Diga o que quiser, e olha que eu escrevo isso vestido com a minha camisa vermelha (mas sem a cachaça na mão) do Inter, mas foram os corinthianos que mostraram pro resto do país o que era ser torcedor de futebol.  O choro no rebaixamento, a torcida constante no estádio durante a série B, os gritos, o orgulho de usar a roupa de uma grife que estava à beira da falência.

Não, o Corinthians não é o único time com torcedores que beiram (e ultrapassam) o fanatismo. Não, o Corinthians não é o único time que movimenta cidades, pessoas e traz todos os tipos de choros possíveis para seus torcedores – mas definitivamente, eles tem a maior massa – e por isso foram notados.


Graças ao Corinthians, podemos entender porque, apesar de toda a frustração brasileira com futebol, com a Seleção e com a violência (que antes era restrita aos estádios, agora está em todos os lugares, basta se declarar torcedor), o Brasil ainda é o país do futebol.  Você pode não gostar de futebol. Pode evitar conversas sobre futebol – mas você não será capaz de ignorá-lo completamente.

O futebol é uma festa, é dor é sofrimento. O futebol é como a gente. Os times são mais parecidos com a gente do que imaginávamos – até o Corinthians entrar em cena.

O Corinthians decepciona – o Corinthians erra, o Corinthians frustra. O Corinthians é extremamente humano, real, tocável, porque tenta jogar seus amigos contra os outros pra ele parecer maior e melhor. O Corinthians não aceita suas derrotas, e sempre tem alguém pra culpar pelos seus erros, posando como vítima pra quem aparecer – eles mesmos, que se acham marrentos como o filho da classe média baixa que acha que é da comunidade, mesmo tendo a bola original da Topper, que não custou menos que 80 pratas.

O Corinthians é aquele pré-adolescente que gosta de ser chamado de gente grande, que gosta de ter a atenção toda pra ele e acha que tem a maturidade toda do universo – enquanto o resto dos times é um bando de criancinhas inocentes – a não ser o Palmeiras e o São Paulo.

É, o Corinthians é mais humano do que muitos de nós. E ver como os times são parecidos com a gente nos faz gostar mais ainda desse tal de futebol.  Enquanto isso, o brasão parece bater junto com o meu coração no meu peito. Glória do desporto nacional.

O Brasil ainda é o país do futebol

Categoria: Opinião
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