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Todo mundo é contra a corrupção, 2013 teve aí pra provar que o brasileiro não é tão apático assim quanto se pensava. Afinal, não é muito do lance da galera pagar caro por serviços que não recebem. Asfalto, transporte público, serviços telefônicos, transporte intermunicipal, saúde pública e particular, pombas, até nos Correios a gente bate com a cabeça na parede de vez em quando (é, aquele pacotinho pequeno que tá parado em Curitiba há três meses).

Mas a desoneração de impostos não é a luta certa. Critica-se o Brasil, à torto e à direito, por ter uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Seja lá como for a métrica que se use, considerando ou não os impostos embutidos e as variáveis de impostos de localidade para localidade, a desoneração definitivamente não é o caminho certo.



1)      Menos imposto, menos corrupção.

Primeiro, porque menos impostos não significa menos corrupção. Ok, você pode entender ou pensar que menos impostos signfica menos dinheiro a ser roubado, ou ao menos, não vai ser o Estado quem vai te roubar – mas a corrupção está arraigada no sistema, não no serviço público.

Sabe quando você liga para sua telefônica, por exemplo, privatizada no começo dos anos 90 e tida como exemplo de como a privatização é um sucesso (afinal, você não precisa mais pagar milhares de reais para ter uma linha fixa de telefone, você paga milhares de reais para ter um aparelho móvel) e a empresa de telemarketing não respeita nenhuma das regras que o Código de Defesa do Consumidor determina, como não demorar mais de 15 minutos para resolver o seu problema, não transferir sua ligação por mais de uma vez, te dar a opção de falar com um atendente no primeiro menu, todas essas coisas? Isso também é feito por corrupção.

Sabe quando você vai ao banco, que é privatizado (até mesmo o Banco do Brasil, que é meio a meio), e fica mais de 15 minutos na fila, num claro desrespeito às normas, seja seu banco vermelho,  amarelo, verde ou acinzentado? É corrupção.

Quando alguma empresa te cobra uma taxa por um serviço que você não contratou, ou te obriga a contratar telefone, TV a cabo e internet tudo junto, porque afinal, é mais barato fazer isso que ter só internet? Isso mesmo, corrupção.

A grande diferença entre o setor público e o setor privado é que na corrupção do serviço público, quem ganha são apenas os funcionários corruptos. Na corrupção do serviço privado, quem ganha é a corporação – se é que você me entende.



2)      Menos imposto, mais escolhas

O Brasil tem uma das mais altas taxas de impostos (lato sensu) do mundo, mas esse imposto não é revertido em serviços. Diz-se que, se o brasileiro pudesse escolher entre um plano de saúde privado, ao invés de pagar pelo terrível sistema único de saúde, poderia escolher melhor, um plano que conviesse mais à sua saúde física do que pagar por cirurgias de motoqueiros acidentados e usuários de entorpecentes com overdose.

A questão de justiça na tarifação da saúde é complicada. Afinal, embora no serviço público você pague por serviços que não utiliza, quando mais velho, você continua pagando a mesma taxa que pagou anteriormente – basicamente você fez um investimento.

No setor privado, você paga exatamente pelo que vai usar naquele momento da vida – porém, quanto mais velho você fica, mais caro paga. Só que, se você parar pra olhar, a partir de um momento, quanto mais velho você fica, menos você recebe (aposentadoria não é lá o sonho que te prometeram, meu amigo, nem no INSS nem no setor privado, pode acordar).

Enquanto no setor público você “fez um investimento” quando não usava tanto, o setor privado espera pra te dar a conta completa de uma vez só, quando você não puder pagar. Claro – o serviço de saúde pública é uma bosta. Precisamos matar a corrupção, talvez até o SUS, mas não é acabando com os impostos que você vai produzir um sistema privado de saúde justo. Pode olhar a briga que o Obama comprou nos Estados Unidos para montar um plano de saúde custeado pelo Estado lá, em 2010 (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/01/nova-lei-de-saude-obamacare-entra-em-vigor-nos-eua.html).

Quando a realidade do transporte público de São Vicente, que, oficialmente,não tem transporte público regulado pelo Município, vem à tona, percebe-se que as coisas podem ser desesperadamente piores quando as empresas gerenciam a si mesmas.



3)      Muito imposto pra pouco serviço

Talvez um dos maiores disparates na argumentação sobre altos impostos. A comparação com outros países, como Dinamarca, Noruega, Suécia e bom, você conhece a lista faz tanto sentido quanto comparar o gosto de uma Balalaika com uma tequila reposada blue agave. Só de ler você já vê que tem algo diferente aí.

Comparar o quanto se paga de imposto na Suécia, dizendo que pagam o mesmo tanto que a gente e têm serviços muito melhores é no mínimo injusto. Afinal, em nenhum deles o sistema começou estruturado. O Canadá não foi fundado com todos os hospitais completamente equipados e em funcionamento. A Alemanha não foi estabelecida como país já com todas as rodovias asfaltadas com aquele tapete mágico que não se compara àquela batida de brita brasileira que se colocam nas BRs. Quando alguém decidiu que seria Rei da Inglaterra o país não tinha Universidades de ponta.



O Brasil está naquele momento de estruturação – e, infelizmente, continuará assim por muito tempo, a depender da corrupção social. Seja porque o dinheiro não é recolhido ou porque o dinheiro não é utilizado da maneira prevista, é impossível chegar a qualquer um desses objetivos. Nisso, as manifestações tidas como infantis pelos grandes sociólogos das redes sociais, estavam certas: a luta é contra a corrupção.

Talvez esteja mais que na hora de percebermos isso e pararmos de lutar contra governos ou plano de governos que durarão, quiçá, quatro anos. Afinal, a presidência da república não passa lei alguma (e não faz nada) sem o Congresso Nacional aprovar. Nem mesmo Medida Provisória, por mais que tentem convencer você disso.

A solução pra corrupção não é diminuir a carga tributária

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