Aviso: este texto foi escrito às 4 da manhã, qualquer falha de argumentação, mudança de assunto repentina ou non-sense genérico pode e deve ser relevado pelos leitores.

Entendo quem gosta de Jogos Mortais, mesmo que eu nunca tenha assistido, nem seja esse meu tipo de filme. Enquanto escrevo esse texto, assisto o primeiro filme dessa série na minha vida, Jogos Mortais IV, e nos primeiros 15 minutos de filme já entendi a satisfação de quem vê e gosta dessa série.

É aquele tipo de filme que satisfaz a sede de sangue de quem acredita que quem faz mal à sociedade deve morrer – é perfeitamente o que você pode ver na primeira vítima deste quarto filme. Uma mulher que teria todos motivos do mundo pra ser presa e que a sociedade no geral não pensaria duas vezes ao sacrificá-los em prol de um bem melhor, que geralmente envolve matar todos aqueles que não correspondem à expectativas sociais demonstram um pouco de maldade interior.


Assim como uma visão já bem ultrapassada do direito penal, essa série retrata que todo criminoso deve ser não só culpado, mas deve morrer pelos seus crimes, e não adianta apenas a pessoa pagar juridicamente pelos seus crimes, ela deve morrer por ser uma má pessoa. Pode ser apenas algo do quarto filme, mas é uma crise que o policial enfrenta ao ver o crime das pessoas as quais ele tem a escolha de salvar ou de deixar morrer.

Seria o policial melhor ao tentar salvar as pessoas que cometeram erros, estupraram pessoas, submetê-las à torturas para que não pudessem mais cometer seus crimes (num clima meio islâmico de arrancar fora as mãos de um ladrão para que ele não roubasse mais) ou ele deveria tentar salvá-las das penas impostas a ela por uma pessoa que se põe como julgadora, ignorando o sentimento daqueles que sofreram com os culpados? Dentre os acusados que foram processados e julgados pelo tribunal dos jogos mortais, temos a esposa que apanhava do marido, e por isso, tem o dever de poder matá-lo, e ficar com ele é um erro – independente do que ela acha disso, e se ela discorda, deve morrer com ele.

O engraçado é ver que a maior parte das pessoas que gostam e concordam com esse ponto de vista radical militam por supostos direitos humanos – assim como Feliciano e Bolsonaro militam por direitos humanos para humanos direitos.

É estranho ver que as pessoas têm dentro de si a mesma imparcialidade que elas odeiam nos outros que discordam totalmente: assim como os justiceiros odeiam quem põe um certo Deus para suas visões radicais, os que creem nesse Deus odeiam os justiceiros que tem uma visão distinta de justiça e direitos. O problema de justiceiros é que eles tem a sua própria moral, e querem impor para a sociedade, discorde ela ou não – quem discorde não merece viver numa sociedade tão boa quanto a que ele quer criar.

O problema é que são lados opostos de uma mesma moeda – a parcialidade. O ponto de vista. Ou seja, o problema é que todos nós temos pontos de vista diferentes. Estamos em lugares diferentes. E não conseguimos perceber isso, até que seja tarde demais.

Jogos Mortais, e porque você é tão idiota quanto Marco Feliciano e Bolsonaro.

Categoria: Opinião
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