Meu pai tem Facebook há mais tempo que eu.  Mais tempo que quase todo mundo aqui – sério, enquanto a gente se divertia participando de novas comunidades com nomes da zuera (“O maior problema em ser irônico…” […] “Isso não é uma Comunidade”), meu pai já tinha facebook. E hoje ele também tem twitter – e twitta. Minha mãe também tem os dois, e minha vó recentemente entrou no Facebook também. Metade da minha igreja está no Twitter, e uma boa parte usa ativamente. E tenho todos adicionados (mas não sigo a todos).

Um dos maiores medos dos heavy-users de redes sociais, e eu não tenho nenhum problema com isso. Posto meu conteúdo, com minhas palavras e volta e meia algum palavrão e nunca tive o menor constrangimento com isso.

Na verdade, acredito que o fato do meu pai ler o meu blog (e isso sim foi realmente assustador) melhorou bastante a nossa relação. E isso me levou a perceber que o segredo pra não ter medo de misturar o que se é na internet com o que se é no mundo real é ser a mesma pessoa.

Não adianta você escrever textos revoltadinhos e revolucionários se você não sai da sua zona de conforto – as máscaras caem e as pessoas à sua volta vão descobrir que você paga de doidão. Não adianta tentar ser uma coisa que você não é, ou comprar brigas que você não se importa. O segredo é ou ser tão passivo quanto você é quando precisa pegar num microfone ou tão ativo quanto você é quando está no seu Facebook ou Twitter – e saber lidar com as consequências dos dois.


Porque é claro que quando você fala o que pensa de maneira tão aberta quanto o faz na internet, você vai sofrer consequências mais tangíveis – como magoar um amigo seu com seu discurso radical ou irritar alguém que você não gostaria de ter irritado.

E aí você vai aprendendo a lidar com uma coisa muito interessante que a gente acaba esquecendo quando vive a vida nos extremos (passivo ou ativo, hm!) que é achar o meio termo. Não para agradar a todos, ou traindo seus ideais, mas descobrindo que o seu discurso radical não é a resposta pra ninguém – nem pra si mesmo. Afinal a única coisa que se consegue, sendo radical, é a trair-se a si mesmo.

Meus pais/pastores/professores estão online. E atrás de mim.

Categoria: Opinião
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