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Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas

Se não há igrejas na Arábia Saudita não haverá mesquitas na Europa. A Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas, enquanto não permitirem a construção de igrejas no seu país. O governo da Noruega acabou de dar um passo importante na hora de defender a liberdade da Europa, frente ao totalitarismo islâmico. Jonas Gahr Store, ministro dos Negócios Estrangeiros, decretou que não seriam aceites os donativos milionários da Arábia Saudita, assim como de empresários muçulmanos para financiar a construção de mesquitas na Noruega

Segundo o referido ministro, as comunidades religiosas têm direito a receber ajuda financeira, mas o governo norueguês, excepcionalmente e por razões óbvias, não aceitarão ofinanciamento islâmico de milhões de euros.

Jonas Gahr Store argumenta que: Seria um paradoxo e anti-natural aceitar essas fontes definanciamento de um país onde não existe liberdade religiosa. O ministro também afirma que a aceitação desse dinheiro seria um contra-senso»,recordando a proibição que existe nesse país árabe para a construção de igrejas de outras religiões.

Jonas Gahr Store também anunciou que a «Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa», donde defenderá esta decisão baseada na mais estrita reciprocidade com a Arábia Saudita.

Via Midia Gospel


A internet, meus caros, é um grande telefone sem fio. Por exemplo, essa notícia, acima, da proibição de mesquitas na Noruega – todo mundo lembra a preula que deu quando um cartunista dinamarquês resolveu que seria uma boa ideia desenhar o profeta Maomé (maior profeta reverenciado pelos muçulmanos) usando um turbante-bomba, há cinco anos atrás. Surgiu então, na minha timeline um link, de um blog aparentemente duvidável, falando sobre a suposta proibição da construção de mesquitas na Noruega. Fui pesquisar. Uma das notícias que apareceu nas pesquisas é essa acima, e acreditem, apesar do nome do site, é uma das referências mais concretas com a notícia.

Quando li a notícia, percebi três erros crassos:

(1) O suposto ministro de “negócios estrangeiros” (embora a tradução oficial seja Assuntos Estrangeiros) saiu do cargo em 2012; 
(2) Não é de competência nem do Ministro de Assuntos (ou Negócios) Estrangeiros legislar sobre o tema, nem mesmo do Ministro da Economia/Fazenda Pública (cargo que ele ocupa hoje), mas do Parlamento;
(3) Só tem essa notícia em blogs cristãos (que não são bem conhecidos pela sua imparcialidade.

Fui à pesquisa. Como não encontrei nenhuma referência concreta à proibição seja de financiamento de mesquitas pela Arábia Saudita (o governo saudita investiria recursos públicos na construção de mesquitas no exterior? Como se proibir particulares de gastarem seu dinheiro em objetos específicos sem causar um incidente internacional?), resolvi mudar o foco da pesquisa. Fui procurar a proibição saudita de se construir/plantar/fundar novas igrejas no país. Cravando resultados no Google, encontrei mais notícias estranhas. Segue:

Destruição de igrejas católicas é exigida por autoridade islâmica

Meca (Segunda-feira, 26-03-2012, Gaudium Press) O grão-mufti sheikh Abdul Aziz bin Abdullah, alta autoridade clerical da Arábia Saudita, exigiu a destruição de todas as igrejas existentes na região do Golfo Pérsico. A decisão do governo do Kuwait de proibir a construção de novas igrejas no país, foi elogiada pelo sheikh, mas segundo ele a medida é pouca, pois é necessário destruir as igrejas que já existem. A exigência de Abdullah só não seria aplicada à Arábia Saudita, pois ali, não existe qualquer local de culto não muçulmano e qualquer outra manifestação religiosa já está proibida.

 

Além de ser a mais alta personalidade do clero da Arábia Saudita, o grão-mufti da Arábia Saudita foi considerado o 14º muçulmano mais influente do mundo pelo Real Centro Islâmico de Estudos Estratégicos, no ano de 2011. Nos países do Golfo Pérsico os cristãos são uma minoria, sendo sobretudo imigrantes. Em países como a Jordânia, Palestina, Iraque, Egito, Líbano e Síria, há comunidades cristãs significativas, mas o clima de perseguição religiosa tem aumentado também nesses países. (EPC)

Com informações da Rádio Vaticano.

Fonte: Associação Religiosa N. Sra. das Graças

Ok, vamos lá. Então nem repentinamente a Arábia Saudita começou a proibir a construção de Igrejas, nem a Noruega impediu coisa alguma – na verdade eu não sei o que a Noruega tem a ver com a história até agora. Mas uma coisa nesse link me chamou a atenção: a fonte. Fui então pesquisar no Gaudium Press, site dito como referência no início do texto, porém nenhuma das pesquisas retornou resultado.

