Hoje começam as propagandas eleitorais, na televisão. Na prática, o horário eleitoral começou por volta de outubro, do ano passado, quando dona Dilma foi escolhida como candidata absoluta do PT para disputar as eleições – e estourou-se um borogodó por causa disso. De qualquer modo, em meio à ânimos relativamente inflados, algumas discussões interessantes já começaram a pipocar na twittosfera, acerca do pleito eleitoral que se aproxima.

Mais cedo, em duas conversas via Twitter com a @crismeimei e com o @micaeldelgado, ficaram expostos alguns paradigmas foram quebrados já há algum tempo:

1- O brasileiro médio não se interessa por política.

Mentira absoluta. Toda a movimentação no twitter já provou o contrário, desde o #forasarney até a ampla adesão à projetos como #TVoto e o @Eleitor_2010, com denúncias de irregularidades em campanhas. O que o brasileiro médio geralmente não sabe é como fazer do seu protesto/idéia, algo eficaz.

2- O Twitter não tem influência fora do seu cerco.

Outra mentira. O twitter reflete, talvez não de forma direta naqueles que estão fora, mas de forma indireta, através da mídia tradicional. Movimentos como o CALA A BOCA GALVÃO, o #forasarney, dentre vários outros já tiveram uma cobertura da mídia tradicional de respeito.

3- Relevância é igual à influência.

Definitivamente não. Twitteiros como o @interney, @rosana e @mionzera têm sua influência restrita à sua área principal – um pitaco do interney, um dos pioneiros do pro-blogging do Brasil, e com certeza, um dos visionários que a internet brasileira precisa, na política tem tanta influência como uma contra-argumentação de um twitteiro com 350 seguidores, no que tange à construção de um debate. Não há valoração em relação à pessoa, e sim à idéias. O tweet do interney com certeza será mais comentado, porém não necessariamente mais aceito.

4- O descontentamento com a política traz, necessariamente, o desinteresse.

Em alguns casos, mas não é algo absoluto. Poderia dizer que é raro. Muitas pessoas se mostram sedentas por alguma luz no fim do túnel na política. O descontentamento geral traz a busca pelo herói, pelo salvador. Assim se levantou o Obama, nos E.U.A., e assim se tem levantado a Marina, no Brasil. É o modo errado, porém, é um interesse pela política.

5- O conceito de política está deturpado.

Não se deturpou o conceito de política, ou de busca pelo bem-geral. O que se mudou é o modo de se trabalhar com ele, o que prova, mais uma vez, a maturidade de usuários da rede social. Ao invés de se agarrar a um ideal utópico e a uma luta heróica para alcançá-lo (embora muitos ainda insistam nisso), têm-se ido por um caminho mais longo, porém, mais eficaz. Eliminar a politicagem, assim como divulgar os políticos que fazem mal-uso dos seus cargos ou das suas campanhas. As ligações de Aécio para o eleitorado de Minas e as propagandas disfarçadas de Heliomar Novais, em Itaciba (ES), ou os SPAMs de Luiz Carlos Setim.

Não acho, porém, que já chegamos ao ponto de se eleger um candidato pelo twitter. As redes sociais continuam sendo um ótimo lugar de discussão e debates, porém fica em segundo plano, eleitoralmente falando-se. Um candidato, para ser eleito, e socialmente aceito, deve rebolar para integrar-se às redes sociais e à mídia tradicional, engajando-se e, principalmente, mantendo uma evolução natural de suas idéias (não é necessário manter as mesmas, mas pelo menos uma mudança natural delas), e principalmente, saber como fidelizar seu público.

Mais do que nunca, no Twitter, as eleições passam a ser mais pessoais do que partidárias.

Ano eleitoral e a feira da Twittosfera

Categoria: Opinião
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