Há gente que morre por futebol. Que vai ao estádio toda vez que o time joga na cidade, que viaja pra algumas cidades próximas pra ver o jogo e assina o Premiere FC apesar de existirem vários sites transmitindo links dos jogos. Há gente que compra camisa oficial do time, não uma ou duas – mas a coleção completa, cujo maior sonho de consumo é aquela especial da conquista da Copa Conmebol de 1980 e lá vai fumaça. Essa pessoa xinga o juiz, a mãe do jogador, o tempo, o gramado, a torcida adversária, xinga a chuva e o sol – e agradece por todos eles três minutos depois, quando o time abre o placar (com aquele jogador mesmo, que é filho de quem você está pensando).


São viciados. A derrota do seu time influencia em seu humor durante toda a semana – ou pelo menos até o próximo jogo, assim como a vitória. Segue pelo menos três ou quatro páginas de seu time no facebook, fora as notícias que confere em diversos portais.

Eu sou assim – pelo menos com política. Política pra mim é vida. Não um partido ou outro. Me identifiquei com o PDT pelas figuras de Brizola (o pai, não o filho muito menos o neto) e Cristovam Buarque – sejamos sinceros, tirei meu título em 2006 só pra poder votar no Cristovam pra presidente.

Flertei um pouco com outros partidos novos, já que os velhos estavam saturados de problemas hierárquicos e vícios. Descobri o PHS, que até hoje eu não entendo direito pra que serve. O PSOL, que estava em surgimento, mas ainda assim é bem complicado pra alguns pontos de vista meus.

Quando estava ainda meio assim, fui sondado pra participar de uma campanha, em 2008 – participei de longe, e o vereador foi eleito – sumiram minha ficha de filiação do PDT e nunca mais se falou nisso, até em 2012.

Um amigo chegou com uma ideia revolucionária, enquanto eu participava da fundação do PIRATAS!, que ninguém tinha pensado à sério antes: vamos fazer política limpa.  Sem boca de urna, sem compra de votos, sem sujeira. Conheci o candidato, evangélico, presbiteriano. Empresário. Gente boa. Homem de oração, que insistia em orar logo antes de todas as reuniões, e que sempre tinha uma palavra pra compartilhar.

Resolvi dar uma última chance à política comum. O voto derradeiro no meu time do coração, que estava na Zona de Rebaixamento, antes de surtar e começar a torcer pro XV de Piracicaba (que ganhou do Palmeiras B pela Copa Paulista nesse sábado).

A vontade de fazer Mestrado fora, a necessidade de estudar e a existência de um Exame de Ordem me fizeram pedir pra sair da campanha, mas continuei apoiando o candidato – até duas horas depois de sair da urna. Foi quando eu estava na casa da minha vó, me preparando pro almoço de domingo quando me chega a notícia – cartilhas do candidato espalhadas na porta de uma escola no bairro Bom Jesus.

Não, só podia ser brincadeira. Alguém deve ter jogado algumas cartilhas lá, não é possível que ele tinha permitido alguma coisa assim. E eu recebo uma ligação – o golpe de misericórdia pra alguém que já estava agonizando – mesma coisa no Marta Helena.

Esse é um pedido de ajuda – vamos PIRATAS!, vamos fazer diferente. Pelo amor de Deus.


Mataram o político dentro de mim.

Categoria: Opinião
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