Mesmo assim, eu já tinha uma história a seguir. Alguém tinha dito alguma coisa no Oriente Médio (tá vendo o problema da mídia cristã?). Foi então que encontrei o site da Agência Oficial de Notícias do Vaticano. Explico: por mais que Vaticano seja a sede da Igreja Católica, ainda assim é um país, e tem uma reputação a zelar (ou pelo menos deveria) no que tange à relações internacionais. Na NEWS.VA, há uma notícia que diz “O xeque Abdul Aziz bin Abdullah, Grão Mufti da Arábia Saudita (…) declarou que “é necessário destruir todas as igrejas da região”. A notícia continua:


A declaração do mufti foi feita depois que um parlamentar kuaitiano, Osama Al-Munawer, anunciou no mês passado, na rede social “Twitter”, a intenção de apresentar um projeto de lei para a construção de novas igrejas e lugares de culto não islâmicos no Kuwait. Recentemente, por ocasião da consagração de uma Igreja católica nos Emirados Árabes, os cristãos locais auspiciaram “a abertura de negociações para construir uma Igreja na Arábia Saudita”, visto que no Reino Saudita, segundo estimativas, vivem de 3 a 4 milhões de cristãos, trabalhadores imigrantes que desejam ter uma Igreja. Em junho de 2013, o Card. Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos povos, consagrou a nova Igreja de Santo Antônio nos Emirados Árabes Unidos, nas proximidades de Dubai , e uma nova Igreja dedicada a São Paulo está sendo erguida em Abu Dhabi. No início de 2013, o Rei de Bahrein doou à comunidade cristã um terreno para a construção de uma nova Igreja, a Catedral de Nossa Senhora da Arábia.

Fonte: News.Va

Então já temos um contexto: Após um parlamentar do Kuwait dizer que gostaria de fazer um projeto de lei para liberar a construção de igrejas no país, alguém disse que deveriam destruir todas as igrejas da região, e não construir mais. Só nos resta a pergunta: quem raios é Grão Mufti Abdul Aziz bin Abdullah? O site da Rádio do Vaticano (que tinha sido citada anteriormente), explica: Grão-Mufti é uma alta autoridade clerical, que pode emitir fatwas. Fatwa (ou fátua, abrasileirado) é um pronunciamento legal da religião islâmica – assim como Papas emitem Bulas Papais, que são consideradas leis religiosas para católicos e assim como Assembleias e Conselhos Eclesiásticos determinam doutrinas aos fiéis evangélicos, as Fatwas são ordenamentos aos muçulmanos, geralmente vindos de interpretações do Alcorão. Transportando para uma realidade ocidental, é como se um pastor evangélico dissesse, no morro carioca, que deveriam fechar todos os centros de umbanda e terreiros de candomblé. Não que isso seja realidade, é apenas uma suposição que pode coincidir com histórias reais.

Mas calma, não vamos discutir sobre a justiça ou injustiça desses ordenamentos religiosos. A internet é sim, um grande telefone sem fio. Um líder religioso da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Um líder da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Arábia Saudita vai destruir igrejas. É nesse ponto que entram pessoas mal-intencionadas, nessa bagunça de repostagem e mídia 2.0, o jornalismo que não é jornalismo e por isso não precisa de credibilidade, e acrescenta uma história  completamente bisonha, como essa da Noruega impedir financiamento de mesquitas. Em tempo: sim, na Arábia Saudita, assim como no Kuwait, é proibida a manifestação pública de outras religiões senão a muçulmana (nesse momento, um líder evangélico candidato nessas eleições coça sua barbixa enquanto pensa no paraíso que poderia criar com esse poder), como informa relatório do Departamento de Estado dos EUA:

The government claims to provide for and protect the right to private worship for all, including non-Muslims who gather in homes for religious services. This right was not always respected in practice and is not defined in law. Moreover, the public practice of non-Muslim religions is prohibited, and the Commission for the Promotion of Virtue and Prevention of Vice (CPVPV) and security forces of the Ministry of Interior (MOI) continued to raid private non-Muslim religious gatherings. Although the government also confirmed its stated policy to protect the right to possess and use personal religious materials, it did not provide for this right in law, and the CPVPV sometimes confiscated the personal religious materials of non-Muslims. Religious leaders and activists continued to face obstacles in expressing their views against the religious establishment.

Fonte: US Departament of State

“O governo diz que provê e protege o direito de culto privado para todos, inclusive não-muçulmanos que se reúnem nas casas para prestarem cultos religiosos. Esse direito não foi sempre respeitado na sua prática, e não está definido em lei. Além disso, a prática pública de religiões não muçulmanas é proibida e a Comissão para a Promoção de Virtude a Prevenção do Vício (CPVPV) e as forças de segurança do Ministério do Interior (MOI) continuaram a fazer batidas policiais em reuniões privadas de não-muçulmanos. Embora o governo também confirme a sua política de proteger o direito de possuir e usar acessórios religiosos, não há legislação nesse tema, e o CPVPV costuma confiscá-los de não-muçulmanos. Líderes religiosos e ativistas ainda enfrentam obstáculos em expressar suas visões contra o status quo religioso.”


Igrejas na Arábia, Mesquitas na Noruega e o Telefone Sem Fio

Categoria: Utilidade Pública
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