e.go.ís.ta
adj e s m+f (ego3+ista1 Que, ou quem trata só dos seus interesses. 2 Que demonstra falta de sentimentos altruístas. 3 Em que há propensão relativa à conservação do indivíduo. 4 Comodista. Antôn (acepções 1, 2 e 3): altruísta;(acepção 4): abnegado.


O ego nada mais é que a nossa visão de nós mesmos. Do que somos, o que precisamos e para onde queremos ir – principalmente o que precisamos. É pelo ego que tomamos praticamente todas nossas decisões e nossas relações, até que aprendemos a ter noção de mundo, quando começamos a nos ver como parte do mundo, ali quando quase crianças. Vemos que existem outras pessoas e nem todos estão ali (e, na verdade, nenhum deverá estar  em breve) para satisfazer as nossas vontades e necessidades.

Começamos a pesar o que é possível e o que não é, o que é certo e o que não é, o que é justo – nem que seja movido por alguns tapas, ralas ou castigos. Começamos a entender que a vida não é o filme no qual somos protagonistas, é no máximo uma novela de TV aberta que tem 30 núcleos de trama diferentes cada um com seus cinquenta personagens envolvidos.

E quanto mais crescemos, mais temos noção de todo. Não só os vizinhos, mas a cidade. O país. O mundo. E nesse mesmo mundo, alguns quilômetros dali –uma pessoa não tem algo que consideramos básico. Seja água, seja comida, seja liberdade. Seja emprego, seja escola, seja compaixão. E tentamos entender as diferenças. E começamos a nos questionar algumas coisas.

O grande mal da democracia é que ela faz as pessoas reunirem-se por motivos comuns, pelos seus egos comuns, e separa os que pensam diferente em vários grupos – e a única coisa que separa o grupo dominante da satisfação completa dos seus egos é um conjunto de regras externo. Não é a bondade, não é o entendimento, não é o respeito. É uma lei, uma decisão judicial – e surge o politicamente correto.

Daí começamos a tentar buscar desculpas pro nosso comportamento egoístas. Não é que o cristão odeie gays, é que ele acha um absurdo que a Parada Gay use recursos públicos para satisfazer o interesse deles; não é que ateus e cristãos emergentes odeiem os evangélicos, só acham que o Estado tem muito mais o que fazer que patrocinar a Marcha pra Jesus.

Afinal, em ambos os casos o Estado é Laico. O Estado não deveria se envolver. Ah, faça-me o favor. O Estado não só deve como vai se envolver em todas relações de grupo (a maioria que não seja criminosa, claro) que existirem, porque esse é o conceito de democracia moderno. Não é a quantidade de pessoas ou a influência do grupo que define a importância que o Estado dá.


Porque, pelo menos, o Estado não pode ter o tamanho do seu ego.

O ego e o mimimi do Estado Laico

Categoria: Opinião
42 views