[O texto abaixo é um conto. Não sou eu. Não é o que eu penso. É um conto, baseado num estereótipo que dá certo, só que da maneira errada]


Eu sou um jovem cristão protestante evangélico conservador. Piso na cabeça do diabo, e chuto o que é laço, embora eu deteste Diante do Trono e tenha ojeriza do funk, seja ele gospel ou não. Ando de glória em glória, amo Jesus Cristo, nosso Senhor, e também o pecador.  Não piso no sapatinho de fogo, porque sei que o Neopentecostalismo é falso, e as mentiras ditas por apóstolos, bispos e o mais recente proclamado Querubim só servem para encher os seus bolsos. Odeio Thalles Roberto porque ele é um vendido, eu acho que os dons celestiais não devem ser vendidos, embora eu arranque o fígado dos irmãos nos meus trabalhos profissionais, porque né – você sabe o que dizem dos crentes. Sou tatuado, tatuado porque sou livre, e morro de rir com vocês que não conseguem se tatuar por estarem presos à consciência. Ainda bem que sou liberto dessa consciência pecadora legalista.

Não suporto a hipocrisia da igreja, vivo Cristo muito mais em pequenas comunidades – eu, Ele e a Heineken. Somos três, e estamos no nome dEle, somos três vivendo o céu aqui mesmo na Terra. A solidão eu afogo na cerva, a tristeza em algumas chances de relacionamento que o pessoal é muito quadrado pra entender. A questão é que a virgindade é mais um estado de espírito que de fato ter transado ou não – não é o órgão sexual que Jesus olha, e eu espero que realmente não seja o coração, porque o meu nem eu tenho coragem de revirar o que existe lá dentro.

Mas pelo menos vivo eu, aqui, do meu jeito, sem máscaras para ninguém – ou pelo menos é o que eu digo pra mim mesmo quando olho no espelho e digo que aquele refletido ali sou eu, embora não haja nem mais um pouco de mim. Pouco importa.

O que importa é que eu sou um cristão protestante evangélico conservador, que estou cansado de me dizerem que devo evangelizar, e para não ficar parado, vou gritar a minha militância. Natal é uma festa capitalista, páscoa não é chocolate, Corpus Christi ninguém sabe nem escrever sem olhar no Google ou depender do corretor automático – um bando de alienados que seguem hereges, em festividades que não estão na bíblia. Se perderam da própria reforma – só eu e uns poucos amigos saberíamos como doutrinar esse povo, se não fossem um bando de cabeça-ocas.


Sou cristão protestante evangélico conservador, e sei que espíritas, católicos, neopentecostais, avivados, tradicionais que ainda estão em igrejas e não veem que a estrutura é satânica, valadetes, fãs do Thalles Roberto, Silas Malafaia, Benny Hinn, e todos os outros novos pastores, estejam eles na TV ou não, todos aqueles que não entendem que EU SEI O CAMINHO – vão para o inferno. E a queda deles eu assistirei de pé. Todos eles cairão de joelhos; menos os infiéis, porque Deus é um Deus de amor e não vai matar a inocentes. A não ser que eles sejam homossexuais, corinthianos, ou tivessem me dado um fora uma vez (era só uma fodinha, poxa).

E eu lembro da minha vó, que achava que só quem pensava como ela ia para o céu. HÁ!

Estereótipos que sempre dão certo #3 – Cristão Protestante Evangélico Conservador

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