A sociedade avança, né? Aprendemos a conviver com várias coisas desde que a humanidade surgiu, desde que nós nascemos, crescemos e (alguns de nós pelo menos) amadurecemos. Evoluímos, fomos pra frente, estamos em outro nível.

Nossa sociedade evoluiu. Nossa vida evoluiu. Transporte, saúde, comunicações, educação, política, estamos em um nível de desenvolvimento que a ficção científica a 20 anos atrás não conseguia nem supor – assim como há 5 anos atrás não nos víamos aqui, nessa posição de responsabilidade que temos hoje.


Nós mudamos. O mundo mudou. Mas continuamos no mesmo lugar. Por mais que tenhamos abolido a escravatura, achemos um horror pessoas vivendo em condições subumanas de miséria, nossas leis, nossos costumes nada mais são do que o talião revestido de uma burocracia gigantesca.

O que vale mais, o direito à vida ou o direito à propriedade? Depende. Em flagrante, se um ladrão estiver armado assaltando uma casa, o proprietário pode fuzilá-lo, caso se sinta ameaçado. Dente por dente? Não, involuímos.

Regredimos. Pedimos pelo caos. Esperamos que alguém pise na bola pra descontar toda a nossa frustração de vida em cima de um pedestre que demorou cinco segundos a mais pra atravessar a rua.

Detestamos atrasar mais três segundos pra diminuir a velocidade quando um carro quer atravessar a pista, porque nós esperamos mais cedo por mais de quinze minutos pra conseguir atravessar aquele mesmo ponto. Não, não somos fraternais. Esperamos que o Estado, a Igreja, o Grande Irmão o seja, nós não temos tempo para isso.

Quando nosso pneu fura, maldizemos a décima geração dos motoristas que passam insensíveis, mas nunca olhamos com compaixão ao dono do palio que o motor fundiu na pista do meio. Vivemos para desejar o mal, passar o mal, torcer pelo mal. E nos surpreendemos quando descobrimos a nossa própria infelicidade.

O talião se volta contra nós quando menos esperamos.

Evoluímos?!

Categoria: Opinião
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