Dizem que a maior qualidade do ser humano, é a de adaptação. Quando falamos em épocas negras, como regimes totalitários, as ditaduras sul-americanas, a desigualdade social, a extrema miséria, as doenças e cânceres mais fortes e bizarros (que a gente nem sonhava em existir), quando a gente pergunta pra alguém sobre isso, invariavelmente a resposta é “é a vida, né” .

As pessoas aprendem a viver com o que elas tem – ou deixaram de ter. E a gente acostuma com o fato dessas pessoas terem que conviver com isso. Miséria, dor, doença – nada mais nos assusta; conseguimos conviver com o medo de uma gripe aviária, de uma doença da vaca louca ou de um assalto de madrugada tranquilamente, como se fossem uma jujuba azeda do pacote (na verdade a jujuba provoca MUITO mais reações).

Nos adaptamos a uma sociedade injusta, a ver as desigualdades sociais e a mantê-las – com a adaptação veio o mal do século: e não é a depressão nem a diabetes, mas a apatia. Não fazemos nada pra mudar a sociedade, porque não acreditamos que ela possa ser mudada, afinal, todo mundo está tão bem adaptado a ela. Apesar dos males, é como dizem – é a vida.

A coisa mais irônica da adaptação é que ela nos deu insensibilidade. A insensibilidade de olhar pra um pedinte e dizer que não temos nada. Realmente, não temos nada – nem um pingo de humanidade.

É a vida, né

Categoria: Opinião
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