Ela nunca vai saber que aquele dia que fui buscá-la, era a primeira vez que usei aquele par de tênis – e nem que a última vez que a vi, era ele que eu calçava. Ela nunca descobrirá que esses mesmos tênis estavam nos meus pés quando eu sofri aquele acidente – nem que ela tomou posse completa dos meus pensamentos enquanto eu tentava me levantar do chão.

Afinal, não importa mais se foi agoniado pela futura preocupação dela que eu consegui juntar forças pra levantar, carregar e empurrar a moto dali. Nem vem mais ao caso que eu tentei ligar pra ela, sem conseguir dormir pelas dores no meu corpo.

Nunca alguém se importará que a possibilidade dela estar online me fez acordar sobressaltado e ligar o computador num desespero gigantesco, que só era superado pela frustração de sua ausência.

Porque eu a magoei antes que ela pudesse apreciar tudo isso. Pois este sou eu. E todas essas coisas são como desenhos feitos com a névoa da janela.  Vazios, sem ela. Inúteis, se não houver ela pra dividir e compartilhar.

Desenhos na janela.

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