Bob Oblong, ou John Noarms, para os mais íntimos.

Não sei por aí, perto de vocês, mas uma das coisas que eu mais ouvi até hoje, em brigas entre amigos, pessoas que se afastaram, ou até mesmo entre casais, é que um se sente desvalorizado para o outro – como se não recebesse a atenção que merecia.

Isso vai desde a falta de um ‘obrigado’ dito oficialmente e em público, até o reconhecimento de quão maravilhoso és tu, o que sempre trouxe um pouco de caraminholas na minha cabeça. E isso sai até do âmbito de relações de amizade, indo pro trabalho, pra escola e pra, se brincar, todas as áreas da vida (eu não tenho tanto dinheiro como deveria é uma afirmação tanto bizarra quanto improvável, já que o dinheiro que não reconheceria a pessoa). E aí, este ser, nosso amigo que andava desaparecido, John Noarms, cristão-médio, se frustra todo dia.

Seu chefe não reconhece seu trabalho, seus colegas de trabalho não reconhecem como suas piadas são ótimas, os seus seguidores no Twitter roubam suas frases geniais e usam como se fossem deles e ninguém compartilha a imagem que ele fez. John, na verdade, quase sente falta dos tempos do Orkut, quando era assediado para repassar um ou dois convites daquela rede social estranha e azul.

Na igreja, aos domingos, John Noarms senta na quarta fileira de bancos, canta em voz alta e olhos fechados todos os hinos – na esperança de que alguém veja que ele sabe as letras de cor. Nosso amigo também joga o copo de plástico que usou no cesto de reciclados, e se preocupa com o silêncio dos pré-adolescentes durante a palavra, pra que possam compreender o que Deus está dizendo sobre suas vidas.

Noarms, nosso bróder, nunca recebeu um parabéns ou um tapinha nas costas por tudo o que faz – e isso dói em seu coração. No trabalho, ninguém se importou se ele chegou mais cedo e ligou todos os computadores, ou se fez o café – quiçá repararam que os rolos de papel higiênico sempre foram magicamente repostos pelo nosso amigo anônimo, que dentre todas as coisas, odeia mais o seu anonimato.

John lê a bíblia nos cultos, e quando o pastor fala sobre dar honra a quem merece honra, seu estômago se revira.

Mas o que nosso amigo John esquece, assim como todos os cristãos envolvidos em pendengas como esta é que ele lê passagens bíblicas confortáveis ao seu ego. Ele quer ser reconhecido, receber abraços efusivos, promoções e tudo o que tem direito (?), afinal, ele merece honra – e esquece que “o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (Mateus 23:12), além de que “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens” (Colossenses 03:23).

O fato é que o que John não entendia é que não está fazendo a ninguém, mas a Deus – e se alguém te dará honra, este é o Senhor – e ninguém é obrigado a dar honra nenhuma para alimentar seu ego.

Noarms, na verdade, não está fazendo nada de bom. Ele faz para satisfazer seu ego e para receber elogios – e nisso não há valor algum, mas este pensamento passa longe de John.

Pobre rapaz.

John Noarms não é reconhecido por ninguém

Categoria: Igreja
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1 comment

  • Bacana, Abigol 🙂
    O ego é mesmo um resquício de instinto dentro de nós, o que nos distancia de Deus, e até mesmo do próximo, posto que ficamos aprisionados dentro de nós mesmos. 🙂
    Grande abraço!

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