

Desconfie de qualquer discurso libertador, novo, reluzente e refrescante que venha com um adendo de ódio ou intolerância. O que liberta, é o amor. Já o ódio, que não é o contrário de amor, não aprisiona, mas emburrece.

Daqueles discursos vazios.

Categoria: Opinião
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