História do Sorvete

Myrian Rios, Rachel Sheherazade, Zezé Perrella, Jair Bolsonaro, Romero Jucá, Luiz Carlos Heinze, Eduardo Azeredo, Cibele Baginski

Todos esses nomes evocam histórias que chocaram, às suas maneiras e em seu devido tempo. Todas essas histórias compartilhadas num misto de impotência, incredulidade e revolta, que geraram notas oficiais de repúdio, manifestações populares, desabafos de personalidades e apuração da mídia, seja ela a imprensa ou alternativa durante dias e até alguns meses.

Em todos os casos dos indivíduos em questão, foram exigidas muito mais do que explicações: foram exigidas ações das autoridades competentes. Passou o tempo. A imprensa cansou. Os blogs cansaram. Até mesmo os militantes arrumaram outros motivos para perderem a cabeça em seus discursos de padaria matinais – sim, discursos de padaria.


A livre manifestação política, o direito de opinião e os debates políticos cada vez mais parecem aquele discurso de padaria do interior em novela, no qual aquele candidato eterno à oposição ataca quem está no poder com frases de efeito e caretas, com direito a xingamentos variados, enquanto uma porçãozinha de pessoas bate palmas e concorda com tudo que o candidato diz em seu palanque improvisado. A partir daí todos vão para os seus trabalhos, comentam um pouco o assunto na hora do almoço e nada mais acontece, e no outro dia de manhã, todos estão lá novamente, ouvindo outro discurso, nem sempre tão brilhante ou condizente com a verdade assim, mas concordando e fazendo murmúrios de aprovação.

Nada muda, esperamos que o mundo ajeite as coisas por si mesmo – se foi pelo jeitinho que uma pessoa duvidosa entrou num cargo eletivo, por um jeitinho ela não vai conseguir causar muito estrago. Uma lei sem pé nem cabeça foi criada? Ignoremo-la, logo todos esquecerão que ela sequer existiu. Um presidente de Comissão é manifestamente contra os interesses dessa mesma comissão? Deixemo-lo lá, em breve haverá nova divisão de cadeiras e a gente cuida dele. Um helicóptero cheio de cocaína? Deixa rolar, um dia a Justiça descobre de quem é, meia tonelada a mais ou a menos no país não vai fazer tanta diferença assim. Querem voltar com um partido da ditadura? Essa juventude, viu, alguém precisa falar com eles…

E assim seguimos, responsabilizando uns aos outros, ao Estado, à Polícia Militar, às forças divinas ou até mesmo ao karma. Mas seguimos. Para algum lugar, para onde eu não sei. Rumo à justiça? Talvez. Não dá pra ver daqui. Somos um rebanho de ovelhas sendo levados por alguém com algum destino. Um dia encontraremos o matadouro – ou não. Quem sabe? Quando a gente chegar lá, a gente descobre.


O que, vai ser tarde demais? A gente vê.

Discursos de Padaria

Categoria: Opinião
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