Não quero ser conhecido como o cara que seguiu a Cristo e cujo bom-coração era completamente fiel a Deus. Não quero ser lembrado como um ícone, um referencial da fé, um verdadeiro mártir.

Porque é mentira. Se eu for conhecido como um ícone, é porque muitos me viram, mas ninguém chegou a conhecer a minha intimidade. Se eu for tido como um cara bom, é porque eu consegui esconder a minha hipocrisia pra debaixo do meu tapete, e não tive que lutar o bom combate.

Eu quero continuar a ser visto como o cara que sempre tá envolvido nas tretas e que tem tanta culpa no cartório que é mais fácil desconfiar de mim do que me proteger do que eu mesmo possa ter me feito. Quero continuar a ser pressionado, lapidado, criticado, e justamente impelido pro Caminho e para a Verdade e não ficar estagnado em meio a um floreio de coitadismo.

Sou eu, sou podre, carnal, e vivo pela misericórdia que se renova todos os dias. Sou vivo, sou humano, pecador e arrependido. Sou inconstante, sou guerreiro, caio tantas vezes quanto for preciso.  Faço minha luta para tentar ser digno, enfrento as minhas tretas e meus problemas para tentar ser limpo – não que eu vá conseguir, mas porque eu não me aguento.

Eu quero ser conhecido como mais um. Mais um dos tantos anônimos que não converteram multidões, não espalharam unções e não expulsaram toda sorte de espíritos. Mais um dos anônimos que são pilares desta fé. Desta Igreja. Deste Caminho. Mais um, não dos que portam trombetas, mas que está agarrado fortemente a uma ou outra dúzia de pessoas, verdadeiros amigos que sabem quem eu sou e para onde vou. E que queiram não só me acompanhar, mas me ajudar e me guiar até lá.

Quero ser útil. Em todos os meus defeitos.

Nunca serei.

Categoria: Igreja
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